Em 1919, quando Walter Owen Bentley criou a Bentley Motors, ele dificilmente poderia prever que, mais de um século depois, aquela pequena operação se transformaria em um nome de peso mundial no universo dos automóveis de luxo.
Movido pela paixão pela velocidade, o engenheiro ganhou notoriedade primeiro ao desenvolver motores a combustão interna para aviões da Primeira Guerra Mundial. Pouco tempo depois, porém, passou a direcionar seu foco para os veículos de quatro rodas, guiado pelo lema “construir um bom carro, um carro rápido, o melhor da sua categoria”.
O “Winged B”
Para assinar visualmente seus carros, W. O. Bentley buscava um símbolo que traduzisse a sua “obsessão” por ultrapassar os limites de desempenho.
Com esse objetivo, ele procurou o amigo F. Gordon Crosby - o ilustrador mais reconhecido do mundo do automobilismo nos anos pré-guerra - e Crosby, literalmente, deu asas à ambição de Bentley. O artista desenhou um emblema bidimensional com duas asas e um “B” centralizado sobre um fundo oval preto. Assim surgia o refinado Winged B (B alado).
Simbolismo e mudanças do Winged B
Há quem associe as asas do emblema à ligação de Walter Owen Bentley com a aviação, mas o Winged B representa “a excitação do movimento”. Já a letra “B” remete ao nome da marca; e a paleta - em preto, branco e prateado - expressa pureza, superioridade e sofisticação.
Um detalhe pouco conhecido: inicialmente, cada asa trazia uma quantidade diferente de penas, reforçando a ideia de singularidade da marca. Nos anos 30, depois que a Bentley foi comprada pela Rolls-Royce, essa assimetria foi eliminada e as duas asas passaram a ter 10 penas. Na década de 90, a característica desigual das penas voltaria a aparecer, como tributo ao criador original do emblema, F. Gordon Crosby.
A revisão mais recente do Winged B aconteceu em 2002 e segue em uso até hoje (ndr: na data da última atualização deste artigo, em fevereiro de 2024).
Mesmo assim, em 2019, durante as comemorações do centenário da Bentley, foi desenvolvida uma versão exclusiva do logotipo, destinada apenas aos carros produzidos naquele ano. O “B” e a oval ao seu redor receberam um acabamento com contorno metálico, chamado de “Gold Centenary”.
A mascote “Flying B”
Além do logotipo, a marca é reconhecida há quase desde o começo por outro elemento: a mascote Flying B. Ela apareceu no fim dos anos 20 - quando esse tipo de acessório estava entre os mais populares - e, na sua origem, também teve a participação de F. Gordon Crosby. As ideias que nortearam o emblema foram levadas para essa peça tridimensional.
O Flying B de Charles Sykes e a influência Art Deco
O que muita gente desconhece é que, em 1933, Charles Sykes - o mesmo responsável pela mascote da Rolls-Royce, a Spirit of Ecstasy - foi contratado para desenvolver um novo Flying B. A proposta seguia a estética Art Deco, mas trazia somente uma asa, e não duas. A mudança desagradou clientes e admiradores da Bentley e, por isso, o desenho voltou a ser retrabalhado para recuperar as duas asas.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a mascote Flying B continuou a enfeitar a dianteira dos Bentley, embora em um formato menor, até a década de 70.
Do retorno em 2006 ao novo Flying B de 2019
Nesse período, com a chegada de novas regras de segurança para pedestres - que proibiram ornamentos sólidos e salientes na parte dianteira dos veículos -, a Bentley não teve alternativa a não ser remover a Flying B de seus modelos.
Somente neste século, mais especificamente em 2006, a mascote Flying B voltaria a aparecer. Isso foi possível graças a um mecanismo que permite recolher a peça para dentro, garantindo o atendimento às normas de segurança.
Em 2019, ano do seu centenário, a Bentley optou por redesenhar a mascote. A marca promoveu uma competição entre seus designers e, entre diversas propostas, venceu a de Hoe Young Hwang, inspirada na coruja.
O Flying B atual é produzido em aço inoxidável, polido à mão e fabricado com processos semelhantes aos usados para… turbinas. As asas preservam a assimetria característica e, acompanhando os tempos, hoje são iluminadas, integrando a coreografia de luzes da sequência de boas-vindas em conjunto com os faróis do veículo.
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