A 3ª geração do Bentley Continental GT Speed é apresentada hoje ao mundo. A primeira leva é de 2007, a segunda chegou em 2014 e, assim como as anteriores, esta terceira faz questão de honrar o próprio sobrenome (Speed = velocidade).
O Continental GT foi, em 2003, o primeiro carro da fase moderna da marca britânica - fundada no começo do século XX por Walter Owen Bentley - depois de ter sido vendida ao onipresente Grupo Volkswagen. O destino (com seu senso de ironia) quis que, em 1998, a empresa acabasse em mãos alemãs: as mesmas que o Sr. Bentley ajudou a derrotar com motores aeronáuticos projetados para a força aérea britânica na I Guerra Mundial.
O projeto pôde ser iniciado e finalizado em apenas quatro anos porque a base técnica escolhida foi a do Volkswagen Phaeton. Sobre essa plataforma, a Bentley vestiu uma carroceria de linhas intensamente sedutoras, alinhada ao seu DNA: grande, muito potente e também confiável - atributos que, no passado, sustentaram cinco vitórias em Le Mans entre 1924 e 1930.
O domínio na corrida clássica (que a Bentley voltaria a vencer já no século XXI) era tão evidente que o incômodo dos concorrentes aparecia em comentários como o de Ettore Bugatti, ao descrever o 4.5 litros vencedor de Le Mans em 1930: “é o camião mais rápido do mundo”.
Speed. O que o distingue?
É justamente nesse pano de fundo “com tempero de pista” que o novo Continental GT Speed se encaixa com naturalidade. No visual, as mudanças específicas do Speed não são espalhafatosas, mas quem observa com atenção percebe a finalização mais escura das grades do radiador e da parte inferior do para-choque, as rodas de liga leve de 22” com desenho exclusivo, o logotipo Speed na lateral dianteira, além das soleiras mais trabalhadas - agora com a inscrição Bentley iluminada em vermelho, como referência às credenciais esportivas do Speed.
Na cabine luxuosa e confortável para quatro adultos (desde que os ocupantes do banco traseiro tenham menos de 1,75 m de altura para não comprometer o penteado), domina o acabamento em preto, combinando Alcantara e couro com painéis de fibra de carbono. O conjunto ainda ganha destaque com o contraste das costuras vermelhas distribuídas por bancos, portas, painel e volante.
Vale dizer que as costuras em vermelho não são uma obrigação: a cor muda caso o cliente prefira. Existe, inclusive, um conjunto de 15 cores principais, 11 cores de couro e oito tipos de madeira para elevar o nível de personalização desse interior exclusivo.
O painel de instrumentos mistura componentes analógicos e digitais e, junto da altíssima percepção de qualidade e do conhecido módulo central giratório no painel, ajuda a compor um ambiente particularmente sofisticado a bordo.
Que números! 659 cv, 335 km/h, 3,5s de 0 a 100 km/h
Para garantir um nível de confiabilidade à altura dos históricos vencedores de Le Mans, os engenheiros da Bentley submetem o W12 6.0 a um verdadeiro “tratamento de choque”: além de milhares de quilômetros de testes (4 sessões x 100 horas a fundo, 4×300 horas em cruzeiro, etc.), o conjunto encara variações extremas de temperatura.
Um dos testes finais é mais ou menos como exigir que uma pessoa corra uma maratona, depois levar um balde de água gelada (a -30 ºC… imagine que ela esteja líquida para completar o cenário) despejado sobre a cabeça e, em seguida, ainda ter de fazer 10 sprints de 100 metros - sem pestanejar, repetidas vezes. Para o motor funcionar corretamente, mesmo com temperatura externa de 40 ºC, é fundamental que o arrefecimento trabalhe no padrão esperado: por isso, na velocidade máxima do GT Speed, mais de 4000 l/s (litros por segundo) de ar atravessam o radiador.
O biturbo de 6.0 litros recebeu um aumento de 24 cv, de 635 cv para 659 cv. Já o torque máximo saiu de 820 Nm para 900 Nm - números suficientes para empurrar este Gran Tourer até 335 km/h e fazê-lo acelerar de 0 a 100 km/h em 3,5s (0,1s mais rápido do que a geração anterior). O feito impressiona, sobretudo por ser um automóvel com mais de 2,3 toneladas (ainda assim, isso não o impede de ser o Bentley mais rápido da história).
O motor trabalha com uma transmissão automática de oito marchas e dupla embreagem, capaz de trocar de marcha duas vezes mais rápido no modo Sport do que na versão W12 “normal” (ou seja, “não Speed”). E ela também desativa metade dos cilindros quando há carga leve ou quando o acelerador está aliviado, para reduzir o consumo (as válvulas de admissão e escape, além da injeção de gasolina, são desligadas em dois dos bancos de cilindros, e o Continental GT Speed passa a rodar como um V6).
Enorme evolução no chassis
No chassi, a evolução foi ainda mais marcante com a adoção de um novo sistema eletrônico de esterçamento das rodas traseiras, que atua em todos os modos de condução. O efeito fica especialmente claro no Sport, quando trabalha em conjunto com amortecimento variável, suspensão pneumática (de três câmaras), barras estabilizadoras ativas (48 V) e o novo diferencial traseiro autoblocante eletrônico - o primeiro instalado em um Bentley, para elevar a capacidade de acelerar sem perder tração em curvas. O resultado prometido é um nível de agilidade inédito para um carro da aristocrática marca britânica.
No controle eletrônico de estabilidade, há motores elétricos robustos dentro de cada barra estabilizadora que, no ajuste mais firme, podem gerar até 1300 Nm em 0,3s para neutralizar as forças de curva e manter a carroceria estável.
Como é típico nos sistemas de eixo traseiro direcional, em baixas e médias velocidades as rodas traseiras esterçam no sentido oposto ao das dianteiras para acelerar a resposta e diminuir o diâmetro de giro. Em velocidades mais altas, passam a virar no mesmo sentido das rodas dianteiras, favorecendo estabilidade e conforto em vias rápidas. Segundo os engenheiros da Bentley, o efeito desse eixo traseiro direcional é mais evidente no Continental GT Speed do que no Flying Spur.
O conjunto de freios também evoluiu com a opção de discos carbono-cerâmicos com carboneto de silício, que reforçam a “mordida” (das pinças de 10 pistões na dianteira e quatro na traseira), deixam o pedal com sensação mais firme e aumentam a resistência à fadiga em uso intensivo. E esse sistema cerâmico ainda reduz o peso total do carro em 33 quilos.
A tração integral foi recalibrada para criar, em todos os modos de condução, uma diferenciação maior frente aos Continental GT “não Speed” (nos programas Bentley e Comfort, privilegia-se a aderência nas quatro rodas; no Sport, a preferência vai para a tração traseira, em nome de uma condução mais esportiva).
Quando chega?
As vendas começam no segundo semestre, com preço na casa dos 200 000 euros. A expectativa é que o modelo contribua de forma importante para o que a Bentley acredita que será um ano muito positivo - como aponta Adrian Hallmark, CEO da marca britânica.
O último 12 cilindros
Este deverá ser o último novo Continental GT de 12 cilindros da história, já que a Bentley anunciou que, a partir de 2030, todos os seus automóveis serão 100% elétricos (vale lembrar que este já foi o motor de 12 cilindros mais produzido do mundo, com mais de 100 000 unidades instaladas até hoje).
Agora, a marca passa por uma reinvenção completa: a eletrificação de toda a gama está prevista até 2026, além da chegada do primeiro modelo totalmente elétrico, que será baseado na plataforma Artemis. O desenvolvimento é liderado pela Audi, que passou a “tutelar” a Bentley desde 1º de março deste ano, em substituição à Porsche, como confirma Hallmark: “na nossa gama atual, três dos nossos quatro modelos usam uma base técnica da Porsche, que depois nós trabalhámos para servirem os valores da nossa marca e no futuro vamos passar a dispor da plataforma elétrica da Audi sobre a qual iremos desenvolver todos os nossos modelos”.
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