A Stellantis finalmente entra de cabeça no universo do carro elétrico com a DS N°8, que chega com ambição de encarar os nomes mais fortes da categoria. Será que ela entrega tudo o que promete?
Depois de muito tempo de cautela com a eletrificação, a Stellantis agora trata o assunto com seriedade ao colocar a DS N°8 no centro do palco. Pensada como vitrine tecnológica da marca - e, por tabela, do grupo -, a grande berlina foi inclusive escolhida como veículo presidencial! Isso eleva (e muito) o nível de expectativa para um teste que promete surpreender. A seguir, quatro pontos essenciais sobre o que a França pretende apresentar como referência em carro elétrico.
A DS N°8 anuncia autonomia de 750 km
Este é o número que incendiou as redes: 750 km de autonomia no ciclo WLTP, com 500 km somente em rodovia. No papel, a DS N°8 deixa para trás muitas concorrentes com folga. E esse resultado não vem de uma bateria gigantesca - a capacidade é de 97 kWh, nada fora do padrão -, mas sim de um trabalho forte de eficiência. A DS declara consumo combinado de 15,9 kWh/100 km na versão de entrada Pallas.
Para chegar a esse patamar, a marca francesa investiu em vários recursos para tornar a N°8 o mais aerodinâmica possível. A grade traz aletas ativas na porção inferior, a traseira recebe um aerofólio dedicado, as rodas têm desenho mais fechado e perfilado, as lanternas foram esculpidas com cuidado e a parte de baixo do carro é totalmente carenada. O resultado é um Cx de 0,24, melhor do que o de grande parte dos rivais.
A DS N°8 promete conforto de nível “real”
Como manda a tradição da DS, a N°8 precisa ser referência em conforto - e a proposta é justamente criar um ambiente de “casulo”. Para isso, entram soluções como vidro laminado em todo o carro e materiais pensados para absorver de forma eficiente os ruídos do exterior. Nas versões mais completas, um sistema de amortecimento controlado por câmera “lê” a via a 25 metros à frente e ajusta a firmeza da suspensão conforme a necessidade.
Por dentro, os bancos dianteiros também chamam atenção pelo refinamento. Além de ajustes elétricos, aquecimento e ventilação, as poltronas oferecem massagem, com diferentes programas para montar uma experiência personalizada. O apoio lateral tem regulagem para se adequar a diferentes biotipos. E, como extra, há aquecimento na região do pescoço, algo apresentado como inédito em um carro fechado.
A DS N°8 entrega acabamento caprichado
Outro pilar do universo DS é a sensação de qualidade a bordo, e a N°8 quer jogar no topo do segmento. Em imagens, a execução já é bastante convidativa, com materiais bem selecionados. Nas versões mais simples, a cabine usa couro sintético; já as configurações mais altas podem trazer Alcantara azul ou couro Nappa com costura no estilo “pulseira de relógio”. Os apliques também parecem estar à altura da proposta.
Os painéis de porta podem ser revestidos em couro ou Alcantara, enquanto o painel adota alumínio, que pode ter acabamento acetinado/pontilhado na versão Jules Verne. Os detalhes em guillochê no padrão “pregos de Paris” aparecem no contorno das saídas de ar e também nos raios do volante em formato de X. A verificação “ao vivo” ainda fica para o teste, embora exista a suspeita de plásticos mais simples nas áreas inferiores - algo difícil de evitar e comum também entre concorrentes.
A DS N°8 fica apenas em uma arquitetura 400V
Aqui está, talvez, o tema mais controverso da DS N°8: o uso de uma plataforma elétrica de 400V. Enquanto um número crescente de marcas premium migra para 800V, geralmente associado a maior eficiência em recarga rápida, a DS mantém a arquitetura 400V da base STLA Medium. A potência máxima em corrente contínua (DC) fica limitada a 160 kW, abaixo do que diversos rivais já entregam.
Isso significa que a N°8 está atrasada nesse ponto? A DS sustenta que o pico de potência, por si só, diz pouco e que o que realmente conta é manter uma boa potência média ao longo da sessão de carga. Nós fizemos o teste na prática em um carregador rápido da Ionity, em duas ocasiões: primeiro com o pré-condicionamento da bateria ativado e, depois, sem usar o recurso. A diferença é marcante.
Encontramos você neste domingo, às 11 horas, para conferir nossa avaliação completa da nova DS N°8!
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