Anunciado originalmente em 2016 com estreia prevista para o começo de 2017 no (hoje extinto) programa Greenlight da Steam, seria perfeitamente compreensível concluir que Blazing Strike tinha sido cancelado. Só que, depois de anos ajustando a jogabilidade, procurando alternativas para financiar o desenvolvimento e passando por uma reformulação visual completa, o projeto finalmente está pronto para chegar em 2022. Testei uma versão recente e saí bem impressionado com a forma como o jogo presta uma homenagem carinhosa aos lutadores 2D com os quais cresci nos anos 1990.
Um desenvolvimento longo: do Greenlight à parceria com a Aksys Games
No fim de 2016, o estúdio RareBreed Makes Games adiou por tempo indeterminado a demo jogável planejada para a Steam. Após uma campanha de Kickstarter abandonada em 2019, o time transferiu os esforços de financiamento para o Patreon e decidiu refazer o visual, abandonando o 3D com sombreamento próprio em favor de pixel art 2D.
Em maio de 2021, a RareBreed Makes Games anunciou que havia fechado um contrato de publicação com a Aksys Games, editora bastante conhecida no cenário de jogos de luta por trabalhar com franquias como Guilty Gear, BlazBlue e Under Night In-Birth.
Blazing Strike e a mistura de referências com ideias atuais
O gênero de luta 2D segue firme e forte com séries como Mortal Kombat, Street Fighter e a já citada Guilty Gear, mas isso não impede a RareBreed Makes Games de mirar nos clássicos que marcaram época. Com sistemas inspirados em franquias como Marvel vs. Capcom, Street Fighter e The King of Fighters, Blazing Strike tem tudo para ser um retorno promissor ao passado.
Ao mesmo tempo, ele não se limita a ser uma soma de referências: a proposta é combinar mecânicas modernas e mais mobilidade dentro desse estilo 2D tradicional, criando algo com enorme potencial.
Uma das metas centrais do estúdio foi entregar um jogo fácil de começar a jogar, porém difícil de dominar por completo. Para isso, Blazing Strike adota combos de golpes fracos (normais) no estilo de Marvel vs. Capcom, permitindo iniciar sequências com mais facilidade apenas pressionando os botões de ataque fraco. O jogo também traz diferentes mecânicas de virada, incluindo o Critical Strike, que pode ser ativado quando sua vida entra em estado crítico, concedendo mais velocidade e novas janelas de combo.
Sistema Rush: mais mobilidade e novas opções de ataque
O título também quer dar ao jogador mais ferramentas de deslocamento, e faz isso por meio de uma de suas mecânicas principais: o sistema Rush. Esse conjunto de opções entra em ação quando o jogador segura o gatilho de Rush. Com o Rush ativo, é possível executar vários recursos, como habilidades de Rush exclusivas de cada personagem, combos de Rush que avançam para a frente, especiais de Rush semelhantes aos golpes EX de Street Fighter, além de aumento perceptível na velocidade de movimento e saltos mais altos.
Cenário, elenco e o que eu joguei desta versão
Blazing Strike se passa em um futuro distópico, no qual um grupo de resistência enfrenta um governo autocrático. A escalação de lutadores acompanha esse clima sombrio e futurista: são 14 personagens com estilos visuais e de jogabilidade bem distintos. Além desses 14 disponíveis de cara, o estúdio dá a entender que pode haver três chefes que talvez sejam - ou talvez não - jogáveis na versão final.
A versão que experimentei incluía apenas três dos 14 combatentes do jogo principal, mas já foi suficiente para mostrar a variedade que a RareBreed Makes Games busca no elenco. Shinsuke passa uma forte energia de Ryu, e eu gostei muito dos golpes potentes que o braço azul brilhante de Jake permite. Ainda assim, minha personagem preferida nessa demonstração foi a Pink Samurai. Além de ter o visual mais marcante entre as opções que pude jogar, sua espada garante um alcance maior (superado apenas por Ryohei, outro espadachim), e o conjunto de movimentos dela me agradou bastante.
Como muitos golpes especiais seguem as entradas clássicas do gênero - como quartos de círculo ou o comando trás-frente combinado com botões de ataque -, a memória muscular de décadas jogando Street Fighter se encaixa em Blazing Strike sem esforço. A jogabilidade é fluida e, como a equipe pretendia, dá para começar rápido: depois de pouco tempo no modo jogador contra CPU, eu já estava soltando especiais e acumulando vitórias contra a IA.
As mecânicas de Rush, ativadas ao segurar o gatilho, oferecem um ganho de velocidade bem evidente e foram decisivas em vários dos meus combos mais bem-sucedidos - que, vale admitir, também se beneficiaram bastante do sistema de combos de golpes fracos.
Modos, netcode e plataformas confirmadas
Embora eu só tenha passado um tempo no modo versus, a versão final deve incluir:
- modo história
- modo arcade
- modo treino
- IA persona
- partidas online com netcode rollback GGPO, que deve ajudar a oferecer a melhor experiência possível na internet, com o mínimo de atraso
No momento, Blazing Strike está previsto para chegar ao PlayStation 5, PlayStation 4, Switch e PC no 1º ou 2º trimestre de 2022.
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