No fim dos anos 1980, o mercado viu nascer alguns dos esportivos mais marcantes de todos os tempos - e, nesse grupo, o Porsche 959 ocupa um lugar especial.
Mesmo tendo sido «ensombrado» na época pelo Ferrari F40, os anos deixaram claro que o 959 foi um retrato bem mais preciso do caminho que esportivos e superesportivos seguiriam depois. Muito disso se explica pela tecnologia embarcada, que ia de suspensão com ajuste de altura e amortecimento até um sofisticado sistema de tração às quatro rodas.
Nissan e o Porsche 959: o interesse pela tração às quatro rodas
Essa tração integral era tão avançada que acabou levando este exemplar específico a ter um primeiro dono improvável: a Nissan Motor Corporation.
A motivação da Nissan era direta. A fabricante japonesa trabalhava em um novo sistema de tração integral e, por isso, procurou a Porsche para comprar um 959 e analisá-lo com calma. A marca de Stuttgart, porém, negou o pedido.
O “não” da Porsche não fez a Nissan desistir. No fim, ela conseguiu comprar um exemplar - na época, por 420 mil marcos alemães. A aquisição foi viabilizada por meio de uma de suas concessionárias na Bélgica e, assim que o carro foi entregue, ele seguiu imediatamente para o Japão.
Já nas instalações da Nissan, em Yokohama, o Porsche 959 de número de chassi WP0ZZZ95ZHS900022 foi completamente desmontado e estudado. Ele serviria como base de referência para o desenvolvimento do sistema de tração integral (ATTESA ET-S), que viraria um dos destaques do dominante Nissan GT-R R32.
Quando a fase de pesquisa e desenvolvimento terminou, o Porsche 959 que havia pertencido à Nissan foi vendido discretamente a um dos engenheiros envolvidos no projeto. O detalhe é que ele nunca chegou a ser registrado no Japão - e, por isso, o hodômetro ainda nem tinha alcançado 1.400 km.
Viagem no tempo
Após ficar «desaparecida» por cerca de 30 anos, essa unidade do Porsche 959 reapareceu em 2019, ao ser entregue aos cuidados da Canepa, na Califórnia, nos Estados Unidos da América.
Canepa e a conversão para Porsche 959 SC
A Canepa não apenas restaurou o 959 como também elevou a especificação ao padrão 959 SC, desenvolvido pela própria empresa. O trabalho levou aproximadamente quatro anos (2019-2023) e consumiu 4.000 horas, o que resultou em um custo próximo de um milhão de dólares (cerca de 928 mil euros).
Nesse processo, o Porsche 959 de chassi #022 deixou o tom original de carroceria em cinza para adotar o Oak Green, igualmente original deste modelo. As rodas de 18" receberam pintura em cinza gun-metal, e o interior foi totalmente “refeito” em tons de marrom Tobacco.
O motor boxer de seis cilindros e 2,8 l entregava, de fábrica, algo em torno de 450 cv - número considerado modesto pelos padrões exigentes da Canepa.
Este Porsche 959 soma agora mais de 800 cv de potência e quase 900 Nm de torque (!). Entre as alterações realizadas estão novos componentes em titânio, novos turbocompressores e um sistema de escapamento completo, também em titânio.
O câmbio manual de seis marchas - sem deixar de lado a enigmática marcha “todo o terreno” - foi inteiramente reconstruído e aprimorado. Com isso, o Porsche 959 “SC” passa a acelerar de 0 aos 100 km/h em cerca de 2,5s e a ultrapassar 370 km/h de velocidade máxima.
Porsche 959 SC disponível para venda
Se você é colecionador e tem alguns milhões de euros «sobrando» na conta, vale o aviso: este Porsche 959 será colocado à venda em leilão já nos dois primeiros dias de março.
O Amelia Auction 2024 acontece, como de costume, nos gramados do Ritz-Carlton de Amelia Island, na Flórida, com organização da Broad Arrow Auctions.
Este Porsche 959 SC “Reimagined by Canepa” será o Lote 220, com estimativa de arremate entre 3,0 milhões de euros e 3,5 milhões de euros.
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