O chefe de vendas da Dacia, Xavier Martinet, foi direto ao ser perguntado sobre a eletrificação (híbrida ou 100% elétrica) do Sandero, hoje o carro mais popular da marca: isso só deve entrar no plano quando os clientes realmente passarem a exigir.
Para lembrar o peso do modelo, o Sandero terminou o ano passado como o segundo automóvel mais vendido da Europa e segue entre os favoritos do público particular. Em Portugal, em 2023, foram 4012 unidades emplacadas - em um ano recorde para a marca no país.
Dacia Sandero: sucesso de vendas e foco no bolso
Segundo Martinet, o ponto central não é se a Dacia conseguiria lançar versões eletrificadas do Sandero, e sim se o consumidor está disposto a pagar a mais por esse tipo de motorização num carro cuja proposta é ser acessível.
Eletrificado? Por enquanto, não
Hoje, o Dacia Sandero é oferecido apenas com motores a combustão - gasolina e GLP - e nem mesmo conta com a forma mais leve de eletrificação, o híbrido-leve (mild-hybrid). A tendência é que continue assim até que essa mudança faça sentido (seja por viabilidade, seja por pressão do mercado), como Martinet disse em entrevista à Autocar.
“Se podemos ter um Sandero híbrido? Sim, podemos, disso não há dúvidas. Mas de uma perspectiva técnica a questão que se põe é: será que os clientes querem pagar muitos milhares de euros para comprar um híbrido? A resposta hoje em dia é: nem por isso.”
Xavier Martinet, chefe de vendas da Dacia
Plataforma CMF-B e motorizações que poderiam existir
Como contexto, o Sandero usa a mesma plataforma CMF-B do Renault Clio, que já tem uma alternativa híbrida. Na prática, isso abre espaço para a Dacia adotar outras configurações no Sandero - como diesel e híbridos - do mesmo jeito que a marca faz com o Jogger e com o novo Duster.
Custo adicional e risco para a posição do Sandero
Mesmo assim, Martinet argumenta que colocar essas opções no Sandero poderia colocar em risco a posição do modelo no mercado, justamente por elevar o custo do projeto e, no fim, o preço cobrado do cliente.
“Se apostarmos tudo nessa diversidade, vai haver um custo associado e no final quem paga esse custo são os clientes”, afirma o executivo.
“Ao não termos opções eletrificadas reduzimos o investimento, e quem é que beneficia disso? O cliente. Tomar as decisões é a parte mais difícil do trabalho, mas eu acho que isso mostra que a Dacia é uma das poucas marcas na Europa que consegue fazer escolhas arrojadas.”
Xavier Martinet, chefe de vendas da Dacia
Eletrificação na próxima geração?
O cenário pode mudar na próxima geração do modelo, esperada para 2027-2028. A previsão é que o carro passe a ter versões parcial ou totalmente eletrificadas, com uma abordagem mais centrada no preço do que em autonomia ou velocidade de recarga.
“Deverá haver algum tipo de oferta eletrificada no carro no futuro. Mas mais uma vez, vamos esperar para ver.”
Xavier Martinet, chefe de vendas da Dacia
Recentemente, a Dacia também apresentou a nova geração do Dacia Spring, 100% elétrico. As encomendas devem ser abertas na primavera de 2024, e o modelo já está no espaço da marca no Salão de Genebra.
Fonte: Autocar
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