A Volvo Cars mostrou preocupação com as tarifas provisórias adicionais de importação anunciadas pela União Europeia (UE) para carros elétricos produzidos na China.
O tema veio à tona na divulgação dos resultados do segundo trimestre, durante a sessão de perguntas e respostas, quando Jim Rowan comentou as novas taxas e os efeitos que elas podem trazer para a montadora.
Volvo EX30 no centro das tarifas da União Europeia (UE)
A apreensão não é por acaso: o EX30, que tem sido o principal motor do crescimento da Volvo em 2024 - e já aparece como o terceiro modelo elétrico mais vendido no mercado europeu -, é hoje o único carro da marca fabricado na China e comercializado na Europa.
Por isso, a discussão gira em torno de como as tarifas extras (no caso da Volvo, mais 19,9%) podem afetar tanto o desempenho do EX30 quanto os resultados da Volvo Cars de maneira mais ampla.
Rowan iniciou a análise dizendo que, em um “ambiente turbulento”, os números apresentados pela empresa foram bastante positivos, “o que já é um bom ponto de partida”.
Ainda assim, ele deixou claro que, mesmo com o cenário atual favorável, um aumento de tarifas sobre elétricos feitos na China pode virar um problema no curto prazo.
Produção do EX30 na Europa a partir de 2025
A montadora sueca já havia informado que pretende transferir a produção do EX30 para a Europa no fim do primeiro semestre de 2025, com fabricação em Gante, na Bélgica.
“Até conseguirmos começar a produzir o EX30 na Bélgica, vamos tentar perceber qual vai ser o impacto das tarifas no segundo semestre deste ano.”
Jim Rowan, CEO da Volvo Cars
Incertezas
Johan Ekdahl, diretor financeiro da Volvo Cars, reforçou o nível de incerteza. Segundo ele, embora “não seja possível quantificar ao certo o impacto exato destas tarifas, é claro que estas vão ter alguma influência”.
“Nós não conhecemos os resultados exatos destas tarifas, pois este é um diálogo que ainda está em curso com a Comissão Europeia.”
Johan Ekdahl, CFO da Volvo Cars
Mesmo com a forte demanda e com o EX30 registrando margens brutas muito positivas (20%), Rowan afirmou que “nós estamos a olhar para todas as opções disponíveis”, sem descartar um reajuste no preço do SUV elétrico. Em Portugal, o Volvo EX30 custa a partir de 39 554 euros.
Outras preocupações
Ainda sobre tarifas, Rowan também demonstrou inquietação com o Reino Unido - o segundo maior mercado europeu -, que até agora não definiu se seguirá ou não o mesmo caminho da UE, que aplicou as taxas de forma provisória.
Além desse tema, o CEO respondeu sobre o mercado chinês e a guerra de preços que continua no país. Para Rowan, o ambiente por lá “é muito turbulento e tem muito mais competição do que aquela que existia no passado.”
Mesmo assim, ele destacou que a estratégia da Volvo, principalmente para modelos elétricos, é evitar disputar o mercado de massa e manter o foco no segmento premium.
“Nós ficamos pelo segmento premium, o que nos permite sobreviver à turbulência, sendo que esta deverá durar entre 18 meses a dois anos”.
Jim Rowan, CEO da Volvo Cars
Rowan também citou outras tensões geopolíticas, como as eleições presidenciais nos Estados Unidos, além do aumento das tarifas de importação de baterias no país, que passaram de 7% para 25%.
Apesar disso, ele reforçou que, acima das preocupações do momento, “o importante é ter a certeza de que se tem uma cadeia de fornecimento resiliente.”
“Não dá para prever a turbulência na indústria automóvel, nem onde será, por isso, em vez de tentar adivinhar, temos de garantir que dispomos de uma cadeia de abastecimento mais resiliente do que tínhamos antes.”
Jim Rowan, CEO da Volvo Cars
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