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Jeep Gladiator: uma semana com a pick-up americana

Picape Jeep Gladiator verde exibição em showroom com paisagem de montanhas ao fundo.

Quase três décadas. Foi esse o intervalo que a lendária marca norte-americana levou para voltar, de fato, ao universo das pick-ups - agora com o novo Jeep Gladiator.

E ainda bem que voltou. É daqueles carros que a gente queria sem ter percebido, e essa foi exatamente a sensação que ficou depois de passar uma semana na companhia dele.

Eu sei: pick-up, no entendimento clássico, é ferramenta de trabalho. Só que, quando você coloca nessa conta a Jeep, toda a história da marca e aquele visual inconfundível, o resultado vira algo que vai muito além do uso “objetivo”.

Dito isso, o Jeep Gladiator não é uma pick-up feita para qualquer pessoa. Até pode servir a todos - porque capacidade e atributos de trabalho não faltam.

Mas ele conversa principalmente com quem surfa, com quem curte esportes radicais ou, simplesmente, com quem se rende aos mais de 5,5 m de comprimento dessa pick-up americana. Eu estou nesse último grupo.

"Preciso de uma pick-up destas dimensões? Não, mas gostava de ter uma na minha garagem."

Os mais de 600 km que rodei ao volante, em um trajeto que ligou Lisboa à magnífica Costa Vicentina, deixaram essa certeza bem clara.

Mesmo eu sabendo que, pelo tipo de off-road que faço em 99% das vezes, existem alternativas - inclusive dentro da própria marca - que já seriam mais do que suficientes.

Ainda assim, todo mundo sabe que escolher um carro não é um ato puramente racional. E, nesse ponto, a Jeep tem o talento de criar modelos muito fáceis de desejar. O Gladiator só reforça isso.

Motor a diesel: o mais potente do segmento

Em Portugal, o Jeep Gladiator é vendido com uma única opção: o 3.0 Multijet, entregando 264 cv de potência e 600 Nm de torque.

"No segmento das pick-up, este é motor Diesel mais potente à venda na Europa."

E há uma virtude que se impõe logo de cara: esse conjunto faz os 2400 kg dessa pick-up gigantesca parecerem menos relevantes do que você imagina. A velocidade máxima é limitada a 177 km/h e o 0-100 km/h acontece em apenas 8,6s - na prática, acelera melhor do que a maioria dos carros à venda em Portugal.

Uma parte importante desse desempenho vem do ótimo acerto do câmbio automático de oito marchas. Ele trabalha com rapidez, eficiência e ainda ajuda bastante o Jeep Gladiator a segurar o apetite por diesel.

A marca declara 9,6 l/100 km, um número que, surpreendentemente, não fica tão distante do que dá para ver na vida real.

Ao final dos dias com o Gladiator, fechei com média de 11,2 l/100 km. E eu nem sempre fui gentil com o acelerador - exigências dos testes…

Portugal dos pequeninos

O motor chama atenção, mas o choque mesmo vem quando você percebe o tamanho do Jeep Gladiator. Sinceramente, não lembro de ter dirigido algo tão grande apenas com uma habilitação de carro.

"Ao volante do Jeep Gladiator, tudo à nossa volta parece o «Portugal dos pequeninos»."

Você vai sentado bem alto, e as estradas parecem ficar menores diante das dimensões do carro. Leva alguns dias até cair a ficha de que há mais de 5,5 m de veículo para administrar.

Depois que o período de adaptação passa, a rotina fica mais simples. Encontrar vaga continua sendo uma missão - como seria de esperar… -, mas você aprende a lidar melhor com o dia a dia ao volante dessa pick-up enorme.

Liberdade e aventura

É quase automático: basta sentar no banco do Jeep Gladiator e surge uma sensação de fuga, de aventura, difícil de ignorar. Não é simples explicar, mas tudo nesse modelo parece chamar você para aproveitar mais.

Dá até para retirar as portas (elas são removíveis) e praticamente todos os painéis internos, transformando a pick-up em algo próximo de um conversível off-road. Eu não fiz, mas vontade não faltou.

A impressão é a de que dá para ir a qualquer lugar, sem restrições - e isso não está totalmente errado. O Gladiator vem com tração Selec-Trac 4×4, caixa de transferência de duas velocidades, eixos Dana 44 de terceira geração e diferencial traseiro autoblocante.

Nos ângulos de off-road, ele não alcança o Jeep Wrangler, por causa do aumento da distância entre-eixos. Ainda assim, está longe de decepcionar: são 41º de ângulo de ataque, 25º de saída e 18,4º de ângulo ventral.

A limitação mais clara está nos pneus originais, que entregam boa usabilidade no asfalto, mas pedem mais aderência quando o piso deixa de ser pavimentado. De todo modo, tenho sérias dúvidas de que os futuros donos desse modelo mantenham as especificações de fábrica.

O conforto e o Jeep Gladiator

Ele não é um carro leve - mas também não dá para colocá-lo no mesmo saco de um veículo de trabalho puro e simples. O Jeep Gladiator conseguiu equilibrar, de um jeito bem interessante, aptidão para carga e conforto de rodagem.

Em rodovia, o câmbio automático de oito marchas ajuda a manter o ruído em um patamar aceitável - já partindo do princípio de que este Jeep não é referência nesse quesito, apesar de trazer um opcional que aumenta a quantidade de material de isolamento acústico no interior.

Por outro lado, itens de conforto não faltam. Começando pelos bancos elétricos e aquecidos e chegando ao sistema multimídia Uconnect Rádio com tela de 8,4″. Há tudo o que se espera de um carro atual: inclusive assistente de permanência em faixa e frenagem automática.

Razão e emoção em conflito

Pelo que foi dito até aqui, já dá para perceber que o Jeep Gladiator está longe de ser só um exercício de estilo bem executado. Acima de tudo, é um produto cheio de qualidades - e talvez a maior delas seja justamente o quanto ele desperta desejo.

No fim das contas, ele faz sentido de verdade quando você precisa, de fato, da capacidade de carga do Gladiator. Caso contrário, se você for como eu - que só faz incursões leves fora de estrada -, existem alternativas igualmente capazes e até mais eficientes.

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