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Audi reúne os concepts da família sphere em Pebble Beach e antecipa o futuro elétrico

Carro elétrico esportivo Audi Sphere EV prata exibido em ambiente interno com piso branco.

Em meados de agosto, durante a Monterey Car Week, a Audi levou para o mesmo palco os três carros-conceito da família sphere - skysphere, grandsphere e urbansphere - que apontam para o caminho elétrico da marca de Ingolstadt.

Aproveitamos a ocasião para chegar mais perto do trio no gramado de Pebble Beach, cenário escolhido para uma sessão de fotos. No início de 2023, a família sphere deixa de ser um trio e vira um quarteto, com a chegada do activesphere, do qual a Audi já soltou uma prévia.

Esses protótipos estão longe de ser apenas exercícios de estilo: eles também servem como vitrine para soluções tecnológicas avançadas que devem chegar aos próximos elétricos de produção em série da fabricante alemã.

Entre os destaques estão a condução autônoma de nível L4 (em condições específicas de trânsito, o motorista pode transferir completamente a responsabilidade de dirigir para o próprio veículo, sem precisar intervir), a arquitetura elétrica de 800 V com recargas ultrarrápidas e autonomias entre 600 km e 750 km com uma única carga completa, variando conforme o modelo.

Falta conhecer de perto apenas o activesphere concept, previsto para ser apresentado no começo de 2023. Ao perguntarmos por que ele não apareceu para “posar” no green do buraco 18 do campo de golfe de Pebble Beach, a resposta foi tão simples quanto direta: “ainda não está pronto”.

O primeiro é o menos provável de acontecer

Quem faz essa avaliação é Oliver Keyerleber, diretor de estratégia do projeto dos concept cars sphere da Audi, antes de destrinchar o que cada um dos três modelos já revelados representa.

Nas palavras de Keyerleber: “o skysphere concept foi o primeiro da família e joga com esta ideia de um veículo de lazer com dupla personalidade, porque pode ser guiado com uma distância entre eixos mais curta, para um comportamento mais ágil, ou então passar a veículo autónomo, aumentando a distância entre as rodas dianteiras e traseiras, desaparecendo o volante. Foi desenhado pela nosso estúdio nos Estados Unidos”, algo perceptível no desenho geral, com um ar que lembra um Corvette.

O segredo está em um mecanismo sofisticado que permite a componentes da carroceria e da estrutura deslizarem, alterando o comprimento da distância entre eixos e do carro em 25 cm (uma diferença semelhante à que existe entre um A7 e um A8). Ao mesmo tempo, a altura do solo pode ser ajustada em um centímetro para priorizar conforto ou dinâmica.

Apesar de ter sido o primeiro a aparecer (agosto de 2021), o skysphere é, entre os três concepts já conhecidos, o que tem menor chance de virar um modelo de linha.

Além de a solução de distância entre eixos variável provavelmente ficar “na gaveta”, os conversíveis perderam força no mercado ao longo da última década e hoje há outras prioridades. Ainda assim, o cenário pode mudar: a Polestar demonstra acreditar nisso ao planejar o conversível 6 para 2026.

O novo A8 quase pronto

Na sequência cronológica (setembro de 2021), veio o grandsphere concept, com projeto conduzido pelo time de design europeu.

“É a nossa ideia de um futuro Gran Turismo, desportivo, para quatro pessoas, mas privilegiando a fila da frente, ao mesmo tempo que integra tecnologia de condução autónoma”, diz Keyerleber, destacando ainda como o capô muito baixo ajuda a criar uma silhueta mais dinâmica e diferente.

Quando o modelo foi apresentado, conversamos com Marc Lichte - o chefe máximo de design da Audi - que confirmava que o grandsphere antecipa o sucessor do A8 e que refletia “75-80%” do que deve ser o próximo topo de linha da marca alemã em meados desta década.

O que ainda segue em aberto é a base técnica escolhida para produzi-lo. De um lado, Audi e Porsche finalizam o desenvolvimento da Premium Platform Electric (PPE), arquitetura que vai sustentar uma parcela importante dos seus elétricos futuros - começando pelo próximo Q6 e-tron.

Por outro, a Volkswagen aposta pesado na futura arquitetura elétrica SSP e, naturalmente, tende a buscar diluição de custos dentro do Grupo Volkswagen, pressionando por sinergias. Seja qual for a plataforma do futuro A8, a prioridade da Audi é manter uma diferenciação clara, tanto em tecnologia quanto em posicionamento, para evitar canibalização entre as marcas.

Nem falta sequer um MPV

O terceiro eixo da estratégia é o urbansphere concept (abril de 2022), que muda o centro da discussão: a viagem passa a ser pensada como experiência, com foco no bem-estar de quem vai na segunda fileira.

“Foi desenhado pelo estúdio de Pequim e teve em conta muitas das necessidades do mercado chinês, onde muitos proprietários de veículos de segmentos premium e de luxo são guiados por motoristas”, explica o “pai” do clã sphere.

Ainda assim, fontes próximas - que preferem não ser identificadas - apontam que, embora a ideia tenha nascido para culminar em um monovolume voltado à China, o avanço da condução autônoma tende a reacender o interesse por veículos com a proposta e o formato de MPV também nos EUA e na Europa.

No urbansphere, as portas são articuladas na parte traseira e não existe coluna central, para que o acesso ao “salão” desse transportador de pessoas de 5,5 m de comprimento - e com uma distância entre eixos impressionante de 3,4 m - seja o mais amplo possível.

Assentos que giram para fora e um tapete vermelho de luz projetado no chão ao lado do veículo fazem do simples ato de entrar no carro uma experiência voltada ao conforto.

Os quatro bancos individuais, distribuídos em duas fileiras, prometem um nível de luxo de primeira classe. Nos modos Relax e Entertain, o encosto pode reclinar até 60º, enquanto os apoios de pernas se estendem simultaneamente.

Para conversar, os ocupantes podem se voltar uns para os outros graças aos assentos giratórios. Se a ideia for mais privacidade, dá para descer uma tela instalada atrás do encosto de cabeça. Além disso, cada poltrona conta com sua própria “zona” de áudio, com alto-falantes integrados ao encosto de cabeça.

Quando o objetivo é compartilhar entretenimento (ver um filme) ou trabalho (uma videoconferência), há uma grande tela OLED (ocupando toda a largura da cabine) que desce do teto para a área entre as duas fileiras - um recurso semelhante ao do novo BMW i7.

SUV/Crossover a caminho

Sobre o activesphere, por enquanto existe apenas um esboço parcialmente encoberto e algumas informações obtidas a duras penas com os designers da Audi, que costumam guardar detalhes até o momento da apresentação física.

Assim como nos outros três carros-conceito, o nome já entrega a intenção: o activesphere deve ser um “crossover cupê” ou um “SUV cupê”.

A descrição oficial do projeto afirma que “pretenderá proporcionar um elevado grau de variabilidade para um estilo de vida ativo”. Também foi possível apurar que esse concept deve ter comprimento parecido com o do Audi A7 atual, isto é, ligeiramente abaixo dos cinco metros. E sua autonomia elétrica deve ficar na casa dos 600 km.

Mesmo com a Audi já bem posicionada em SUVs nos mais diferentes segmentos, a demanda global por esse tipo de silhueta é tão forte que há espaço para mais um. Por isso, a expectativa é que ele chegue às ruas dentro de três a cinco anos.


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