A Comissão Europeia (CE), braço executivo da União Europeia (UE), disse já ter “elementos de prova suficientes que indiciam” que os carros elétricos importados da China recebem subvenções do governo chinês - o que lhes daria uma vantagem competitiva frente aos elétricos produzidos na Europa.
Subvenções em análise nos carros elétricos chineses
Segundo o documento divulgado pela CE na última terça-feira (5 de março), essas subvenções incluem:
- transferências diretas de fundos,
- potenciais transferências diretas de fundos ou de passivos,
- receita pública não cobrada, e
- fornecimento público de bens ou serviços abaixo do valor de mercado.
A apuração segue a linha de outras investigações semelhantes em diferentes setores, como o de bicicletas elétricas e o de cabos de fibra óptica, em que a UE identificou margens de subsídios entre 4% e 17%.
E agora?
A investigação da CE continua em andamento e tem conclusão prevista para novembro deste ano, mas medidas práticas devem começar em breve. Uma das primeiras iniciativas será “sujeitar a registo as importações” de automóveis elétricos vindos da China já a partir de amanhã (7 de março).
Esse registro abre caminho para um novo pacote de tarifas, que pode ser aplicado já no próximo mês de julho. Caso isso ocorra, os elétricos importados da China e registrados pela CE até lá poderão sofrer taxação retroativa.
A CE também afirma que “os elementos de prova revelam igualmente circunstâncias críticas, sob a forma de importações maciças num período relativamente curto”, desde o início da investigação, em outubro de 2023.
Dados reunidos pela CE apontam que as importações de carros elétricos chineses subiram cerca de 14% - de 155 873 unidades para 177 839 unidades - entre outubro de 2023 e janeiro de 2024, na comparação com o período equivalente.
Câmara de Comércio da China reage
Como destacou o Automotive News Europe, a Câmara de Comércio da China já se posicionou sobre a medida, dizendo estar desapontada e alegando que a alta nas importações apenas acompanhou o crescimento da demanda europeia por veículos elétricos.
Apesar do cenário, algumas montadoras chinesas seguem focadas em ampliar as vendas na Europa. No caso da BYD, por exemplo, o plano passa pela construção de uma nova fábrica em território europeu, para elevar os volumes e contornar as novas tarifas de importação.
Impacto potencial para montadoras na Europa
As consequências da investigação, no entanto, podem ir além das marcas chinesas. Há montadoras europeias que importam modelos fabricados na China (BMW, Stellantis, etc.), além da norte-americana Tesla, que traz para a Europa, a partir da China, o Model 3.
Fonte: Automotive News Europe, Comissão Europeia
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