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Yoga suave na recuperação do câncer: estudo mostra benefícios para humor, ansiedade, fadiga e insônia

Mulher com lenço na cabeça meditando sentada em tapete de ioga, em ambiente iluminado e tranquilo.

O tratamento do câncer avançou muito nas últimas décadas. Cada vez mais pessoas sobrevivem à doença e seguem vivendo por mais tempo. Ainda assim, o período de recuperação costuma ser mais difícil do que muitos imaginam.

Mesmo depois de terminar quimioterapia, cirurgia ou radioterapia, não é raro que sobreviventes continuem a lidar com sono ruim, ansiedade, pouca energia e sobrecarga emocional.

Na prática, esses desconfortos muitas vezes são tratados separadamente, com medicamentos para cada queixa. Agora, pesquisadores afirmam que uma forma simples de yoga pode ajudar a melhorar vários desses sintomas ao mesmo tempo.

Um estudo apresentado no encontro da American Society of Clinical Oncology mostrou que uma yoga suave ajudou sobreviventes de câncer a se sentirem melhor tanto no corpo quanto no emocional.

Os achados indicam que movimentos lentos, respiração e mindfulness podem se tornar uma parte importante do cuidado na recuperação do câncer.

A recuperação do câncer pode se prolongar

Para muitos sobreviventes, a sensação de voltar ao “normal” não aparece logo que o tratamento termina. O cansaço pode persistir por meses.

A ansiedade também pode continuar, especialmente antes de exames de controlo ou consultas de seguimento. Alterações do sono, por sua vez, são frequentes.

E esses problemas costumam andar juntos. Dormir mal pode aumentar a ansiedade, o que tende a intensificar a fadiga. A baixa energia também pesa no humor e atrapalha a rotina.

Com isso em mente, pesquisadores do Wilmot Cancer Institute procuraram saber se uma única atividade seria capaz de melhorar vários desses pontos simultaneamente.

A yoga melhorou quatro sintomas

O estudo encontrou melhora em quatro áreas principais: humor, ansiedade, fadiga e insônia.

“São quatro benefícios de uma só vez, e isso pode fazer maravilhas pelos sintomas”, disse Karen Mustian, PhD, professora da reitoria em Cirurgia e diretora associada de Ciência Populacional no Wilmot, que foi a autora sênior.

“As pessoas tendem a gostar, e a nossa pesquisa mostra que, após um mês de yoga restaurativa, a pessoa pode notar melhorias grandes.”

Segundo os pesquisadores, isso é relevante porque, em geral, as abordagens disponíveis miram apenas um sintoma por vez.

O movimento suave fez a diferença

A equipa também destacou que nem toda yoga é igual. A investigação concentrou-se em Hatha suave e yoga restaurativa.

Essas modalidades combinam movimentos lentos, alongamentos, exercícios de respiração e mindfulness. Aulas aceleradas ou sessões em estúdios aquecidos não fizeram parte do estudo.

“Apenas fazer a postura do cão olhando para baixo sem a respiração e o mindfulness é simplesmente calistenia”, afirmou Mustian. “É a sinergia do movimento mente-corpo que traz efeitos positivos.”

Isso é importante porque muitos sobreviventes de câncer podem não se sentir fortes o suficiente para exercícios intensos. A yoga suave surge como uma alternativa mais segura e confortável.

Testando a yoga pelos Estados Unidos

O ensaio envolveu 410 sobreviventes adultos de câncer em diferentes regiões dos Estados Unidos. Nenhum deles praticava yoga com regularidade antes de entrar no estudo.

Um grupo manteve o acompanhamento médico habitual. O segundo grupo, além desse acompanhamento, participou de sessões de yoga durante quatro semanas. Os participantes fizeram três sessões por semana, somando 180 minutos.

Para avaliar os efeitos, os pesquisadores aplicaram questionários sobre humor, ansiedade e qualidade do sono antes e depois do programa.

Os resultados sugeriram que a redução da ansiedade pode ter contribuído para melhorar o sono. Em vez de atuar sobre um único problema, a yoga pareceu beneficiar, em conjunto, sintomas que estão interligados.

A yoga trouxe alívio sem medicação

Muitos sobreviventes de câncer já usam vários medicamentos. Podem tomar remédios para dor, terapia hormonal, saúde do coração ou efeitos colaterais relacionados ao tratamento.

Incluir mais fármacos para sono ou ansiedade, em alguns casos, pode gerar novos efeitos adversos ou interações medicamentosas.

Esse é um dos motivos pelos quais os pesquisadores defendem que a yoga seja considerada com seriedade. Ela não interfere nos tratamentos do câncer e, quando praticada de forma adequada, apresenta pouco risco.

Yuri Choi, Ph.D., professora assistente de pesquisa em Cirurgia e Controlo do Câncer, liderou a análise do estudo. Ela orientou que pacientes interessados em yoga restaurativa ou Hatha conversem com os seus médicos e escolham turmas em que se sintam à vontade.

Mudando a forma como o câncer cicatriza

Há 20 anos, muitos médicos não viam yoga ou exercício como componentes relevantes do cuidado oncológico. A maior parte do foco estava em tratar tumores e aumentar as taxas de sobrevivência.

Aos poucos, essa visão foi mudando.

“Isso não vai desaparecer”, disse Mustian. “Só vai se tornar uma parte mais importante de como tratamos pacientes com câncer em todo o contínuo do cuidado.”

Hoje, diversos centros oncológicos contam com programas de oncologia integrativa, que combinam tratamento médico com terapias de suporte, como exercício físico e mindfulness.

Mais sobreviventes precisam de suporte

O total de sobreviventes de câncer continua a aumentar. Em janeiro de 2025, mais de 18 milhões de pessoas nos Estados Unidos viviam com câncer ou já tinham sobrevivido à doença. Até 2035, esse número pode chegar a 22 milhões.

Com essa população crescente, cresce também a necessidade de estratégias melhores para lidar com efeitos de longo prazo após o tratamento.

Um programa curto de yoga pode, além disso, ser mais simples e mais barato de oferecer do que desenvolver um novo medicamento. Isso pode torná-lo útil para hospitais e sistemas de saúde no futuro.

Ampliando o acesso e a pesquisa

Os pesquisadores afirmam que ainda há muito a ser estudado. Investigações futuras devem analisar como ampliar o acesso para pacientes negros e latinos e para sobreviventes mais jovens.

A equipa também pretende avaliar se programas de yoga poderiam reduzir custos em saúde e, possivelmente, até influenciar a sobrevivência a longo prazo.

“Não existe um único tratamento comportamental padrão-ouro disponível para sobreviventes para tratar, ao mesmo tempo, perturbações globais do humor, ansiedade, fadiga e insônia”, disse Choi. “Ajudamos a preencher essa lacuna e esperamos conduzir estudos ainda mais inovadores.”

A yoga está mudando a recuperação do câncer

A recuperação do câncer deixou de ser vista como algo que só começa depois que o tratamento acaba. Mais médicos defendem que o cuidado de suporte faça parte do processo de cura desde o início.

A yoga, em si, não é novidade. O que está mudando é a base científica por trás dela. Pesquisadores estão quantificando como práticas como respiração, alongamento e mindfulness afetam sobreviventes de câncer.

Os resultados apontam que algo tão simples quanto uma yoga suave pode ajudar as pessoas a recuperar força, dormir melhor e sentir mais controlo durante a recuperação.

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