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Este Kia Sportage 1.6 T-GDI com caixa manual faz pensar se precisamos de mais

SUV branco Kia Sportage 1.6 em exposição dentro de uma concessionária iluminada.

Este Kia Sportage 1.6 T-GDI “simples”, com caixa manual, faz a gente se perguntar se é mesmo necessário ter mais do que isso.


Bastam poucos quilômetros ao volante do Kia Sportage para notar que ele é um SUV com qualidades suficientes para agradar a muita gente.

Pelo que escuto com frequência, dá para perceber que vários consumidores ainda não estão exatamente “empolgados” com a eletrificação.

Entre os comentários mais comuns aparecem frases como “quero um carro simples e que não me dê dor de cabeça” ou “preciso de espaço para levar toda a tranqueira”. Quase nunca surge, de cara, a alternativa de um carro elétrico.

As razões variam. “No meu prédio não tem garagem”, por exemplo. No fim, a conversa quase sempre termina em um encolher de ombros e em alguma observação sobre preços. Sem rodeios, é isso que mais se aproxima da vida real.

Por tudo isso - e ainda guiando o Kia Sportage -, essa configuração começa a fazer cada vez mais sentido. Nesta versão de entrada (nível Drive), com motor a gasolina e câmbio manual, este SUV da Kia pode encaixar em muitas necessidades “de verdade” do mercado nacional.

Ousadia nas linhas do Kia Sportage

Se existe um campo em que as marcas sul-coreanas vêm tentando se diferenciar, é no design. Em muitos modelos recentes, elas apostam em traços pouco convencionais e em uma aparência que chama atenção de longe, goste-se ou não.

No Sportage, dá para identificar vários elementos inspirados no EV6, principalmente na parte traseira, onde as duas lanternas são conectadas por uma faixa vermelha. A dianteira também não passa despercebida.

As luzes de rodagem diurna em formato de bumerangue estão entre os pontos mais marcantes, chegando a roubar a cena dos faróis principais.

No fim das contas, é questão de gosto - e admito que minha impressão inicial não foi das melhores. Depois de alguns dias, porém, essas escolhas mais ousadas acabaram transmitindo uma imagem mais sofisticada e até bem atraente.

Primeiro contato com a cabine

Quando cheguei perto deste Kia Sportage pela primeira vez, ele já estava destravado, e eu fui direto procurar o botão de partida. Só que, nesta versão Drive, ele não existe. É preciso pegar a chave, colocá-la no cilindro da ignição e girar para dar partida. Bem à moda antiga.

Enquanto fazia os primeiros ajustes do banco, notei o painel de instrumentos desta configuração: apesar de digital, ele tem pouca (ou nenhuma) semelhança com o que aparece nas versões mais equipadas do Sportage.

Há até um computador de bordo no centro, mas o restante do display parece não ter recebido o mínimo de criatividade no projeto.

Em compensação, a central multimídia com tela sensível ao toque tem boa resolução e um visual mais atual. O que poderia melhorar é a lógica dos menus, que não é das mais intuitivas.

Dirigindo, a posição ao volante agrada e a visibilidade para a frente é boa. Já para trás, o campo de visão é limitado e poderia ser mais generoso.

Muito espaço atrás… para dois

Espaço interno não é problema no Kia Sportage, sobretudo no banco traseiro. Ainda assim, o cenário ideal é viajar com apenas duas pessoas ali atrás, porque o assento central está longe de ser confortável. O detalhe das portas USB-C na traseira dos bancos dianteiros é excelente.

Quem vai na segunda fila também pode ajustar a inclinação do encosto. Assim, dá para escolher entre uma posição mais propícia a uma soneca ou priorizar mais espaço no porta-malas.

E, já que estamos falando dele, atrás dos bancos há um volume perto dos 600 litros de capacidade, distribuídos em várias soluções de acomodação.

Nem falta a opção de guardar o tampão do porta-malas sob o piso quando ele não está em uso. E, a partir desse compartimento, também dá para rebater os encostos traseiros puxando apenas uma alavanca.

Motor volta a ser uma boa surpresa

Pelo porte do Kia Sportage, não seria de se esperar um desempenho tão agradável do conhecido 1.6 T-GDI de 150 cv, mas a verdade é que ele se saiu bem. Mesmo em estrada. De qualquer forma, a proposta aqui não é bater recordes entre o ponto A e o ponto B - ainda assim, este motor superou as expectativas no Sportage.

No consumo, o Sportage também leva vantagem por ser mais leve - em relação às versões híbridas -, ficando pouco acima dos 1500 kg, o que facilita a vida do motor.

Em algumas situações, chega a parecer que há mais do que 150 cv sob o capô, mas é preciso ter o pé leve para segurar as médias. Do contrário, dá para ver números próximos de nove litros.

Com um pouco mais de moderação, simulando um uso misto entre cidade e estrada, terminei o teste com 6,9 l/100 km. Os modos de condução (Eco, Normal e Sport) parecem apenas alterar como o sistema responde aos comandos do pedal da direita.

Quando a tocada fica mais animada, o Sportage faz questão de lembrar que é um SUV de família. A direção é precisa na medida certa, e a suspensão cumpre bem o que se espera. De início, ela parece mais macia do que seria o ideal, mas, quando exigida, reage e lida com as irregularidades do piso da melhor forma possível.

Degrau de entrada do Kia Sportage

A versão mais acessível do Kia Sportage traz o 1.6 T-GDI de 150 cv e é, também, a única ofertada com o nível de equipamentos Drive. Essa foi a solução adotada pelo importador da marca para manter o preço em interessantes 35 945 euros.

Ainda assim, por ser uma opção de entrada, não significa encontrar uma cabine “pelada” ou com falta de itens importantes. Estão presentes o sistema de navegação com tela tátil de 12,3”, várias portas USB, iluminação em LED e rodas de liga leve de 18″.

Sem opções disponíveis

O ponto negativo fica para quem até toparia pagar um pouco mais para deixar o Kia Sportage do próprio jeito. Senti falta do acesso sem chave e do botão de ligar e desligar o motor, em vez de ter que inserir a chave no cilindro.

Um carregador sem fio para o celular sempre ajuda, assim como Apple CarPlay ou Android Auto sem precisar de cabo. Por fim, o sistema de abertura e fechamento da tampa do porta-malas também deveria ser elétrico em todas as versões. Até porque pessoas de menor estatura podem não alcançar a alça quando for preciso fechar.

Nenhum dos equipamentos que citei está disponível, nem mesmo como opcional. Para ter isso, é necessário partir para a versão GT Line, que já vem com um motor mais forte (180 cv) e um sistema mild-hybrid, além de ser oferecida apenas com câmbio automático.

Com isso, o preço de entrada do Kia Sportage sobe para perto dos 43 mil euros.

Mesmo assim, no Drive você ainda pode escolher a cor Yuka Steel Grey para a carroceria, causando inveja em quem pegou a versão mais completa, na qual essa opção não é oferecida.

Veredito

Especificações técnicas

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