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Incêndios em navios Ro-Ro e o risco das baterias de íons de lítio após Felicity Ace e Fremantle Highway

Bombeiro caminhando em garagem rumo a carro preto com o capô em chamas e fumaça saindo.

Os incêndios que atingiram o Felicity Ace no ano passado e, agora, o Fremantle Highway voltaram a colocar o transporte marítimo no noticiário - desta vez, pelos piores motivos.

Incêndios no transporte marítimo: casos recentes

De acordo com a seguradora Allianz, em 2022 foram comunicados 209 incêndios a bordo de navios, o maior total da última década (um aumento de 17% em relação a 2021).

Dados da Allianz e incidência em navios Ro-Ro

Dentro desses 209 casos, ainda assim, somente 13 aconteceram em navios Ro-Ro (roll-on/roll-off), que são usados para transportar automóveis.

Mesmo com a participação menor no total, nos incêndios envolvendo navios Ro-Ro o ponto mais sensível continua ligado às baterias. Segundo a European Maritime Safety Agency, “uma grande parte dos incêndios incluíam baterias de iões de lítio”.

Baterias de íons de lítio e o “descontrole térmico” (Thermal Runaway)

O problema desse tipo de ocorrência é que “não se consegue extinguir com água, nem através da privação de oxigénio”, como explicou Nathan Habers, porta-voz da Associação Real dos Armadores Holandeses (KVNR).

Quando uma célula de uma bateria de íons de lítio apresenta defeito, ela pode superaquecer e chegar a um ponto de ruptura. A partir daí, ocorre um efeito dominó: as demais células tendem a superaquecer também, até que o conjunto entra em combustão.

O cenário se agrava porque o aumento de temperatura que desencadeia essa reação química - conhecido como Thermal Runaway, ou “descontrolo térmico” - provoca um novo salto de temperatura, de forma exponencial.

“Os sistemas de extinção de incêndios destes navios de transporte de automóveis não foram concebidos para este tipo de incêndios”, revelou Douglas Dillon, diretor executivo da Tri-state Maritime Safety Association, à Automotive News Europe. Ainda assim, ele ressalta que “as empresas de transporte marítimo estão a esforçar-se para recuperar este atraso”.

O que pode ser feito?

Para maximizar a quantidade de veículos transportados, os navios Ro-Ro operam com pouco espaço livre. Na prática, isso faz com que os carros fiquem estacionados muito próximos. Douglas Dillon afirma que “não há forma de um bombeiro com equipamento de proteção chegar ao local do incêndio”.

Falando sobre caminhos para reforçar a segurança a bordo, John Frazee, diretor executivo da corretora de seguros Marsh, diz que há diferentes alternativas em análise.

Entre as possibilidades estão “novos produtos químicos para apagar chamas, cobertores específicos para veículos elétricos, mangueiras capazes de perfurar as baterias e até propostas para cortar os próprios veículos”. Mesmo assim, Frazee faz uma ressalva: “não vejo uma solução rápida”.

Um porta-voz da Organização Marítima Internacional disse à Reuters que novas medidas para navios que transportam automóveis elétricos estão em avaliação.

Essas mudanças podem trazer exigências para sistemas de combate a incêndio e até regras sobre o nível de carga permitido na bateria - ponto citado como decisivo para a inflamabilidade.

“Já há muita comunicação em curso sobre este assunto”, diz Nathan Habers, da KVNR, “mas com este incidente (Fremantle Highway) torna-se evidente que podemos precisar de acelerar o processo, especialmente quando se considera que o número deste tipo de carros só vai aumentar”.

Fremantle Highway: atualização sobre os veículos elétricos

No caso do Fremantle Highway, que pegou fogo na semana passada, as informações mais recentes indicam que, dos 3783 automóveis a bordo, 498 eram elétricos - e não 25, como havia sido divulgado inicialmente.

Fonte: Automotive News Europe

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