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Novo Citroën C3 Aircross: simplicidade na medida certa, com preço como cereja do bolo

Carro Citroën C3 Aircross verde em exposição dentro de showroom moderno e iluminado.

O novo Citroën C3 Aircross entrega uma simplicidade na medida certa. E o preço é a “cereja do bolo”.


Tem gente que diz que, em alguns momentos, menos realmente é mais. Este Citroën C3 Aircross com a motorização de entrada é um bom exemplo disso.

Num período em que os carros ficam cada vez mais complexos, os dias que passei ao volante deste SUV francês me fizeram esquecer a complicação de certas propostas. E, longe de ser um problema, essa pode ser uma das maiores qualidades dele.

Ele entregou exatamente o que eu esperava: é confortável, (muito) espaçoso e não vem carregado de tecnologia em excesso - algo que, em alguns casos, atrapalha mais a condução do que ajuda. Aqui, no C3 Aircross, tudo parece estar no ponto certo.

Como você vai ver nas próximas linhas, atributos não faltam, e o preço talvez seja o argumento mais forte. Isso me faz pensar na receita que os engenheiros da Stellantis encontraram para colocar bastante equipamento num carro que custa pouco.

Em Portugal, ele é oferecido a partir de 19 290 euros. O C3 Aircross disputa diretamente com o Dacia Duster e promete dar trabalho, entregando, assim como o rival romeno, muito por pouco.

Um C3 mais aventureiro

Por fora, a sensação inicial é de solidez. Embora esteja no segmento B-SUV, o Citroën C3 Aircross tem uma carroceria com dimensões generosas e boa altura do solo (19 cm), o que reforça a aparência de SUV com espírito aventureiro.

Somam-se a isso os para-lamas bem marcados, as barras no teto e a pintura em dois tons - que, na unidade que testei, acaba pecando por “esconder” as linhas mais musculosas do modelo. Essas linhas aparecem bem mais no vermelho do carro que o André Mendes teve a chance de testar alguns meses atrás:

Espaço “à grande e à francesa”

Me perdoe o trocadilho, mas, se a expressão “à grande e à francesa” virasse um carro, o Citroën C3 Aircross seria um candidato forte. Sem luxo nem ostentação, é claro - mas com espaço de sobra.

E é justamente no espaço que este modelo se destaca de forma especial. Basta notar que o C3 Aircross é 38 cm (!) mais comprido do que o “irmão” C3, o que se traduz em mais área para quem vai atrás e, melhor ainda, em um dos maiores porta-malas da categoria: 460 litros, ou seja, 112 litros a mais que o Dacia Duster.

E, se isso já impressiona, vale saber que, opcionalmente e por mais 700 euros, dá para ter sete lugares - uma configuração que faz dele o menor SUV de sete lugares à venda, algo que nem o Dacia Duster consegue oferecer.

Já por dentro, o C3 Aircross mantém essa impressão de robustez, mas tempera tudo com uma simplicidade que aparece principalmente na parte dianteira. Isso acontece pela ausência do painel de instrumentos tradicional atrás do volante e também por não seguir a “enxurrada” de telas que virou moda nos modelos mais recentes.

No lugar disso, o SUV francês traz um head-up display que projeta as informações essenciais para dirigir. Felizmente, ao contrário da versão 100% elétrica testada pelo André Mendes, aqui dá para ver os consumos médio e instantâneo.

Mas, como diz o ditado, “não existe rosa sem espinho”: falta um conta-giros. Não chega a ser um grande problema, mas faria falta, ainda mais por estarmos diante de uma motorização com câmbio manual - será simplicidade ou… redução de custos?

Também há uma tela central de 10,25″ - item de série a partir da versão intermediária “Plus” - que, apesar de bem simples, melhora a experiência a bordo e é compatível com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, provavelmente o recurso que a maioria das pessoas vai usar no dia a dia.

Quanto aos bancos dianteiros e traseiros, não tenho do que reclamar. Os Citroën Advanced Comfort Seats chamam atenção principalmente pelo alto nível de conforto e pelo apoio adequado que oferecem.

Nos materiais, há uma combinação de tecido com plástico rígido, presente em vários pontos, como nos painéis das portas. Ainda assim, ponto positivo para a montagem, que parece sólida e sem ruídos parasitas.

100 cv e câmbio manual: precisa de mais?

Os carros 100% elétricos acabaram “democratizando” a potência. Com poucas exceções, o novo normal virou algo em torno de 150 cv ou mais, sem nem entrar no assunto dos esportivos.

Com esse contexto, confesso que fiquei com receio de os 100 cv e 205 Nm de torque deste 1.2 Turbo parecerem “pouco” para a carroceria que ele precisa movimentar - afinal, estamos falando do motor menos potente da gama.

Mas eu estava errado. Combinado a um câmbio manual de seis marchas bem leve - ótimo para rodar na cidade -, o 1.2 Turbo deu conta do recado com folga, unindo a boa disposição típica de um motor turbinado à eficiência dos propulsores modernos.

E, já que o assunto é eficiência, o consumo também não decepcionou. Depois de mais de 400 km rodados, devolvi o C3 Aircross com o computador de bordo marcando 6,2 l/100 km - apenas 0,2 l/100 km acima do número divulgado pela Citroën.

Em um ritmo mais forte, como era de se esperar, o C3 Aircross fica um pouco como um “peixe fora d’água”. A direção é leve demais e transmite pouca informação. Características que, para um carro com esta proposta, têm pouca relevância.

Já a suspensão com batentes hidráulicos progressivos, como é tradição na Citroën, deixa claro que a prioridade é o conforto, e não a dinâmica. Somada aos bancos com espuma mais espessa, não sobra dúvida de que o conforto continua no topo das prioridades da marca francesa. E ainda bem.

Melhor relação qualidade/preço?

Independentemente da versão ou do motor escolhido, existe uma palavra que define a proposta: racionalidade. Em qualquer configuração, o Citroën C3 Aircross aparece como uma das melhores relações custo-benefício do segmento, com preços a partir de 19 290 euros na versão de entrada You.

Mesmo assim, reconheço que o sweet spot da linha é justamente a versão que eu testei (Plus), com o motor 1.2 Turbo de 100 cv. Não tem excesso de equipamentos, mas também não deixa a desejar no que se espera.

Ela traz exatamente o que considero essencial para a rotina: sensores e câmera de ré, ar-condicionado automático, tela central de 10,25″ com conectividade com o smartphone, vidros escurecidos e os “obrigatórios” Advanced Comfort Seats da Citroën.

Sem ser o mais avançado em tecnologia ou o mais empolgante em motorizações, ele nunca deixou de atender às exigências do dia a dia. E fez isso de um jeito honesto, sem tentar parecer algo que não é.

Ainda assim, se o seu orçamento permitir, escolher a versão híbrida leve (mild-hybrid) pode ajudar no consumo. Nesse caso, o motor 1.2 Turbo fica dedicado apenas à locomoção do C3 Aircross, enquanto o restante passa a ser alimentado por um sistema elétrico paralelo. No fim, é uma decisão de gosto, prioridades e orçamento.

Veredito

Especificações técnicas

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