Verdade seja dita: se existe hoje um modelo que chega mais perto do espírito utilitário e pronto «para todo o serviço» da lendária Renault 4L - que já soprou mais de 60 velas -, esse modelo é o Dacia Duster.
E isso tem muito pouco de coincidência. Como mostram as imagens, antes de se transformar no Dacia Duster que conhecemos e admiramos, o projeto H79 quase parecia destinado a assumir o papel de sucessor da icônica 4L.
Dacia Duster e o espírito da Renault 4L
Em sua fase inicial, o projeto H79 não era pensado como um Duster, e sim como um SUV compacto da Renault. O foco estaria, sobretudo, nos mercados sul-americano e russo, com chances bem pequenas de o modelo chegar à Europa.
Naquele período (2005-2010), a “nova” Dacia - comprada pela Renault em 1999 - já colhia resultados importantes graças à ótima recepção do Logan, lançado em 2004, e depois com a chegada do Sandero, em 2008.
Do projeto H79 ao Dacia Duster
A base dessa Dacia renascida era a plataforma B0 (que, mais tarde, sustentaria duas gerações de modelos da marca romena). Foi exatamente essa mesma plataforma que a Renault escolheu para o projeto H79, por oferecer uma relação custo-benefício mais adequada aos mercados planejados.
Considerando o perfil rústico, porém resistente, que marcaria o futuro SUV, era quase inevitável que a lendária Renault 4L entrasse como referência - afinal, ela também havia sido criada com premissas muito parecidas.
Elementos de design que lembravam a 4L
Mesmo sem ser uma proposta assumidamente retro, é difícil não notar o parentesco visual de vários trechos do projeto H79 com a emblemática 4L.
A lembrança da 4L fica ainda mais evidente nas extremidades desses modelos digitais e em escala real, especialmente no desenho do conjunto grade/faróis e também, de forma mais sutil, nas lanternas traseiras com padrões circulares. Vale observar ainda o contorno da área envidraçada entre as colunas C e D, que parece “inverter” o trapézio da 4L original.
Da Renault à Dacia: mudança de rumo e sucesso
Apesar do interesse que uma 4L para o século XXI poderia despertar, o projeto H79 acabou sendo repassado para a Dacia.
Foi uma escolha que abriu portas para mais mercados, incluindo a Europa, onde a proposta de «low cost» do modelo combinava muito melhor com a marca romena do que com a Renault.
Com essa passagem de bastão, o projeto H87 se distanciou visualmente da sua «musa» 4L, embora a silhueta do carro tenha sido mantida. As diferenças mais marcantes em relação ao conceito inicial voltaram a aparecer, principalmente, na definição das extremidades. Assim, em 2010, o mundo conhecia o Dacia Duster.
O SUV se destacou pelo preço agressivo e por um jeito um tanto rústico, mas robusto - bem ao estilo da 4L - e virou um caso sério de sucesso que continua até hoje: mais de 2,2 milhões de unidades vendidas até o fim da segunda geração.
Na segunda geração, o modelo ganhou um pouco mais de sofisticação em visual e equipamentos, mas manteve a resistência e o preço acessível. Já a terceira geração, apresentada no fim de 2023, eleva de forma considerável o conteúdo tecnológico e também marca a estreia do primeiro Duster com motorização híbrida.
Como curiosidade, o Duster chegou mesmo a ser vendido na América do Sul e na Rússia como um Renault.
Renault 4L, o regresso
O retorno do Renault 4, ou 4L, também já tem data definida: 2025. No entanto, como aconteceu com outros modelos clássicos que voltaram, a futura 4L terá uma proposta com um objetivo diferente do original.
Se o visual vai remeter à 4L que conhecemos, a missão será outra: mais centrada em estilo e imagem, bem mais sofisticada e «civilizado». Além disso, será exclusivamente elétrica, distante das premissas que transformaram a original em lenda no mundo automotivo - mas os tempos também são outros.
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