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Jaguar e Tata apostam na eletrificação total

Carro SUV elétrico verde Jaguar em exposição, com estações de carregamento ao fundo em ambiente interno.

Um histórico de prejuízos difícil de ignorar

Há décadas que a Jaguar funciona como uma verdadeira máquina de queimar dinheiro. Nem é preciso voltar ao período da British Leyland Motor Corporation - dos anos 1960 aos anos 1980 - que acabou no desmembramento do conglomerado, num processo complicado até de resumir.

Em 1989, a marca foi salva pela Ford e permaneceu no grupo até 2008. O resultado foi uma longa sequência de quase 20 anos com as finanças no vermelho. Depois disso, acabou comprada pela indiana Tata. Há quem diga que em Detroit respirou-se de alívio…

Tata, SUVs e um alívio que durou pouco

Do lado da Tata também havia razões para comemorar. Em 2015, parecia que a fabricante inglesa finalmente tinha encontrado um caminho: as vendas estavam em alta e a aposta em SUVs começava a render os primeiros frutos. Só que a maré virou rápido.

Adivinhem… em pouco tempo a Jaguar escorregou de volta para um território que conhece bem: o dos prejuízos. Enquanto isso, a “irmã” Land Rover, usando praticamente a mesma base tecnológica, conseguiu evitar o atoleiro que persegue a Jaguar desde aqueles já distantes anos 1960.

Uma imagem à prova de quase tudo

Mesmo com tantas decisões ruins ao longo do tempo, a Jaguar segue com uma imagem de marca forte. Para o público, a empresa inglesa continua sendo reconhecida como sinônimo de luxo.

Talvez por isso, ano após ano, sempre aparece alguém disposto a despejar mais alguns milhões de libras na marca, na esperança de que o felino que dá nome à empresa finalmente mostre as garras. Isso ainda não aconteceu. Nenhuma receita parece funcionar.

Eletrificação total da Jaguar no segmento de luxo

Provavelmente por esse cenário, a Tata parece disposta a tentar uma jogada ousada… que vem falhando em praticamente todas as marcas com legado: eletrificação total. Exatamente isso. E justamente num segmento de luxo em que a procura por elétricos ainda é ainda mais baixa.

O plano seria deixar de tentar ser uma marca de volume - algo que a Jaguar nunca conseguiu - para virar uma marca de nicho, com margens maiores.

Parto do princípio de que a diretoria da Tata e da Jaguar sabe algo que eu não sei… Mas, na prática, quase todas as marcas desse mercado de luxo estão recuando nas metas de eletrificação. A Bentley já revisou os planos, a Porsche também, a Rolls-Royce não falou nada (mas dá para imaginar…) e até as marcas mais esportivas estão indo pelo mesmo caminho (Rimac, Ferrari, Lamborghini e companhia…).

Ou seja, todo mundo (menos a Jaguar) está pisando no freio. E, no meio disso, ainda tentam mexer no que talvez seja o principal ativo da marca: o logotipo e os seus códigos de estilo. Se vai dar certo ou não, só o tempo vai dizer. Do jeito que estava, também não dava para continuar.

Com todas as dúvidas, a sensação é de que a marca está completamente sem rumo. Essa estratégia soa como uma fuga para a frente. Um tipo de salto no escuro. Dizem que gatos sempre caem em pé. Vamos ver como a Jaguar vai aterrissar.


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