A Mercedes-Benz e a Factorial estão unindo esforços para criar uma bateria de estado sólido capaz de elevar de forma marcante a autonomia dos carros elétricos. O projeto, chamado Solstice, tem previsão de ficar pronto até o fim desta década.
Bateria de estado sólido Solstice: o que muda na autonomia
Segundo as empresas, a Solstice deve atingir uma densidade energética por volta de 450 Wh/kg, o que permitiria ampliar a autonomia dos elétricos em 80% quando comparada à média atual. A proposta, porém, não se limita a rodar mais.
Como a Factorial destaca em seu comunicado, baterias de estado sólido tendem a oferecer mais segurança, maior vida útil e recargas mais rápidas. “Ao combinar estas inovações, a Solstice reduz os custos de operação, o consumo de energia e o impacto ambiental”, afirma Markus Schäfer, CTO da Mercedes-Benz AG.
Caminho tecnológico: das baterias de estado semissólido às de estado sólido
Antes de chegar ao estado sólido, a Factorial iniciou o trabalho com baterias de estado semissólido. Algumas montadoras já estão testando essa solução, e a expectativa é que ela comece a ser utilizada em 2026. Para Siyu Huang, CEO da empresa, em declarações à Reuters, esse desenvolvimento ajuda a fazer a transição tecnológica para as baterias de estado sólido sem exigir mudanças maiores.
“A Solstice oferece melhorias adicionais na densidade energética e segurança, que nos vão ajudar a desenvolver veículos elétricos que definem novos padrões de alcance, custo e performance.”
Markus Schäfer, CTO da Mercedes-Benz AG
Do ponto de vista de construção, baterias de estado sólido - assim como as de íons de lítio - contam com ânodo, cátodo e eletrólito. A diferença é que, nesse caso, o eletrólito é sólido. Já nas baterias de estado semissólido, o eletrólito contém partículas sólidas, mas elas ficam suspensas em um líquido condutor.
Vantagens e desvantagens
Mesmo com os benefícios citados, a tecnologia de baterias de estado sólido ainda lida com obstáculos. Entre eles estão o custo, o desempenho inferior em climas frios e a tendência de expansão dos materiais.
Ainda assim, Huang argumenta que, como a Solstice não precisa de sistemas de resfriamento caros - como ocorre com as baterias atuais -, ela abre espaço para uma queda de custo ainda mais relevante.
“Nós não estamos apenas focados no custo das baterias, mas também no custo total do veículo.”
Siyu Huang, CEO da Factorial
Se o desempenho prometido se confirmar, a Mercedes-Benz pode diminuir de maneira significativa o tamanho do pack de baterias usado hoje em seus modelos. De acordo com Markus Schaefer, CTO da marca alemã, as baterias de estado sólido podem entregar uma melhora de 40% na densidade energética em relação às baterias atualmente utilizadas pela Mercedes-Benz.
A Mercedes-Benz não é a única fabricante apostando nas soluções da Factorial: Stellantis e Hyundai também enxergam a empresa como um investimento relevante.
Fonte: Factorial e Reuters
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