Portugal costuma ser citado como um dos melhores exemplos na Europa na adoção de veículos elétricos, já que mais de 20% do mercado de carros novos está eletrificado. Só que existe um outro dado - bem menos comemorado - que mostra um cenário quase oposto.
Ano após ano, a idade média do parque automobilístico português volta a quebrar recordes e, neste momento, está em 14,3 anos. Além disso, 28% dos carros que rodam nas estradas do país já passaram dos 20 anos.
Foi justamente para colocar essa realidade em debate que Guilherme Costa, Diretor Editorial da Razão Automóvel, conversou com Helder Barata Pedro, Secretário-Geral da ACAP - Associação Automóvel de Portugal, durante o ECAR Show 2026, em Lisboa.
Cuba europeia?
De modo parecido com o que se vê em Cuba - onde décadas de restrições econômicas deixaram nas ruas carros de outras épocas -, Portugal corre o risco de manter em circulação uma frota cada vez mais antiga e mais poluente. Não se trata de saudosismo, e sim de falta de capacidade financeira para renovar os veículos.
Os números apresentados pela ACAP não deixam espaço para indiferença. A média do parque automobilístico português já passou dos 14 anos e não há sinais de que essa tendência vá se reverter. Helder Barata Pedro chamou atenção para o fato de que muitos desses veículos, caso fossem submetidos à medição de emissões de dióxido de carbono (CO₂) nas inspeções, exibiriam resultados muito acima dos padrões atuais.
Além do impacto ambiental, entra em cena a segurança no trânsito. Carros mais antigos normalmente não contam com sistemas de proteção que hoje são exigidos em veículos novos. Para a associação, esse cenário se reflete diretamente no número de acidentes. Ouça o episódio mais recente para entender o que está em jogo.
A proposta da ACAP
Para Helder Barata Pedro, o caminho passa por um programa forte de incentivos ao abate, nos moldes do que ocorreu em 2009 - iniciativa que, entre agosto e dezembro daquele ano, tirou das ruas 40 mil veículos com mais de 20 anos.
O Secretário-Geral da ACAP também reforça que renovar a frota em circulação vai além do tema ambiental. Acima de tudo, é uma questão de coesão social. Na visão do responsável, fora dos grandes centros urbanos - onde o transporte público é limitado ou simplesmente não existe -, o carro continua sendo, para muitas famílias, a única opção real de mobilidade.
Encontro marcado no próximo Auto Talks
Motivos não faltam, portanto, para assistir/ouvir o Auto Talks mais recente, o novo formato editorial da Razão Automóvel, nas plataformas de sempre: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.
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