Pular para o conteúdo

Os 10 automóveis mais caros leiloados no Monterey Car Week

Carro esportivo conversível clássico vermelho exposto em showroom moderno com piso marmorizado.

O Monterey Car Week, que acontece todos os anos na Califórnia (EUA), é um daqueles eventos que os colecionadores de carros aguardam com ansiedade - seja para colocar uma nova peça na garagem, seja para negociar e se desfazer de algum “tesouro” do acervo.

O encontro segue como um dos palcos mais tradicionais - e também mais caros - para que automóveis icônicos, históricos e até extremamente elegantes do mundo mudem de mãos. E, em 2025, isso novamente se confirmou.

Mesmo com alguns resultados abaixo do esperado nesta edição (a ponto de certos lotes voltarem para a mesma garagem de onde saíram), o saldo ainda contou com vendas milionárias.

Ao olhar para os diversos leilões realizados durante o Monterey Car Week, a marca de Maranello se destaca: sete Ferrari aparecem entre os 10 carros mais caros. Para completar a lista, entram um Alfa Romeo, um Ford e um Porsche.

Somados, apenas esses 10 automóveis chegaram a um valor total muito perto de 86 milhões de dólares - ou seja, mais de 77 milhões de euros.

A seguir, veja quais foram os 10 automóveis mais caros leiloados na edição deste ano do Monterey Car Week.

10. Ferrari 250 GT Tour de France Berlinetta (1958): $5 200 000 (4 667 442 €)

A combinação do nome Tour de France com um Ferrari 250 GT Berlinetta continua sendo altamente desejada entre colecionadores. Aqui, o exemplar de chassi #0893 GT ainda preserva a decoração original e mantém o mesmo motor com o qual foi entregue ao primeiro proprietário, em 1958.

No histórico de pistas, há um resultado de destaque nas 12 Horas de Sebring de 1958: sétimo lugar no geral e segundo em sua categoria. Depois dessa participação, o 250 GT ainda correu em outras provas, até ser vendido, um ano mais tarde, para um colecionador de Chicago.

9. Ferrari 275 GTB/4 NART Alloy Coupe (1967): $5 285 000 (4 743 737 €)

Entre todos os Ferrari 275 GTB/4, este se diferencia por trazer no currículo a vitória na classe nas 24 horas de Daytona de 1969, com a “ajuda” da dupla de pilotos Sam Posey e Riccardo Rodriguez. Também disputou várias provas pela NART (North American Racing Team), carregando uma decoração específica da equipe.

Quatro anos após sair da linha de montagem, o V12 foi reconstruído e acabou instalado em outro 275 GTB/4. Porém, em 2010 - quatro décadas depois - o motor original voltou ao chassi original, o que elevou ainda mais o valor do carro. Para completar, a pintura foi refeita e retornou às cores de fábrica neste ano, conforme indicam os registros da marca.

8. Ferrari 857 Sport Spider (1955): $5 350 000 (4 802 080 €)

De acordo com a leiloeira Gooding & Company, este é o último Ferrari 857 Spider de um total de apenas quatro produzidos. Ele começou sua “vida” servindo a Scuderia Ferrari em meados de 1955, mas sofreu um acidente no fim daquele ano durante uma sessão de testes. Em seguida, foi reconstruído pela Scaglietti - que acrescentou a “barbatana” traseira - e acabou vendido como novo para um cliente na Califórnia.

No currículo, entram várias vitórias com pilotos como Jack McAfee e Carroll Shelby, embora sua trajetória nas competições tenha chegado ao fim no início dos anos 60. Já em uma fase mais privada, passou por coleções como a de Andy Warhol (artista), por exemplo - e, nessa época, estava com um motor V8 da Chevrolet - sacrilégio…

Mais adiante, recebeu o mesmo motor de um 250 GT da Ferrari, mas foi somente em 2011, durante um restauro minucioso feito pela DK Engineering, que o carro voltou a ter a chance de receber o grande quatro cilindros em linha original de 3,4 l com o qual deixou a fábrica, em 1955.

7. Ferrari F50 (1995): $5 505 000 (4 941 205 €)

Com o sucesso do F40, a Ferrari ficou pressionada a criar algo tão especial quanto - ou ainda mais. O resultado foi o Ferrari F50: a Pininfarina desenhou uma carroceria elegante em fibra de carbono e kevlar, e a marca italiana equipou o modelo com monocoque de fibra de carbono e um motor V12 derivado de seus monopostos de Fórmula 1.

A produção ficou limitada a 349 unidades, e esta é a #47, montada em 1995. Também faz parte do grupo de 55 exemplares entregues nos Estados Unidos. Ela saiu de fábrica com carroceria em Rosso Corsa, chegou a ser repintada em Azzurro California, mas depois voltou ao tom original e chegou a integrar coleções como a de Nicholas Cage, por exemplo.

Hoje, está muito próxima da configuração original, como comprova o certificado da Ferrari Classiche. Já soma mais de 8500 milhas (13 680 km) rodadas e ainda acompanha todas as ferramentas, chaves e a documentação histórica.

6. Ferrari 250 GT LWB California Spider (1959): $5 615 000 (5 039 940 €)

Este carro é o #19 entre os 50 Ferrari 250 GT California LWB produzidos e foi entregue em 1959 ao primeiro dono na cidade de Gênova (Itália). O grande destaque, porém, veio em 1967, quando apareceu no cinema no filme italiano Le Dolci Signore, com a Bond Girl Claudine Auger.

Depois dos anos 60, o modelo passou por várias coleções em países como EUA, Reino Unido, Suécia e até Japão. Ainda assim, nos últimos 19 anos permaneceu com o mesmo proprietário, sempre mantido na condição impecável que aparece nas imagens.

Além da passagem pela tela grande, também foi tema em livros e revistas. Atualmente, conserva o motor V12 original e outros componentes incorporados durante um restauro completo feito nos anos 90.

5. Porsche 911 GT1 Rennversion (1997): $7 045 000 (6 323 486 €)

Feito para as pistas, este Porsche 911 GT1 é uma das nove unidades construídas especificamente para clientes. Conforme os registros disponíveis, ele nunca sofreu um acidente grave e também nunca precisou ser desmontado, preservando seu estado de conservação original.

Ele atuou como carro principal da equipe alemã Roock Racing e disputou as 24 horas de Le Mans de 1997 com Allan McNish e Stéphane Ortelli ao volante. Hoje, traz a decoração da Rohr Motorsport, já pertenceu à Drendel Collection e, nos últimos anos, ficou sob cuidados de uma coleção particular.

4. Ford GT40 Lightweight (1969): $7 865 000 (7 059 506 €)

Ao todo, foram feitas apenas 10 unidades do Ford GT40 Lightweight de competição, incluindo os conhecidos carros da Gulf Team. Eles representavam uma evolução dos históricos GT40 vencedores em Le Mans e foram desenvolvidos para atender às novas regras impostas pela FIA.

Entre esses 10 exemplares, este é provavelmente o único que já teve um histórico ligado a Portugal. Em 1969, foi comprado pelo piloto Ferreira Pires, que o utilizou em algumas provas antes de vendê-lo a Emílio Marta, após sair da pista em um despiste. Marta ganhou enorme projeção com este Ford GT40 no automobilismo em Angola - a ponto de, em certa época, o carro ter sido chamado de “ex-líbris de Benguela”.

Apesar da trajetória movimentada, trata-se de um dos raros Ford GT40 que ainda preserva carroceria, chassi, motor e transmissão originais, com documentação que comprova isso. Mais recentemente, porém, recebeu um restauro detalhado, que devolveu à carroceria o tom Cirrus White e ao chassi o preto original, exatamente como saiu de fábrica.

O motor e a transmissão também passaram por reconstrução, e foram instalados pneus originais Firestone, além de um conjunto igualmente original de rodas BRM de magnésio.

3. Ferrari 410 Sport Speciale Spider (1955): $12 985 000 (11 655 141 €)

O pódio dos carros mais caros vendidos em leilão no Monterey Car Week começa com um dos quatro Ferrari 410 Sport criados com a mítica Carrera Panamericana em mente. Os dois últimos foram utilizados pela Scuderia Ferrari, enquanto o segundo acabou convertido em cupê e vendido a um cliente particular. Já o primeiro - o que aparece aqui, chassi 0592 CM (Carrera Messicana) - é, portanto, o único 410 S Speciale Spider nas mãos de clientes privados.

A carreira começou em 1956 com Carroll Shelby ao volante, vencendo uma prova nas estradas de Palm Springs (EUA). O primeiro proprietário, porém - que não era Carroll Shelby - fugiu dos EUA para o México no ano seguinte, levando o 410 Sport consigo. Diferentemente do dono, o carro voltou a dar as caras nos anos 60 e acabaria retornando aos Estados Unidos.

Na década de 70, recebeu uma restauração completa e ficou na mesma coleção até 2008. Depois disso, passou por diferentes coleções, nos EUA e na Inglaterra. Agora, muda de proprietário mais uma vez.

2. Alfa Romeo 8C 2900B Lungo Spider (1938): $14 030 000 (12 593 118 €)

O mais antigo entre os 10 modelos desta lista é um de apenas cinco Alfa Romeo 8C 2900B Lungo que receberam carroceria Spider da Touring Superleggera. Os primeiros anos deste exemplar não são totalmente claros; acredita-se que ele tenha passado um período no Egito, na coleção do Major Raymond Flower, dono da Cairo Motor Company. Em 1948, alguém na Suíça importou este 8C.

Desde então, o Alfa Romeo viveu uma longa sequência de mudanças de garagem, atravessando vários países e passando por múltiplos projetos de restauro que ficaram inacabados. Não surpreende que ele não tenha acumulado muita quilometragem. Somente no fim dos anos 70 ganhou, de fato, um restauro completo.

Em meados dos anos 90, contudo, este Alfa Romeo 8C retornou à Suíça, passando antes pelo Reino Unido para uma nova restauração, agora com “carta branca para o transformar no melhor exemplar”. Foi nesse trabalho meticuloso que ele ganhou o visual que mantém até hoje: carroceria em azul-escuro, interior revisado nos mínimos detalhes e mecânica recondicionada até o menor parafuso.

Até o leilão mais recente em Monterey, colecionou prêmios de elegância, chegou a ser roubado e ficou desaparecido por um ano e meio - mas, felizmente, sempre preservou o mesmo visual apaixonante que ainda exibe.

1. Ferrari 250 GT SWB California Spider (1960): $17 055 000 (15 308 312 €)

No topo entre os 10 automóveis mais caros vendidos no Monterey Car Week aparece um dos Ferrari mais desejados de todos os tempos: o 250 GT SWB California Spider.

E este carro, especificamente, está longe de ser “apenas mais um”. Na prática, foi o primeiro entre as 56 unidades produzidas e o exemplar usado na apresentação oficial no Salão de Genebra de 1960. Ele trazia motor com especificação de competição, faróis dianteiros cobertos e o hardtop original.

O primeiro comprador foi um piloto britânico que morava na Suíça, mas, três anos depois, em 1963, o 250 GT foi exportado para os EUA. Inicialmente ficou em Nova Iorque; já em 1978, foi levado para a Califórnia, para a garagem de um novo dono - que havia reservado a placa “1ST SWB” para registrá-lo em seu nome.

Nas celebrações dos 50 anos da Ferrari, o carro foi exibido no Petersen Automotive Museum, e só em 2008 acabou vendido ao proprietário mais recente. Foi visto em encontros de clássicos na Alemanha e na França, por exemplo, e agora registra mais um capítulo de sua história com outra troca (multimilionária) de dono em Monterey.


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário