O presidente da Câmara Municipal de Resende afirmou, nesta segunda-feira, à agência Lusa, que o bloqueio da Estrada Nacional 222 (EN 222) está forçando estudantes a passarem por uma via sem segurança e também está prejudicando a economia local.
Corte da EN 222 em Barrô e falta de planejamento da IP
Segundo Fernando Silvério, a interrupção ocorre na freguesia de Barrô, onde a EN 222 está fechada desde 12 de fevereiro. Ele destacou que a situação começou após as tempestades que atingiram Portugal e, desde então, a Infraestruturas de Portugal (IP) "ainda não apresentou qualquer planificação para a sua requalificação, apesar da pressão constante da Câmara".
O autarca relatou que, passados "três meses, 90 dias", a informação disponível se limita ao trâmite administrativo. "Estão a passar três meses, 90 dias, e a única informação que tenho é só relativamente ao procedimento. Será concessão, execução, ou seja, é o mais rápido que conseguem, mas fica por aqui. Não vejo obra no local, não me é transmitida uma data. Nada. Não tenho qualquer plano de obra", denunciou.
Para Fernando Silvério, trata-se de uma "incógnita que se está a tornar inaceitável", porque coloca moradores e prefeitura sob um "constrangimento muito grande, porque não há resposta para dar às pessoas" do município.
Segurança dos alunos na estrada alternativa
O presidente da Câmara explicou que a principal preocupação está no trajeto alternativo usado para deslocamentos diários, sobretudo no transporte escolar. "O problema [da estrada alternativa] é das condições de circulação e de segurança em que as crianças são transportadas, nomeadamente da freguesia de Barrô", afirmou.
Ele reforçou que a rota improvisada não garante proteção adequada e ainda aumenta o tempo de deslocamento das crianças: "A estrada que serve de alternativa não tem condições de segurança. Além das crianças terem de se levantar muito mais cedo, porque o percurso é maior, o que mais me preocupa é a falta de segurança em que são transportadas".
Silvério disse ainda prestar a sua "homenagem a todos os motoristas", especialmente de ônibus, "porque têm de ser pessoas com uma perícia enorme" para conseguir trafegar ali.
Nesse contexto, apontou o volume de veículos pesados no dia a dia: "São sete autocarros que circulam diariamente naquela estrada. Se um ligeiro, dificilmente, em alguns pontos, não consegue passar por um ligeiro, imagine quando se encontra no meio do caminho um autocarro com um ligeiro", indicou.
Impactos no município de Resende e na economia da cereja
O presidente da Câmara ressaltou que o transtorno vai além de Barrô e São Martinho, onde ocorreu o bloqueio, e se estende a todo o território municipal, já que "não há outra estrada com as características da EN 222".
Com a via interditada ao tráfego, a Prefeitura de Resende realizou intervenções para viabilizar rotas alternativas: "arranjou estradas para serem alternativa, que não são, mas são a única alternativa". De acordo com ele, uma dessas vias é de chão batido, mas ainda assim permite "o escoamento da cereja"; a outra foi melhorada e segue em obras para dar mais fluidez, "nomeadamente a alargar" a estrada.
O autarca também chamou atenção para os prejuízos no setor produtivo local. "Temos uma grande empresa no concelho que faz a comercialização da cereja e está a ter prejuízos avultados com as despesas que tem de ter para que os seus camiões circulem. Estamos a falar de voltas com duração superior a uma hora e ao preço que estão os combustíveis, imagine o prejuízo", indicou.
Por fim, Fernando Silvério frisou que as ligações rodoviárias a Resende, no norte do distrito de Viseu, já eram "dos maiores constrangimentos do concelho". Assim, destacou que o município "já é um Município com pouca capacidade para atrair empresas" e que, com a interrupção da EN 222, "até para as existentes se está a tornar muito complicado".
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