O e-308 é a primeira “cartada” da Peugeot no segmento C elétrico. Será que virou trunfo?
O Peugeot e-308 marca a estreia da marca no segmento C 100% elétrico, faixa que concentra 70% das vendas de carros elétricos em Portugal.
Já à venda no mercado português, o e-308 vai abrir caminho para mais quatro modelos totalmente elétricos no segmento C nos próximos meses: o e-308 SW (perua) em dezembro; tanto o e-408 quanto o e-3008 no primeiro trimestre de 2024; e, por último, o e-5008 mais perto do fim do próximo ano.
A agenda da marca do leão promete ser intensa, mas o pontapé inicial acontece agora com o e-308 - que já tivemos a chance de dirigir em estradas portuguesas. Assista ao vídeo:
Como se distingue este e-308 de um 308 térmico?
Por fora, não fossem as rodas aerodinâmicas de 18” (criadas especificamente para as versões elétricas) e o “E” na tampa do porta-malas, seria praticamente impossível separar o e-308 do 308 a combustão.
Todo o restante foi mantido, incluindo a grade dianteira, mesmo sem a necessidade de resfriar um motor elétrico que agora “mora” sob o capô.
Ainda assim, como explicaram os responsáveis da Peugeot durante a apresentação recente do modelo em Tarragona (Espanha), tanto a grade quanto a parte inferior da carroceria receberam ajustes para melhorar o fluxo de ar e, com isso, favorecer a aerodinâmica.
E no interior?
Assim como do lado de fora, a cabine mudou muito pouco. As diferenças ficam por conta de alguns menus próprios no display central, voltados ao sistema elétrico, e de um acabamento exclusivo nos bancos que combina couro sintético, tecido e microfibra, além de novos grafismos em azul e verde néon.
Nas versões GT, o destaque é o pacote de série com bancos revestidos de Alcântara e costuras em verde néon nos bancos, tapetes e painel.
No mais, tudo segue exatamente como já conhecíamos - e o modelo continua exibindo um dos interiores mais interessantes do segmento.
Vale notar a geração mais recente do i-Cockpit, que reúne um volante compacto com o painel de instrumentos digital posicionado acima dele, a central multimídia de 10” e os i-Toggles. São seis botões digitais totalmente configuráveis, garantindo acesso rápido a seis funções-chave.
Se você quiser ver a cabine do novo e-308 em detalhes - incluindo o espaço no banco traseiro e o volume do porta-malas - assista ao vídeo em destaque (acima).
O 308 de sempre, agora elétrico
Baseado na mesma plataforma das versões a combustão, o Peugeot e-308 se diferencia pelo conjunto elétrico: um motor de 115 kW (156 cv) e 260 Nm, além de uma bateria de 54 kWh (50,8 kWh úteis).
É energia suficiente para rodar até 412 km com uma carga (ciclo combinado WLTP), embora esse valor possa variar conforme o nível de equipamento e as rodas escolhidas.
Pode até não soar como muita potência para um carro que agora encosta em 1,7 tonelada (1684 kg), mas não senti falta de mais. Especialmente considerando o tipo de uso esperado para um familiar desse segmento.
É verdade que, ao olhar para os 9,8s no sprint de 0 a 100 km/h, fica claro que o e-308 não apenas é um pouco mais lento que o Peugeot 308 1.2 PureTech de 130 cv (gasolina), como também perde para vários rivais. Ainda assim, no “mundo real”, isso não me pareceu um limitador.
Seja costurando no trânsito ou numa ultrapassagem, o Peugeot e-308 reage de forma imediata ao que se pede. Só não espere aquelas arrancadas que colam o corpo no banco - se essa é a prioridade, talvez valha procurar outra proposta.
Algo que me agradou bastante foi a Peugeot não ter endurecido demais a suspensão para compensar o peso extra: são 350 kg de diferença entre o e-308 e o 308 1.2 PureTech de 130 cv.
Nesse ponto, o e-308 segue como um conjunto bem acertado. É confortável, com a suspensão absorvendo bem as imperfeições do asfalto, e também mostra competência dinâmica. A carroceria não inclina em excesso nas curvas e, por exemplo, não dá para sentir o eixo dianteiro “mergulhando” demais nas frenagens.
Consumos são trunfo importante
No entanto, o que mais me surpreendeu nesse primeiro contato com o novo Peugeot e-308 foi o consumo. Consegui médias de 15,3 kWh/100 km e, na cidade, rodei por volta de 13 kWh/100 km - um resultado abaixo do número divulgado pela marca do leão.
E isso leva a uma dúvida importante: dá mesmo para passar de 400 km com uma carga? Sim, desde que você “esqueça” de usar rodovia com frequência.
Num uso misto, mas mais voltado ao ambiente urbano, não tenho dúvida de que dá para chegar lá. Porém, se o seu dia a dia envolve muitos quilômetros de rodovia, a expectativa deve cair para algo em torno de 300-320 km.
A que velocidade pode ser carregado?
Quando a bateria chega ao fim, é bom saber que o Peugeot e-308 aceita carregamento de até 100 kW em corrente contínua (DC), o que permite ir de 20% a 80% em menos de 25 minutos.
Além disso, o Peugeot e-308 traz de série um carregador de bordo trifásico, capaz de carregar a até 11 kW em corrente alternada (AC). Nessa potência, uma carga completa leva cinco horas.
Quanto custa?
O novo Peugeot e-308 já pode ser comprado em Portugal, com preços a partir de 42 200 euros na versão Allure e de 44 100 euros na configuração GT.
Sim, está longe de ser a opção mais barata: custa mais do que grande parte dos rivais e, em muitos casos, eles ainda superam o e-308 em potência e autonomia. Mesmo assim, seu posicionamento está em linha com o Renault Mégane E-Tech Electric de 130 cv e bateria de 60 kW.
Em dezembro, chega o e-308 SW, que vai custar mais 1000 euros do que o Peugeot e-308 equivalente.
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