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Combustíveis sintéticos (eFuels): custos e previsões com a Porsche

Pessoa abastecendo carro branco em posto de combustível com turbina eólica ao fundo em dia ensolarado.

Os combustíveis sintéticos - frequentemente chamados de eFuels - voltaram ao centro das atenções recentemente, sobretudo após a Porsche se envolver diretamente na produção. A fabricação começa ainda este ano na planta Haru Oni, no Chile, num projeto com parceria da Siemens Energy e da ExxonMobil.

De acordo com Frank Walliser, vice-presidente da área de GT na Porsche, esses combustíveis podem cortar as emissões de CO₂ em até 85%, um avanço expressivo no esforço para reduzir gases de efeito estufa.

Além disso, eles podem abastecer qualquer veículo com motor a combustão interna, seja novo ou antigo - de carros a grandes embarcações - e ainda aproveitam a mesma infraestrutura de distribuição e armazenamento já usada pelos combustíveis fósseis.

Em outras palavras, o “velho” motor a combustão poderia integrar a solução para acelerar a descarbonização da economia, sem depender exclusivamente da eletrificação gradual do transporte.

O assunto ganha ainda mais peso num momento em que o preço dos combustíveis atinge recordes e vários países tentam redefinir a origem e a produção de energia - quadro que se agravou com a guerra na Ucrânia.

Mesmo assim, uma das principais dúvidas para a adoção e para a possível substituição dos combustíveis fósseis continua sendo o custo dos combustíveis sintéticos.

Quanto vão custar os combustíveis sintéticos?

Hoje, os combustíveis sintéticos custam bem mais do que os de origem fóssil. Isso se deve, em grande parte, ao fato de um dos seus dois componentes ser o hidrogênio - o outro é o dióxido de carbono (CO₂), que pode ser capturado diretamente da atmosfera.

Atualmente, produzir hidrogênio verde (usando energia renovável) ainda está longe de ser barato, o que pressiona o preço final desses combustíveis. Ainda assim, há quem não jogue a “toalha no chão”.

Segundo a eFuel Alliance - da qual a Mazda faz parte -, esse cenário pode melhorar à medida que a produção ganhar escala.

Mas, para que os combustíveis sintéticos cheguem a uma escala industrial capaz de influenciar o preço de forma positiva - a planta da Porsche, por exemplo, é apenas uma “gota no oceano” diante da demanda global, mesmo quando operar na capacidade máxima de 550 milhões de litros por ano em 2026 -, será necessário que vários fatores evoluam.

Como exemplo, a eFuel Alliance afirma “não haver uma política de tributação baseada no CO₂ para os combustíveis que reconheça o papel dos eFuels para tornar o tráfego rodoviário neutro em carbono”.

Caso as condições de mercado e de produção sejam favoráveis, a eFuel Alliance desenha um cenário em que os combustíveis sintéticos poderiam começar a entrar em 2025, ainda misturados aos combustíveis convencionais. A parcela dessa mistura aumentaria gradualmente até 2050, quando os combustíveis sintéticos assumiriam, de forma definitiva, o lugar dos fósseis.

A mesma eFuel Alliance estima que, em 2025, o custo de produção de 1 litro de combustível sintético ficaria entre 1,61 €/l no cenário mais otimista e 1,99 €/l no mais pessimista, representando 4% do total da mistura com combustíveis convencionais.

Em 2050, com mais produção e custos de produção inferiores, a previsão avançada colocaria entre 0,70 €/l e os 1,33 €/l o custo dos combustíveis sintéticos.

E quanto custaria um litro de gasolina ou diesel?

Tudo indica que será difícil evitar uma alta no custo dos combustíveis nas próximas décadas, sejam eles sintéticos ou não.

Mesmo com a introdução gradual dos combustíveis sintéticos, misturando-os aos convencionais, a tendência de aumento de preço parece inevitável - e a eFuel Alliance só aponta uma queda mais adiante, por volta do meio do século.

Nesse cenário, a gasolina em 2025 ficaria entre 1,34 €/l e 1,36 €/l, enquanto o diesel estaria entre 1,21 €/l e 1,22 €/l. Esses valores subiriam de forma progressiva até 2040, chegando, respectivamente, a algo entre 1,59 €/l e 2,28 €/l, e entre 1,50 €/l e 2,19 €/l.

Apenas em 2050 - quando, nessa projeção, os combustíveis sintéticos passariam a ser os únicos disponíveis - é que apareceria uma redução de custo.

A gasolina ficaria entre 1,45 €/l e 2,24 €/l, enquanto o gasóleo teria um preço entre 1,38 €/l e 2,17 €/l.

Vale destacar que os preços citados já consideram os impostos e taxas atualmente em vigor na Alemanha, onde esse relatório foi originalmente elaborado pela UNITI - uma associação comercial alemã do setor de combustíveis e lubrificantes.

Considerando os impostos e taxas hoje aplicados em Portugal, esses números necessariamente teriam de ser mais altos.

Mais previsões

Além da projeção da eFuel Alliance, existem outras estimativas que também tentam antecipar o custo por litro dos combustíveis sintéticos.

Entre as mais otimistas está a da Bosch, que aponta um custo por litro no longo prazo entre 1,00 € e 1,40 €. Já entre as mais pessimistas estão as divulgadas pela ICCT (The International Council for Clean Transportation), que elevam a previsão para algo entre 3,00 €/l e 4,00 €/l.

Fonte: Forbes, eFuel Alliance


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