Só fica o lamento pela rapidez deste primeiro contato. O novo Porsche Panamera tem tudo para ser um dos melhores sedãs do mundo
A Porsche apresentou há pouco tempo a nova geração (a terceira) do Panamera, e nós já fomos ver de perto o que mudou.
O bom desempenho comercial do Taycan chegou a levantar dúvidas sobre o futuro do Panamera - até porque ele pode ser, sem exagero, um concorrente interno importante. A marca, porém, tratou de encerrar o assunto: a terceira geração ganhou argumentos de sobra para se manter relevante, pelo menos, até o fim da década.
Tive a chance de dirigir, em estrada, uma unidade de pré-produção do novo Panamera nos arredores do Porsche Experience Center de Leipzig, na Alemanha, literalmente ao lado da fábrica onde esse sedã é produzido. Saí impressionado com o quanto ele evoluiu.
Antes de falar da dinâmica ao volante, vale lembrar que o modelo passou por mudanças relevantes por fora e por dentro, seguindo a linha do que vimos recentemente no novo Cayenne.
Para conferir tudo o que mudou no novo Porsche Panamera, por fora e por dentro, assista ao vídeo abaixo, em que mostro as principais novidades e detalhes do habitáculo:
Até esquecemos do peso e do tamanho…
Agora, sim: instalado no lugar mais cobiçado - atrás do volante do novo Porsche Panamera -, só posso lamentar que este primeiro contato (vale reforçar: com um carro de pré-produção e ainda camuflado) tenha sido tão curto, com cerca de 20 km.
É pouco para um veredito definitivo, mas suficiente para que a primeira impressão ao volante do novo sedã da Porsche fosse muito positiva.
Até porque, mesmo curto, o percurso foi bem variado e permitiu experimentar cenários diferentes e algumas soluções técnicas - incluindo a nova suspensão ativa. Mas já chego lá.
Antes, é preciso olhar para as motorizações que formam a gama do novo Panamera.
Motor V8 sempre eletrificado
Como eu já tinha mencionado no artigo de apresentação do modelo, a Porsche apostou em duas motorizações “nobres”, com seis ou oito cilindros em “V”.
O V6 biturbo de 2,9 l pode ser oferecido sem assistência elétrica, com tração traseira ou integral, embora também exista a possibilidade de associação a um sistema híbrido plug-in (PHEV). Nesse acerto, entrega 354 cv de potência e 500 Nm de torque máximo (mais 23 cv e 50 Nm que o antecessor).
Disponível como Panamera (tração traseira) e Panamera 4 (tração integral), o seis cilindros em “V” acelera de 0 a 100 km/h em 5,1s e atinge 272 km/h de velocidade máxima. No Panamera 4, o mesmo sprint é feito em 4,8s e a máxima fica em 270 km/h.
Já o 4.0 V8 (com dois novos turbocompressores) passa a existir apenas em configuração eletrificada - sozinho, entrega 519 cv - e, na fase inicial de lançamento, será oferecido somente como Panamera Turbo E-Hybrid.
Por enquanto, ele será a única variante híbrida plug-in disponível - há outras três planejadas - e combina o V8 com um novo motor elétrico de 140 kW (190 cv), integrado à nova caixa PDK de oito marchas. Esse motor elétrico, por sua vez, trabalha com uma nova bateria de 25,9 kWh (e 300 kg) de capacidade (antes era de 17,9 kWh).
Desse “casamento” nasce um sistema híbrido plug-in com 500 kW ou 680 cv de potência máxima combinada e 930 Nm de torque máximo - números que fazem o Porsche Panamera Turbo E-Hybrid ir de 0 a 100 km/h em 3,2s e chegar a 315 km/h de velocidade máxima.
Não deu para testar tudo, mas…
…o que foi possível avaliar deixou uma impressão excelente. Foi justamente o Panamera Turbo E-Hybrid, o mais potente, que tive a oportunidade de dirigir. E ele começa a convencer já no instante em que “acordamos” o nobre e forte V8.
No modo elétrico, o funcionamento é macio e muito silencioso, com o motor elétrico oferecendo potência mais do que suficiente para “navegar” em ritmo confortável no uso urbano.
Outro ponto que me agradou nesse modo é que, ao aliviar o acelerador, o carro parece entrar em roda livre, perdendo pouca velocidade, enquanto ainda consegue recuperar energia.
Quando o V8 entra em ação, a disponibilidade do conjunto completo é impressionante. As acelerações são fortes, “cheias” e muito progressivas - o que se mostrou uma grande vantagem quando comecei a acelerar… e aquela curva mais fechada ainda nem tinha terminado.
A forma como ele consegue colocar todo o torque no asfalto chega a viciar, e o impulso que senti ao usar todo o curso do acelerador é visceral.
De volta às curvas, foi fácil esquecer que eu estava guiando um carro com mais de cinco metros de comprimento (5,05 m) e quase 2,5 toneladas (nesta versão), tamanha a naturalidade com que tudo acontece.
E isso me leva diretamente à nova suspensão ativa, que acaba sendo uma das maiores novidades do Porsche Panamera 2024 - e o grande destaque deste primeiro contato.
Vale lembrar: de série, o Panamera traz suspensão pneumática adaptativa, com uma mola pneumática de duas câmaras e um amortecedor com duas válvulas eletromagnéticas, permitindo controlar compressão e extensão.
Como opcional, surge o novo Porsche Active Ride, sistema que usa uma mola pneumática de uma câmara e um amortecedor com duas válvulas, com cada amortecedor ligado a uma bomba que ajusta a pressão do fluido hidráulico.
São quatro bombas - uma por roda - e cada uma é acionada por um pequeno motor elétrico de 5 kW, capaz de gerar até 150 bares de pressão em apenas 20 milissegundos.
Na prática, isso permite que a suspensão compense, de forma muito rápida e muito eficiente, os movimentos e forças da carroceria, adaptando seu funcionamento conforme a situação e o modo de condução selecionado.
Nos modos Comfort ou Hybrid, o foco é conforto e maior estabilidade em curva, ao mesmo tempo em que o sistema absorve irregularidades do piso com uma competência notável.
Já nos modos Sport e Sport Plus, a proposta muda: aqui, a missão é garantir o máximo de eficiência em curvas e, principalmente, elevar o desempenho.
Para isso, é fundamental controlar as transferências de massa - e é exatamente aí que a suspensão e o chassi brilham, o que me faz reconhecer o tempo e o esforço que a Porsche investiu no desenvolvimento desses dois componentes-chave.
Os engenheiros da Porsche fizeram… magia!
Muito desse trabalho é “invisível”, porque eu nem chego a pensar no que está acontecendo para contornar curvas na velocidade em que estou, ou no fato de parecer que o carro flutua como se estivesse sobre uma nuvem de algodão, mesmo quando o asfalto não está perfeito. Em algumas situações, porém, a magia dessa suspensão fica evidente.
Em acelerações e frenagens fortes, por exemplo, a altura em relação ao solo nos dois eixos se mantém, com a suspensão nivelando a carroceria no sentido longitudinal: quando acelero forte, a frente baixa; quando freio forte, a frente sobe.
Em curvas, acontece algo semelhante. A partir de 70 km/h, ao virar à direita, sinto a carroceria elevar justamente desse lado, para contrariar a força. Ao virar à esquerda, é o lado esquerdo que sinto subir.
As primeiras curvas e as primeiras acelerações/frenagens ao volante do novo Porsche Panamera são, sim, um pouco estranhas - não dá para negar -, porque a sensação é totalmente diferente da de um carro “normal”.
Mas bastaram cinco minutos para eu me render ao que estava acontecendo. Durante os 20 km deste primeiro contato, devo ter repetido duas ou três vezes que esta é “uma suspensão mágica”. Acho que isso resume tudo…
E a autonomia e os consumos?
Naturalmente, este contato foi curto demais para chegar a conclusões sobre autonomia em modo elétrico - a marca indica entre 76 km e 91 km no ciclo combinado WLTP.
O mesmo vale para o consumo, que variou bastante. Em modo Sport Plus, rodei quase sempre acima de 11 l/100 km, mas a média final combinada foi de 7,4 l/100 km.
Quanto custa?
O novo Porsche Panamera já pode ser encomendado e chega a Portugal em março de 2024, com preços a partir de 134 341 euros.
Já o Turbo E-Hybrid, que é o mais potente da linha nesta fase de lançamento, começa em 206 824 euros.
Quem investe esse valor em um sedã executivo espera, em troca, um carro com presença sofisticada e marcante, interior elegante com materiais de alta qualidade e, por ser um Porsche, dinâmica de condução fora de série.
O novo Porsche Panamera parece entregar exatamente esse pacote. Pelo menos foi essa a sensação com que voltei deste primeiro contato em Leipzig. Agora, resta esperar por um teste mais completo para conclusões mais definitivas.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário