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Carros elétricos precisam de pneus diferentes? Teste com pneus Continental na Mercedes-Benz

Carro esportivo elétrico prata da Mercedes-Benz em exposição com design aerodinâmico e rodas grandes.

Os carros elétricos transformaram a maneira como dirigimos, mas também trouxeram uma dúvida que quase não existia nos modelos a combustão: eles precisam de pneus diferentes?

Para investigar isso na prática, fomos ao Mercedes-Benz World, no Reino Unido, e colocamos à prova diferentes elétricos da marca equipados com pneus Continental. A ideia foi observar como aceleração, frenagem, comportamento em curvas e eficiência energética não dependem apenas do carro, mas também do conjunto de pneus que ele usa.

Durante os testes, contamos com três modelos elétricos da Mercedes-Benz, cada um calçando um pneu Continental com proposta bem distinta:

  • Mercedes-Benz EQA 250, com EcoContact 6 - um pneu projetado com foco em eficiência energética e baixa resistência ao rolamento.
  • Mercedes-Benz EQB 300, com PremiumContact 7 - voltado ao conforto ao dirigir e, graças ao composto Red Chili, pensado para entregar desempenho desde a saída.
  • Mercedes-AMG EQE 53 4MATIC+, estrela das atividades dinâmicas, com SportContact 7 - o pneu mais esportivo da Continental. Ele utiliza o composto Black Chili, desenvolvido para priorizar aderência e precisão em velocidades mais altas.

Um cenário perfeito para testar limites

A primeira atividade foi de aceleração, usando um launch control ao volante do Mercedes-AMG EQE 53 4MATIC+. Com 460 kW - o equivalente a 625 cv - e 950 Nm de torque enviados às quatro rodas, esse elétrico com mais de 2,5 toneladas vai de 0 aos 100 km/h em 3,5 segundos. Essa entrega imediata de força deixou claro um dos grandes desafios dos pneus em elétricos: administrar o torque instantâneo.

Compostos como o Black Chili, presente no SportContact 7, são formulados para aumentar a interação molecular entre a borracha e o asfalto, elevando a tração e, ao mesmo tempo, buscando uma resistência ao rolamento bem controlada. Em um elétrico, essa combinação ganha ainda mais peso, já que eficiência energética faz parte do uso cotidiano do carro.

Depois das arrancadas, passamos para a frenagem em piso molhado. Nesse ponto, o peso extra das baterias aparece de forma evidente: mais massa significa mais energia para dissipar, o que tende a aumentar a distância de parada. Foi aqui que o PremiumContact 7 destacou a utilidade do composto Red Chili.

A Continental descreve essa formulação como capaz de manter aderência de maneira consistente mesmo com temperaturas mais baixas, reduzindo a necessidade de “aquecer” o pneu - algo especialmente importante em frenagens inesperadas e em condições de inverno.

No terceiro exercício, rodamos em um trecho curto e sinuoso - não para cravar tempo de volta, mas para entender como o pneu lida com forças laterais em um veículo pesado. Nessa fase, a construção do SportContact 7 mostrou seu valor. A banda de rodagem foi desenhada para se adaptar a diferentes níveis de carga lateral, preservando estabilidade e precisão direcional mesmo sob as forças adicionais geradas pelo peso do conjunto de baterias.

A etapa final olhou para a ligação entre resistência ao rolamento e eficiência energética, agora com o EcoContact 6. Quando o pneu impõe menor resistência mecânica à rotação, parte da energia necessária para manter o carro em movimento é aproveitada de forma mais eficiente.

Por que os elétricos colocam desafios diferentes aos pneus?

O primeiro ponto é o peso. As baterias são um componente estrutural pesado e aumentam de forma significativa a carga aplicada sobre os pneus. Em acelerações, frenagens e curvas, essa massa extra pede carcaças reforçadas, índices de carga mais altos e compostos capazes de responder de imediato mesmo sob maior exigência.

O segundo aspecto é o torque instantâneo. Diferentemente de um motor a combustão, que costuma construir força de modo mais progressivo, o motor elétrico pode entregar o máximo assim que o acelerador é acionado. Isso exige compostos e laterais estruturadas para absorver essa entrada de energia sem comprometer tração nem controle.

Na sequência vem a resistência ao rolamento, que passa a ter ainda mais relevância pelo efeito direto que exerce sobre a eficiência do sistema elétrico. Quanto menor a resistência, menos energia o pneu “pede” para sustentar o deslocamento, ajudando o carro a operar de forma mais eficiente.

Por fim, existe o silêncio. Em veículos elétricos, a falta de ruído mecânico faz com que o som gerado pelos pneus fique mais perceptível. Para elevar o conforto acústico, tecnologias como a ContiSilent foram desenvolvidas para reduzir o ruído de rodagem por meio da aplicação de uma camada de espuma no interior do pneu.

O que é um pneu preparado para veículos elétricos?

São pneus que reúnem características pensadas para atender também às demandas dos elétricos. Isso não quer dizer que sejam exclusivos para esse tipo de carro; significa, sim, que foram projetados para lidar com massas mais altas, torque elevado, resistência ao rolamento otimizada e níveis menores de ruído, sem perder a versatilidade necessária para equipar veículos a combustão.

Modelos como EcoContact 6, PremiumContact 7 e SportContact 7 ilustram bem essa lógica: cada um mira um perfil de uso - eficiência, conforto e desempenho -, mas com engenharia atualizada para encarar os desafios típicos dos carros elétricos.

Verdade ou mito?

A conclusão é direta: carros elétricos não exigem pneus “especiais”, mas se beneficiam de pneus preparados para as necessidades específicas desse tipo de veículo. Peso, torque instantâneo, comportamento dinâmico e eficiência energética são fatores que influenciam de forma decisiva como um pneu trabalha e como ele se comporta na estrada.

O que vimos na pista reforça exatamente isso. Com o pneu adequado no carro adequado, a direção fica mais segura, mais consistente e mais eficiente - independentemente de o motor ser elétrico ou a combustão.

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