O possível fim da SEAT virou um dos assuntos mais comentados nos últimos dias, especialmente depois da repercussão do Salão de Munique.
O “responsável” por reacender o debate foi Thomas Schäfer, CEO da Volkswagen, que afirmou durante o evento que “o futuro da SEAT é a CUPRA”, sinalizando que a SEAT pode deixar de existir como marca de carros.
Schäfer, porém, não foi o primeiro a cravar essa ideia. O próprio Wayne Griffiths, CEO da SEAT e da CUPRA, vem dizendo isso há pelo menos seis meses - e voltou a reforçar a mesma mensagem à Razão Automóvel quando foi entrevistado.
Modelos da SEAT ainda estão e vão continuar à venda
Ainda que seja praticamente certo que a SEAT acabe passando o bastão da fabricação e da venda de automóveis para a mais rentável CUPRA, isso não acontece de um dia para o outro.
A marca espanhola segue com uma “mão cheia” de modelos no portfólio - Ibiza, Arona, Leon, Ateca e Tarraco - e eles continuarão no mercado, ao menos até concluírem seus ciclos de vida. Em quanto tempo isso se traduz? Provavelmente em mais tempo do que muita gente imagina.
Há novidades a caminho
Nem duas semanas atrás, Griffiths tratou desse tema em declarações ao Portal Movilidad. Em Munique, ele voltou ao assunto e adiantou pistas sobre o caminho que alguns modelos da marca devem seguir.
Para começar, ele reafirmou que os SEAT Ibiza e Arona vão receber mais uma atualização, o que permitirá que ambos atendam às novas exigências de segurança da União Europeia que todos precisarão cumprir a partir de julho de 2024.
O Leon também ainda tem estrada pela frente e está se preparando para receber sua primeira atualização em 2024.
Mesmo assim, circula um rumor de que, quando essa atualização chegar, o Leon deixará de ser comercializado como SEAT. A razão seria uma nova dianteira alinhada à identidade mais recente da CUPRA - como mostrado abaixo. Por enquanto, resta esperar um pouco mais para ver se a informação se confirma.
Já sobre o futuro de Ateca e Tarraco, as notícias não são animadoras. O Ateca deve ser substituído pelo CUPRA Terramar, e não existe plano de vendê-lo como SEAT. No caso do Tarraco, por outro lado, nada indica um sucessor. A venda do Ateca e do Tarraco pode terminar já no próximo ano.
Futuro como marca de mobilidade
Também é impossível ignorar o impacto potencial da Euro 7 no destino da marca. Se a norma for aprovada da forma como foi apresentada e passar a valer em 2025, a SEAT como marca de automóveis pode desaparecer mais cedo do que se imagina.
O motivo é que o custo adicional imposto aos motores a combustão tende a torná-los uma alternativa (praticamente) inviável nos segmentos mais baixos - onde estão, por exemplo, o Ibiza e o Arona.
Wayne Griffiths não descarta que a SEAT venha a ter um elétrico para permanecer nesse segmento - possivelmente uma versão do Volkswagen ID. 2All e do CUPRA Raval -, mas isso vai depender bastante não apenas do rumo dessas regras, como também da evolução do próprio mercado.
O destino da SEAT, porém, parece definido. É quase certo que, ainda nesta década, a SEAT, a marca de carros, encerrará suas atividades e dará lugar à SEAT, a marca de mobilidade.
Na prática, ela deixará de vender automóveis e passará a oferecer soluções de mobilidade, em veículos como patinetes e scooters 100% elétricas, com a (muito provável) chegada de um quadriciclo elétrico para “encarar” o Citroën Ami.
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