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Maserati na Stellantis: Carlos Tavares explica a crise e os próximos passos

Carro esportivo azul Maserati 2028 em exibição moderna com janelas grandes e gráficos digitais ao fundo.

Mesmo sendo uma das marcas automotivas com mais tradição, com inúmeros triunfos nas pistas e alguns dos carros mais cobiçados do mercado, a Maserati atravessa hoje uma fase complicada.

Dentro do grupo Stellantis, ela é a única marca posicionada oficialmente no segmento de luxo - mas isso não a livra do critério repetido por Carlos Tavares, diretor-executivo do conglomerado, ao afirmar que “se uma marca não for lucrativa, é para fechar”.

Apesar disso, ainda não é hora de falar em medidas extremas. Mesmo com os boatos de uma possível venda da marca que surgiram após essas declarações, a própria Stellantis veio a público negar a informação e encerrar o assunto.

Conhecido por ser um entusiasta declarado de carros, Tavares tende a preferir recolocar as marcas sob sua gestão no caminho certo, em vez de simplesmente “bater com a porta”. Essa foi uma das leituras que fizemos após a conversa com o CEO da Stellantis no último Salão de Paris, quando ficou claro que já há ações em curso para reverter a direção tomada pela italiana.

O que se passa com a Maserati?

A dimensão dos desafios ficou evidente com a divulgação dos resultados do primeiro semestre de 2024 da Stellantis. No período, as vendas da Maserati ficaram 50% abaixo do que foi registrado no mesmo intervalo de 2023, levando a marca a operar no vermelho.

Segundo Tavares, o problema “era evidente” e não tinha relação com os produtos da empresa. Para ele, as dificuldades se concentraram principalmente na China e nos Estados Unidos, embora por razões distintas.

China: conflitos com concessionárias e impacto nos volumes da Maserati

No mercado chinês - o terceiro maior para a marca - o “patrão” da Stellantis explica que “surgiram problemas com os concessionários, que queriam fazer descontos muito grandes, como sempre acontece, e tivemos que estancar o problema, o que afetou os volumes”.

Estados Unidos: o maior mercado e o plano de marketing que não funcionou

Já os Estados Unidos, que são o principal mercado da Maserati e, em tese, deveriam compensar a queda na China, não entregaram esse resultado. Como resume Tavares, “o plano de marketing falhou por completo”, o que acabou puxando as vendas para baixo.

O executivo português relata que, no segundo trimestre deste ano (abril-junho), recebeu um plano de marketing para várias marcas nos EUA que considerou “demasiado arriscado”.

Mesmo assim, o plano acabou sendo aprovado porque, como ele próprio justifica, “as equipas de cada uma das marcas devem ter a sua autonomia.” No entanto, caso a estratégia não dê certo, “tem de existir responsabilização”.

Os próximos passos

Foi exatamente o que ocorreu: a resposta veio com a troca no comando - Davide Grasso deixou a função de diretor-executivo da marca, que passou a Santo Ficili, também nomeado para liderar a Alfa Romeo - e com a implementação de um novo plano de negócios.

Na visão de Tavares, quando começar a avaliação das 14 marcas da Stellantis, em 2026, a Maserati já não deve aparecer como a maior urgência no topo da lista de problemas a resolver.

Nesse contexto, ele diz que hoje a empresa conta com uma “gama sólida e já inclui opções 100% elétricas“. Até 2028, a linha deve ser reforçada com os sucessores do Levante e do Quattroporte, já que as gerações atuais desses modelos foram descontinuadas.

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