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Kia Niro HEV no teste: o híbrido ainda faz sentido frente ao e-Niro

Carro branco Kia Niro HEV estacionado em ambiente interno moderno com janelas grandes.

Assim como aconteceu na primeira geração, o novo Kia Niro segue disponível apenas com motorizações eletrificadas. No Brasil, ele é oferecido como híbrido convencional (HEV) ou como elétrico (e-Niro).

Na teoria, o híbrido costuma ser a escolha mais lógica para quem roda mais quilômetros, enquanto o elétrico tende a combinar melhor com a rotina urbana. Só que, ao prometer mais de 450 km de autonomia, o Niro elétrico deixa de ser “apenas” um carro de cidade e passa a encaixar bem em diferentes cenários - inclusive em viagens mais longas.

Diante disso, ainda faz sentido escolher o conjunto híbrido quando o elétrico já entrega tanta versatilidade de uso? Hora de colocar o Niro HEV à prova.

Quase elétrico

A separação mais evidente entre o Niro HEV e o e-Niro está, como é de se esperar, no trem de força. Por ser um híbrido convencional (não é híbrido plug-in), o Niro HEV ainda depende de um motor a combustão, trabalhando em conjunto com um motor elétrico.

O conjunto é o mesmo do antecessor, embora tenha recebido diversas melhorias voltadas à eficiência. A potência máxima combinada chega a 141 cv, número bem inferior aos 150 kW (204 cv) do e-Niro. Ou seja: se a prioridade for desempenho, o e-Niro atende melhor.

Os dados deixam isso claro: 7,8s no 0–100 km/h para o elétrico contra 10,8s do Niro HEV. Ainda assim, o híbrido não decepciona quando colocado lado a lado com possíveis concorrentes híbridos, como o Honda HR-V.

Por outro lado, onde o Niro HEV realmente quer brilhar é na eficiência - algo que ficou claro ao longo do uso e ainda mais quando devolvi o carro à Kia.

No momento da entrega do crossover sul-coreano, o computador indicava média de 4,5 l/100 km, obtida em trajetos que incluíram longos trechos de rodovia. Ou seja, longe do tipo de percurso “preferido” de um híbrido, que normalmente se beneficia mais do trânsito urbano, onde o motor elétrico atua com maior protagonismo.

A suavidade do sistema híbrido também chama atenção, especialmente na cidade, onde muitas vezes a sensação é de que estamos guiando um… elétrico.

Uma parcela desse refinamento vem da escolha de um câmbio automático de dupla embreagem com seis marchas, em vez de uma transmissão continuamente variável, como a usada, por exemplo, no Toyota C-HR.

Na prática, ao volante do Niro, a alternância entre as duas motorizações quase não é percebida, o que ajuda a construir uma experiência de condução bastante sofisticada.

Mesmo no modo “Sport”, o Niro HEV continua suave, mas aproveita a entrega imediata de torque do motor elétrico para surpreender - principalmente nos sprints entre semáforos.

Já no modo “Eco”, que é o padrão, o acelerador fica mais “filtrado” e o câmbio antecipa as trocas (reduzindo o regime), mas isso não transforma o carro em algo lento ou desanimado.

Em dinâmica, o Niro HEV soma alguns pontos sobre o elétrico em agilidade por ser quase 300 kg mais leve - 1399 kg contra 1682 kg. Ainda assim, isso não faz do crossover uma proposta particularmente divertida de dirigir.

Ele se destaca, sobretudo, por transmitir segurança e previsibilidade, combinando comportamento eficiente com bom conforto; no fim, exatamente o que se espera de um modelo com vocação familiar.

Primeiro estranha-se…

O que aproxima as duas versões do Niro é o visual externo: bem mais marcante e polarizador, indo na direção oposta à primeira geração, que era bem mais discreta.

Eu, particularmente, gosto do estilo deste novo Niro - sobretudo nesta combinação de verde “tropa” com preto. E, se o critério for a capacidade de chamar atenção, a Kia pelo menos conseguiu fazer o Niro deixar de passar despercebido.

Por dentro, o desenho é mais “fácil” de agradar, além de claramente mais atual. A ergonomia é bem resolvida e a inspiração no EV6 (maior) não é escondida.

Vale destacar o painel tátil multimodo (logo abaixo do sistema de infoentretenimento), que alterna entre comandos do ar-condicionado e atalhos do próprio multimídia. Assim, evita-se concentrar funções demais na tela central de 10,25”.

No restante, o acabamento não dá margem a críticas e os materiais - muitos reciclados - não perdem agradabilidade por causa do foco em sustentabilidade; pelo contrário.

Um exemplo: a área onde ficam os comandos dos vidros não utiliza BTX (benzeno, tolueno e xileno, substâncias poluentes e cancerígenas) e, além disso, se mostrou agradável ao toque.

Pronto para as famílias

O novo Kia Niro reforça sua proposta como uma opção muito apta para as demandas de uma família. Em relação ao antecessor, ele cresceu por fora e, como consequência, também ganhou espaço interno.

Na configuração híbrida, as baterias ficam instaladas sob o porta-malas, o que ajuda a liberar mais espaço para pernas e cabeça do que no e-Niro. A diferença não é enorme, mas já permite que dois adultos viajem no banco traseiro com (ainda) mais folga.

Quando comparado a rivais como o Honda HR-V ou mesmo o Hyundai Kauai Hybrid, o Niro HEV também se mostra mais espaçoso, reforçando seus argumentos como carro para a família.

Porém, essa mesma posição das baterias prejudica o volume do porta-malas do Niro HEV em relação ao e-Niro (que acomoda as baterias no assoalho da plataforma). São 451 l no Niro híbrido contra 475 l no Niro elétrico - e o elétrico ainda oferece 20 l extras sob o capô dianteiro.

Mesmo assim, a capacidade do porta-malas está em um nível muito bom, ficando bem acima dos 319 l do Honda HR-V e dos 374 l do Hyundai Kauai Hybrid.

É o carro certo para você?

Num primeiro olhar, o Kia Niro elétrico parece tão completo e tão versátil que seria fácil descartar o Niro híbrido de cara. Só que isso seria um engano.

Muito econômico, o Niro HEV permite uma rotina mais “leve” do que a do e-Niro e, acima de tudo, entrega maior autonomia. Na cidade, é tão simples de conduzir quanto o elétrico e, apesar do desempenho inferior, está longe de ser um carro lento.

Sim, o e-Niro já ajuda a deixar de lado a “ansiedade de autonomia”, mas o Kia Niro HEV continua fazendo sentido - especialmente para quem mora longe dos centros urbanos e não circula por regiões com grande oferta de carregadores.

Talvez o argumento mais forte em favor do Niro híbrido seja o preço (sem considerar campanhas em vigor). Afinal, são mais de 13 mil euros de diferença entre os dois: 37 900 euros contra 51 450 euros (há um e-Niro com menos equipamentos por 48 500 euros). Uma diferença que, na prática, dá para comprar muita gasolina.


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