A redução anunciada pela Comissão Europeia (CE) nas tarifas de importação aplicadas a carros elétricos produzidos na China acabou beneficiando diversas montadoras - com a Tesla como principal destaque.
A empresa norte-americana traz da China o Model 3 e, desde 5 de julho, o modelo passou a ter uma tarifa extra de 20,8% somada à alíquota regular de 10%. Na ocasião, a Tesla apresentou à CE um pedido individual para que esse percentual fosse recalculado. A resposta saiu ontem, 20 de agosto.
Como a Tesla conseguiu a revisão da Comissão Europeia
No rascunho da proposta final divulgado pela Comissão Europeia, no caso da Tesla, a tarifa caiu de 20,8% para um bem menos punitivo 9%. Por enquanto, é a marca com a menor penalização.
O pedido da Tesla à CE foi para que a tarifa fosse refeita levando em conta apenas os subsídios específicos que ela teria recebido. A apuração acabou confirmando que a Tesla contou com menos subsídios do que outras montadoras, sendo que a maior parte desses apoios, no setor, envolvia o fornecimento de baterias abaixo do preço de mercado.
Os outros beneficiados
Como já mencionamos, a Tesla não foi a única favorecida. A grande maioria das montadoras afetadas passou a ter tarifas menores. Um detalhe curioso: a taxa aplicada a grupos/montadoras que cooperaram com a investigação da CE subiu meio ponto percentual, enquanto a dos que não cooperaram caiu 0,7 ponto.
- BYD: 17,4% passa a 17,0%;
- Geely: 19,9% passa a 19,3%;
- SAIC: 37,6% passa a 36,3%;
- Empresas que cooperaram: 20,8% passa a 21,3%;
- Empresas que não cooperaram: 37,6% passa a 36,3%.
Entrando em mais detalhes, entre os beneficiados está a Mini, do Grupo BMW: as tarifas de importação para seus elétricos fabricados na China - Cooper e Aceman - foram reduzidas de 37,6% para 21,3%.
A CUPRA, do Grupo Volkswagen, também entrou na lista: a tarifa do Tavascan foi cortada de 37,6% para 21,3%.
O que acontece agora?
As tarifas de importação sobre elétricos produzidos na China vêm sendo cobradas desde 5 de julho (aprovadas um dia antes), mas ainda têm caráter provisório.
Prazos, comentários e votação entre os Estados-Membros
A tendência é que só se tornem definitivas, provavelmente, em novembro, pouco depois de a investigação da CE sobre as subvenções a elétricos fabricados na China ser concluída. Com isso, os valores revisados agora divulgados não passam a valer imediatamente, e seguem em vigor as tarifas provisórias - fique a conhecê-las.
As montadoras afetadas têm agora 10 dias, contados a partir de ontem, 20 de agosto, para solicitar audiências e apresentar comentários sobre a revisão das tarifas de importação.
Depois de analisar todas as manifestações das partes interessadas, a Comissão vai encaminhar aos Estados-Membros o documento com as taxas finais, que será colocado em votação. As conclusões da investigação sobre as subvenções a elétricos produzidos na China devem ser divulgadas, no mais tardar, até 30 de outubro.
Quando as tarifas definitivas de importação sobre elétricos produzidos na China entrarem em vigor, elas permanecerão válidas por um período mínimo que nunca será inferior a cinco anos.
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