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AI2 e o futuro da ciência e da inovação em Portugal

Jovem usando laptop em varanda com vista para cidade, trabalhando em projeto digital de arquitetura.

Entre a Queima das Fitas e a dúvida sobre o amanhã

Entre a euforia da Queima das Fitas do Porto e o entusiasmo contagiante que se espalha pela cidade, o encerramento de um ciclo acadêmico traz, quase inevitavelmente, a mesma questão: em Portugal, existe espaço para converter conhecimento e talento em futuro?

AI2: ponte entre ciência, inovação e economia

É nesse cenário - atravessado pela expectativa de uma nova geração e por desafios antigos da ciência e da inovação no país - que a nova Agência para Pesquisa e Inovação (AI2) começou a atuar.

A tarefa da AI2 é fácil de resumir, mas complexa de executar: aproximar ciência, inovação e economia. A meta de aplicar 3% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento é uma ambição recorrente, porém a ciência portuguesa tem ficado amarrada a uma estrutura pesada, pouco eficiente e incapaz de oferecer estabilidade a quem faz pesquisa.

O retrato de Portugal no Painel Europeu de Inovação

Por isso, o surgimento da AI2 aparece como um sinal de esperança. Portugal forma gente qualificada, mas costuma ter dificuldade para transformar esse potencial em riqueza. O Painel Europeu de Inovação volta a posicionar o país abaixo da média europeia, apontando fragilidades no investimento em inovação, no capital de risco e nas exportações de produtos e serviços intensivos em conhecimento.

Do conhecimento ao valor: patentes, serviços e empresas

Não basta que as instituições de Ensino Superior transmitam conhecimento ou atraiam financiamento público. É necessário gerar valor: patentes que de fato cheguem ao mercado, serviços altamente qualificados, startups e empresas em expansão capazes de converter ideias em negócios competitivos. A ciência não pode ficar restrita ao exercício acadêmico; precisa funcionar como motor da economia.

Inovação e futuro além do retorno econômico

Ainda assim, conhecimento não se reduz à utilidade econômica. Artes, arquitetura, música e reflexão humanística também compõem a capacidade de um país de imaginar o futuro. Quando uma sociedade abre mão dessas dimensões, ela empobrece - mesmo que seus indicadores melhorem.

Se os estudantes que hoje celebram o fim de um ciclo acadêmico encontrarem, daqui a alguns anos, um país que saiba valorizar o talento deles, talvez a AI2 tenha realizado sua missão. Que fique a esperança!

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