A Comissão Europeia (CE) já fechou sua decisão e começou a repassá-la às montadoras europeias. Bruxelas pretende, de fato, elevar as taxas de importação sobre automóveis elétricos fabricados na China e vendidos no mercado europeu.
Pelas regras anunciadas, as tarifas podem chegar a 38,1% e devem começar a valer já no próximo mês de julho. O ponto central é a suspeita de “concorrência desleal”: segundo Bruxelas, o governo chinês estaria financiando o setor e reduzindo artificialmente os preços dos carros elétricos produzidos no país.
Por que a Comissão Europeia fala em concorrência desleal
Na avaliação da CE, o setor automotivo estaria “fortemente subsidiado na China e as importações de veículos elétricos chineses representam uma ameaça de prejuízo previsível e iminente para a indústria da UE”.
A vice-presidente da CE, Margaritis Schinas, afirmou que a comissão “estendeu a mão” às autoridades chinesas para “explorar possíveis formas de resolver” o impasse. Se não houver um acordo, as novas tarifas entram em vigor em 4 de julho.
Calendário: aplicação a partir de 4 de julho e decisão final em novembro
Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo da UE, ressaltou que “esta novas taxas são apenas preliminares” e que a aplicação está prevista para começar em 4 de julho. Depois disso, os Estados-membros serão chamados a votar as tarifas definitivas até o próximo dia 2 de novembro.
Taxas de importação vão variar
Os percentuais não serão iguais para todos: as tarifas vão mudar conforme o fabricante. Quem não colaborou com a investigação da UE ficará sujeito à alíquota máxima; já as empresas que cooperaram terão taxas menores.
Como referência, a SAIC - controlada parcialmente pelo governo chinês - receberá a tarifa mais alta. A Geely terá taxa de importação de 20% e a BYD, de 17,4%. Marcas ocidentais que produzem na China também entram no alcance da medida: por exemplo, os modelos da BMW e da Tesla fabricados no país terão uma tarifa de 21%.
Não há consenso na Europa
A medida divide os governos europeus. Espanha e França apoiam o aumento, argumentando que ele pode reforçar o orçamento da UE. Já Alemanha e Suécia se posicionam contra, por receio de retaliações do governo chinês.
Pequim, inclusive, já sinalizou que pretende retaliar, ao mesmo tempo em que tenta convencer alguns países a se oporem às novas tarifas. Vale lembrar que a China já cobra uma tarifa de 15% sobre elétricos produzidos na Europa.
O chanceler alemão Olaf Scholz advertiu recentemente que, no fim das contas, essa disputa alfandegária vai tornar “apenas tudo mais caro e todos mais pobres”. Do lado do setor automotivo, uma das críticas mais contundentes é a de Carlos Tavares, CEO da Stellantis, que também se opõe à medida.
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