O Mercedes-Benz Classe A segue firme no “campo de batalha” dos compactos familiares, ajudando a puxar algumas tendências do mercado.
Mesmo tendo passado por uma atualização recente - com retoques visuais e mais itens de série -, a idade do projeto faz com que o desenho não cause impacto imediato. Ainda assim, é um carro bem conhecido e fácil de reconhecer nas ruas.
Já a unidade do teste tinha motivos de sobra para chamar atenção: o pacote AMG Premium Plus, as rodas de 19″ e a pintura fosca da carroceria fizeram com que este Mercedes-Benz A 250 e não passasse despercebido. E isso valia até quando ele rodava em silêncio, com o motor a combustão desligado.
Visual retocado
Por dentro, seguindo a mesma linha do exterior, o Classe A não traz mudanças marcantes em relação ao A 250 e que testamos há quase três anos. O painel de instrumentos continua 100% digital e com várias opções de personalização.
Ao lado dele, a tela do sistema MBUX permanece alinhada ao painel de instrumentos, compondo um conjunto único. O painel mantém as saídas de ar circulares, bem características, e grande parte dos comandos segue igual ao que já vimos tanto no próprio Classe A quanto em outros Mercedes-Benz.
A posição ao volante continua excelente. Em espaço, a cabine não dita referência na categoria, mas também não frustra. O ponto menos empolgante é o porta-malas: os 310 litros poderiam ser um pouco mais generosos.
Eficiência híbrida
Se existe um trunfo que pode colocar este Mercedes-Benz Classe A 250 e em vantagem, ele está na experiência de condução - e por mais de um motivo. Antes mesmo de sair, a ergonomia ajuda graças à ótima posição ao dirigir; na prática, aparecem algumas surpresas (positivas).
O “e” minúsculo no fim do nome entrega o que há aqui: um sistema híbrido que, neste caso, é plug-in. Em outras palavras, dá para carregar a bateria do conjunto na rede elétrica, inclusive em uma tomada doméstica.
Se você acha que essa configuração já existia, está certo - mas agora ficou melhor. O motor a gasolina segue o mesmo: um 1,3 l de quatro cilindros com 163 cv. As novidades aparecem do lado elétrico.
Para começar, o motor elétrico ficou mais forte (80 kW ou 109 cv) e a bateria foi atualizada. Embora mantenha 15,6 kWh de capacidade, ela agora aceita recarga em corrente contínua (DC) a 22 kW, além dos tradicionais 11 kW em corrente alternada (AC). A autonomia declarada no modo 100% elétrico pode chegar a 76 km (+4 km que antes).
Em modo 100% elétrico
No começo do teste, o “nosso” Mercedes-Benz A 250 e mostrava 73 km de autonomia no modo elétrico (carga a 100%). Eu não fui exatamente com “pé leve”: nos primeiros quilômetros, resolvi explorar o lado dinâmico, até por conta dos elementos com assinatura AMG.
Ainda assim, só depois de mais de 60 km começaram a aparecer aquelas mensagens um tanto “insultuosas” no painel, lembrando que o A 250 e ainda não tinha sido conectado a nenhuma tomada.
Até ali, o consumo médio registrado foi de 18,5 kWh/100 km - sem gastar uma gota de gasolina.
Quando a bateria zera, naturalmente o motor a combustão precisa entrar em cena. Mesmo sendo um cenário longe do ideal em eficiência - nessa condição anotei 7,2 l/100 km -, ele acabou servindo para mostrar como o conjunto trabalha.
Mesmo com a bateria em “zero”, o Classe A não hesita em desligar o motor a combustão, aproveitando a energia recuperada nas desacelerações e frenagens.
Hora de recarregar e encarar outro dia da rotina casa-trabalho-casa, com trânsito pesado, alguns desvios inevitáveis e, no fim, pouco mais de 50 km rodados. Nessa situação, o motor a combustão poderia ter ficado em casa: não foi usado nenhuma vez ao longo do dia.
De todo modo, quando a necessidade aparece, é reconfortante saber que existe uma espécie de “plano B” no Mercedes-Benz A 250 e.
Dinâmica muito apurada
O carro testado vinha com vários itens AMG. Por isso, depois de deixar todo mundo em casa, usei aquela desculpa clássica - “vou só ali comprar pão, já volto” - para esticar o caminho e dar uma volta maior com este híbrido plug-in.
A suspensão mais firme, que baixa um pouco a carroceria, as rodas de liga leve de 19” e uma direção mais precisa fazem com que “aquela” estrada preferida ganhe sempre um tempero extra.
Com esse acerto, os movimentos da carroceria ficam bem contidos e previsíveis, mesmo quando forçamos a margem de atuação dos sistemas de segurança ativa.
Ainda assim, a “missão” deste A 250 e não é ser um devorador de curvas. Para isso, existem alternativas na linha ainda mais eficientes e… bem mais potentes. Mesmo assim, foi uma ótima surpresa.
Preço demasiado «exclusivo»
A brincadeira de configurar um Mercedes-Benz Classe A 250 e começa em 44 850 euros. Só que, somando o pacote AMG Premium Plus (13 450€), a pintura magno Manufaktur Cinza Mountain (2700 €) e as rodas AMG de 19” (950 €) - que também exigem o Pack Night (600 €) -, já estamos falando de um Classe A por mais de 62 500 euros. E ainda faltam alguns opcionais.
Quase 18 mil euros em itens opcionais mudam completamente o A 250 e, deixando-o melhor em vários pontos. Por outro lado, é um aumento “pesado”, na casa de 40% sobre o valor de entrada. Claro que dá para não marcar todos esses extras.
Com mais de 60 mil euros, já dá para olhar modelos de categorias acima - ainda que, muito provavelmente, sem uma lista de equipamentos tão completa.
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