A ofensiva das marcas chinesas na Europa já não acontece só no balcão das concessionárias. Diversos grupos - BYD, Leapmotor, Geely, SAIC (MG/Maxus), GAC (Aion) e Chery Auto (Omoda e Jaecoo) - vêm desenhando planos industriais voltados especificamente para o continente.
Nesse contexto, a BYD pode estar mirando um dos endereços industriais mais emblemáticos da Alemanha: a Gläserne Manufaktur, conhecida como Fábrica Transparente da Volkswagen, em Dresden.
De acordo com o CarNewsChina, a montadora chinesa estaria em conversas com a empresa alemã para assumir parte dessa unidade, com a possibilidade de fabricar ali veículos elétricos destinados ao mercado europeu.
A reportagem menciona uma fonte próxima das negociações, mas não há confirmação oficial. Procurada pelo CarNewsChina, a BYD preferiu não comentar; já a Volkswagen classificou a informação como incorreta, embora declarações recentes de Oliver Blume, CEO do Grupo, (que relembramos mais adiante) apontem para um cenário potencialmente diferente.
Retorno de Dresden à produção
Se a hipótese se confirmar, a planta de Dresden voltaria a ter atividade industrial. Vale lembrar que a Volkswagen encerrou a produção de automóveis no local em 16 de dezembro de 2025, após 24 anos de operação.
A unidade deve agora passar por uma conversão parcial para se tornar um campus de inovação, em parceria com a Universidade Técnica de Dresden e o estado da Saxônia. Segundo a empresa, a marca seguirá operando o edifício e mantendo presença na região, mas a fabricação de veículos continuará suspensa.
Para a BYD, produzir na Alemanha traria uma série de benefícios. O principal seria fortalecer a percepção da marca em um mercado onde as montadoras locais ainda lideram com ampla vantagem.
Em março, a BYD registrou quase 3500 automóveis na Alemanha, um avanço anual acima de 300%, ainda assim muito distante da Volkswagen, que no mesmo período emplacou 50 mil unidades.
Escapar às tarifas europeias
Hoje, os carros de passeio da BYD vendidos na Europa são importados da China e pagam a tarifa aduaneira padrão de 10%, além da tarifa antissubsídios aplicada pela União Europeia aos veículos elétricos chineses. No caso da BYD, esse adicional é de 17%.
A BYD já está construindo uma fábrica na Hungria e também prevê uma unidade na Turquia - país que não está sujeito às tarifas adicionais impostas pela União Europeia sobre veículos importados da China.
XPeng também namora com a Volkswagen
A BYD não é a única chinesa de olho na capacidade industrial ociosa da Volkswagen na Europa. A XPeng também estaria avaliando alternativas na mesma direção.
Independentemente de qual marca esteja envolvida - caso esse cenário se concretize - a própria Volkswagen já sinalizou abertura para esse tipo de arranjo. Em abril, Blume afirmou que compartilhar capacidade industrial europeia não utilizada com fabricantes chineses poderia ser uma solução “inteligente” para cortar custos e enfrentar o excesso de capacidade.
Segundo a Reuters, o grupo alemão pretende reduzir sua capacidade global de produção de 12 milhões para 9 milhões de automóveis, como parte de uma estratégia de diminuir volume e buscar margens mais altas por unidade.
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