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Lucid Air Sapphire: o sedã mais potente e mais caro do mundo - vale o preço?

Carro elétrico azul modelo Sapphire em ambiente moderno com janelas amplas e piso refletivo.

O Lucid Air Sapphire não é apenas o sedã mais potente do planeta - também é o mais caro. A dúvida é simples: tantos cavalos valem mesmo o preço?


A Lucid tem uma queda evidente por números de cair o queixo. A cada lançamento, a marca consegue provocar aquela sensação de “isso não pode ser real” - e o Lucid Air Sapphire segue exatamente essa lógica.

Com 920 kW (1251 cv) de potência, 1940 Nm de torque e velocidade máxima de 330 km/h, trata-se de um nível de desempenho que só uma minoria absoluta de pessoas vai experimentar de verdade - entre elas, alguns pilotos de F1.

Embora esteja à venda nos Estados Unidos desde 2021, dirigir um Lucid Air em território americano chama atenção de um jeito parecido com descer a Avenida da Liberdade montado num elefante rosa usando um biquíni de bolinhas.

E não é tanto por medir 5 metros de comprimento - apenas seis centímetros menor que o novo BMW Série 5 -, mas principalmente pelas linhas futuristas, quase de OVNI, que fazem dois em cada três pescoços virarem por onde ele passa.

Para quem entende, meio “olhar” resolve…

Não é tão simples identificar a versão mais extrema do Lucid Air Sapphire em relação às variantes “de entrada” (se é que dá para chamar assim…), a menos que a pessoa seja realmente especialista no assunto.

As alterações do Sapphire não saltam aos olhos. E, se já é difícil notar que a carroceria ficou pouco mais de dois centímetros mais larga na dianteira e na traseira, imagine o resto.

Ainda assim, sem depender demais da nossa vista, dá para citar itens do pacote esportivo que a pintura azul-escura metalizada ajuda a disfarçar. Entre eles estão pequenos apêndices aerodinâmicos na frente (uma saia mais baixa) e atrás, as saias laterais e as inserções em fibra de carbono.

O Lucid Air ainda “cheira a novo”

Por dentro, tudo transmite uma impressão forte de acabamento e qualidade. O revestimento combina Alcantara em cinza-escuro - chamada Mojave - com costuras azuis, além do couro dos bancos, que oferecem bom apoio lateral, e algumas aplicações em determinados painéis.

Não há teto panorâmico porque a Lucid preferiu não adicionar peso ao carro; em vez disso, escolheu uma seção superior da carroceria em alumínio, ajudando a baixar o centro de gravidade.

O painel de instrumentos é formado por uma tela de 34” semelhante à da versão Grand Touring (GT), onde ficam organizadas as informações mais ligadas à condução.

O toque responde rápido, os gráficos têm boa definição e apenas alguns menus não se mostram totalmente intuitivos nas primeiras vezes. Sente falta de um head-up display e, como acontece com essas telas que tomaram os carros modernos “de assalto”, as marcas de dedo aparecem fácil depois de pouco tempo.

O ar-condicionado ainda conta com comandos físicos; por outro lado, para ajustar a posição de dirigir ou os retrovisores externos, é preciso ficar “garimpando” opções pelos menus (são os novos tempos)…

Mais ao centro e em posição inferior, existe uma tela independente no console central que, ao ser tocada na borda de baixo, se recolhe e libera acesso a pequenas prateleiras para objetos. Sofisticado e útil.

O espaço para as pernas é amplo, mas a altura atrás fica condicionada pela linha descendente do teto sobre o banco traseiro e pelo volume ocupado pela enorme bateria sob o habitáculo.

O porta-malas entrega interessantes 650 litros, mas a grande surpresa está no enorme frunk sob o capô. Ele adiciona 280 litros ao volume total de bagagem, e sua abertura pode ser acionada eletricamente.

Mais de 1250 cv e 0 a 100 km/h em 2,1s…

Como já foi dito no começo, o Lucid Air Sapphire oferece nada menos que 1251 cv e 1940 Nm enviados às rodas por meio de três motores elétricos. O efeito de pisar fundo com esse nível de força é algo que não dá nem para imaginar direito - só vivenciando.

Mesmo rodando a 120 km/h, quando você acelera com tudo, a pancada é tão intensa que chega a parecer que o carro estava parado no instante em que você começou.

Comparado ao GT de “apenas” 830 cv - que atinge 270 km/h e faz 0 a 100 km/h em 3s -, o Sapphire deixa claro que não veio para brincadeira. Por isso, foi conveniente a Lucid conseguir fechar uma rua e, por algumas horas, livrá-la das regras normais do trânsito.

Essa sensação de ser arremessado dentro de um projétil com rodas costuma ser mais comum em carros de corrida muito leves e muito potentes. Só que, aqui, estamos falando de um veículo que pesa quase 2,5 toneladas, tem quatro portas e ainda oferece espaço suficiente para a família toda (incluindo animais de estimação).

É um sedã de luxo - um dos mais potentes e rápidos - com tudo o que isso traz: poltronas climatizadas com ar aristocrático na frente e atrás, ajustes elétricos para praticamente tudo e um espaço interno que parece não ter fim… enfim, nada fora do esperado para esse segmento.

E, do que o Sapphire entrega em sensação (e até emoção), falta vocabulário para descrever… não é só o rosto que se deforma. É difícil entender a “razão de existir” de um nível de aceleração assim num carro.

Sapatos feitos à medida

No uso normal do dia a dia, a versão de topo não se comporta de forma radicalmente diferente dos outros Lucid Air. O que se percebe é um rodar mais firme, resultado de acertos mais rígidos em buchas, molas e amortecedores (além de barras estabilizadoras mais grossas), mas também do conjunto de pneus ainda mais esportivo: 265/35 R20 na frente e 295/30 R21 atrás, fundamentais para manter o carro sob controle em curvas feitas a velocidades mais ousadas.

Os Michelin Pilot Sport 4S foram desenvolvidos pela marca francesa especificamente para o Sapphire, com um composto de borracha diferente no centro (mais duro, para favorecer a estabilidade) e nos ombros (mais macio, para aguentar as forças brutais geradas nas curvas).

Com a arquitetura de três motores - um na dianteira e dois na traseira -, o Sapphire consegue fazer vetorização de torque da frente para trás e da direita para a esquerda (no eixo traseiro). Em outras palavras, ele reproduz, de certa forma, o papel de um diferencial traseiro eletrônico autoblocante.

A vetorização de torque amplia as capacidades do carro muito além do que um sistema passivo de tração integral consegue oferecer. Na prática, a dupla unidade traseira consegue “girar” a traseira do veículo, como se combinasse um sistema que usa os freios com um eixo traseiro direcional - só que tudo acontece mais rápido, em silêncio e de forma contínua.

Em relação ao GT, esse segundo motor traseiro se traduz numa condução esportiva muito mais eficiente.

No limite da loucura

Até mesmo um motorista experiente sente uma entrega de potência que parece inverossímil, e quase sem perda de aderência ou derrapagens (no asfalto seco). É o tipo de coisa que desafia o bom senso.

Um dos trunfos da poderosa unidade de controle é conseguir executar até mil cálculos por segundo (ou um a cada milésimo de segundo), para que tudo aconteça como se o carro andasse sobre trilhos.

Há vários modos de condução que mexem com a resposta da vetorização de torque, a potência e o amortecimento: “Smooth” (Suave), que funciona como um “Normal” ou “Comfort”, “Swift” (Rápido), equivalente a um “Sport”, “Sapphire” (Safira), que seria o “Sport +”, e “Track” (Pista), que tem três subconfigurações:

  • Drag Strip (aceleração otimizada para 400 metros que podem ser feitos em 9,3 segundos);
  • Hot Lap (volta muito rápida);
  • Endurance (resistência).

Esses três últimos foram pensados para entregar pico de potência no primeiro caso; manter a potência o mais alta possível por cerca de seis minutos - com base numa volta no circuito Virginia Raceway (5,26 km) - no segundo; e, no último, sustentar um desempenho máximo otimizado por entre seis a oito voltas nesse mesmo circuito.

O sistema de freios foi projetado para lidar com uma massa grande, que pode se deslocar a velocidades absurdas. Atrás das rodas estão enormes discos carbocerâmicos: 420 mm de diâmetro na dianteira e 390 mm na traseira, com pinças de dez pistões na frente e quatro atrás. Não surpreende, portanto, que o Sapphire precise de apenas 46 metros para parar completamente, medidos a partir de 113 km/h.

20 minutos enchem o “tanque”

Para quem tem menos “vértebras de piloto” e prefere valorizar a tecnologia mais avançada aplicada à propulsão elétrica, talvez seja mais relevante saber que a bateria de 118 kWh garante autonomia WLTP de 620 km e que, graças à arquitetura de 900V, são necessários menos de 20 minutos para “encher o tanque” com energia suficiente para mais 400 km de estrada.

Ainda nesse ponto, os números do Lucid Air Sapphire deixam em situação desconfortável possíveis rivais de alto pedigree - como BMW i7 ou Mercedes EQS -, que pouco podem fazer além de assobiar e olhar para o lado.

Não disponível em Portugal

Este modelo não está à venda em Portugal. Mesmo assim, já é comercializado em outros países europeus, como a Alemanha, onde seu preço gira em torno de 250 mil euros.

Veredito

Especificações técnicas

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