A discussão sobre mobilidade - e, principalmente, sobre o que vem pela frente - segue rendendo debate, mas as respostas costumam ser pouco objetivas e, muitas vezes, difíceis de colocar em prática.
Defende-se mais transporte público, táxis, aplicativos de mobilidade como a Uber, além de bicicletas e patinetes elétricos. Ainda assim, como ficou evidente há pouco tempo com a proposta da “reforma ambiental” do IUC - que acabou sendo retirada -, o carro particular continua a ocupar um lugar central na mobilidade de hoje e, ao que tudo indica, também na de amanhã.
O carro particular e o custo de manter a mobilidade
O anúncio da proposta do IUC levantou várias dúvidas sobre a capacidade das pessoas de comprar um carro e/ou de continuar mantendo o próprio veículo em Portugal. Adquirir e sustentar um carro está cada vez mais caro - um movimento que não se limita às fronteiras do país.
Para quem não consegue acompanhar essa nova realidade, restam pouquíssimas alternativas. E muitas das opções citadas acima têm algo em comum: só existem em número e, talvez, em qualidade suficientes nos centros urbanos. Quem vive fora deles acaba com poucas (ou nenhuma) escolha além do automóvel.
Foi nesse contexto que, no Web Summit - evento em que a Razão Automóvel esteve presente -, surgiu uma questão direta: “Como é que se consegue dar a todos acesso fácil e barato à mobilidade”. A solução pode passar por deixar de comprar carro, mas sem retirar o automóvel da equação da mobilidade do futuro?
O que é proposto?
É aqui que entram duas propostas apresentadas pelas empresas Bipi e InDrive. Para quem não conhece, embora atuem em frentes diferentes, as duas colocam como prioridade a facilidade e o custo da mobilidade para seus usuários.
O que elas sugerem não está tão distante de modelos que já existem, mas traz alternativas de mobilidade para locais onde ela é escassa, como mercados emergentes ou regiões menos populosas.
Bipi: ter carro sem comprar
Na Bipi, por exemplo, o cliente não precisa comprar um carro: ele assina um - algo que já vimos na Lynk & Co e, em parte, em outras marcas. Na prática, com um valor mensal, a pessoa passa a ter acesso a um carro, sem carregar o ônus de comprar, manter ou pagar o seguro do veículo.
InDrive: corrida com preço proposto pelo usuário
Já a InDrive oferece um serviço de transporte por aplicativo - como Uber ou Bolt -, mas com uma diferença importante: é o consumidor que propõe o preço da corrida, e esse valor pode ser negociado com o motorista. Ou seja, ao contrário de outros aplicativos, na InDrive não é o algoritmo que define tudo; é o usuário.
A proposta funciona? A InDrive já opera em mais de 650 cidades de 48 países, incluindo regiões como o sudeste asiático e o continente africano.
Mobilidade do futuro, serviços e mudança de mentalidade
Será que a mobilidade do futuro passa por não comprar carros e aderir apenas a esse tipo de serviço? Cada vez mais, as alternativas criadas para impulsionar tanto a mobilidade quanto a sustentabilidade não dependem de adquirir um veículo próprio.
Além disso, muitas cidades ao redor do mundo já começaram a implementar medidas para reduzir a quantidade de carros dentro de seus limites - e Lisboa é uma delas.
Mas, como apontam os responsáveis por essas empresas, talvez um dos maiores desafios para tornar a mobilidade do futuro mais acessível e sustentável seja mudar a mentalidade das pessoas: valorizar o acesso à mobilidade (majoritariamente via um smartphone) mais do que a compra individual.
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