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Climáximo protesta na Thales em Paço de Arcos e pinta fachada com “Genocida”

Manifestantes com máscaras e coletes laranjas em protesto ambiental lançam tinta vermelha na frente de prédio espelhado.

Protesto do Climáximo na Thales em Paço de Arcos

A sede da empresa de armamentos e tecnologia Thales, em Paço de Arcos, foi alvo nesta segunda-feira de um protesto organizado por apoiadores do movimento Climáximo. Durante a ação, ativistas jogaram tinta vermelha no prédio e escreveram a palavra “Genocida” na fachada, como forma de denunciar o que chamam de “imperialismo fóssil” e o avanço da militarização na sociedade.

A manifestação ocorreu nas primeiras horas da manhã. Uma fonte da PSP de Oeiras confirmou ao Expresso que a polícia foi acionada por volta das 7h05 e constatou danos na fachada do edifício, mas não encontrou participantes do protesto no local.

Guerra, combustíveis fósseis e a crise climática

Ouvida pelo Expresso, a ativista Daniela Subtil - formada em Relações Internacionais e Alterações Climáticas - afirmou que o objetivo foi evidenciar a conexão entre indústria militar, combustíveis fósseis e guerras. De acordo com o coletivo, a Thales “lucra diretamente com a guerra” e mantém relações com empresas do setor de defesa, incluindo a israelense Elbit Systems, alvo frequente de críticas de movimentos pró-palestinos pelo uso de equipamentos militares em Gaza. Para o movimento, o modelo econômico atual é “um sistema de guerra que está a destruir as condições necessárias à vida humana”. A ativista também defendeu a mobilização popular para conter o agravamento da crise climática e dos conflitos internacionais.

Daniela Subtil reforçou, ainda, o peso ambiental da indústria militar e argumentou que os exércitos “são contribuintes diretos para as alterações climáticas”, devido ao grande consumo de combustíveis fósseis, às emissões de gases de efeito estufa e à liberação de substâncias tóxicas nos territórios onde atuam. Com base em dados do relatório da organização Transition Security, ela apontou que o exército dos Estados Unidos é considerado “o maior emissor institucional de carbono do planeta”, com emissões em patamares comparáveis aos de países europeus de porte médio. Em escala global, acrescentou, as emissões ligadas às forças militares somam cerca de 5,5% das emissões mundiais - volume equivalente ao do quarto maior emissor nacional do planeta, a Rússia.

Militarização de fronteiras e críticas à Thales

Integrantes do Climáximo também atribuem à empresa um papel determinante na militarização das fronteiras europeias. Segundo o coletivo, tecnologias desenvolvidas pela Thales alimentariam políticas de vigilância, repressão e controle migratório. Em nota enviada às redações, o grupo descreve a companhia como “um pilar” da expansão de políticas bélicas e do crescimento da extrema-direita internacional.

Filipe Antunes, estudante de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e participante da ação, declarou que a “guerra moderna é dependente dos combustíveis fósseis” e responsabilizou grandes empresas militares por contribuírem ao mesmo tempo para conflitos armados e para a crise climática. Na avaliação do ativista, os “combustíveis fósseis são um multiplicador da capacidade bélica” e estariam por trás de disputas por recursos naturais. Citado pelo movimento, ele também acusou a Thales de lucrar diretamente “com a morte de milhares de pessoas” e de fazer parte de um modelo econômico “indissociável dos combustíveis fósseis”.

Investimentos, proposta de “Serviço Nacional do Clima” e próximos atos

O coletivo ainda critica os aportes públicos e privados na indústria militar e argumenta que esse dinheiro deveria ser destinado a políticas ambientais e sociais. Entre as medidas defendidas está a criação de um “Serviço Nacional do Clima”, voltado a conduzir a transição energética e a fortalecer áreas como cuidados, assistência social, saúde, educação, alimentação e moradia. Para o movimento, os milhões investidos em armamentos e combustíveis fósseis deveriam ser direcionados a serviços públicos e à adaptação climática.

“Se não desmantelarmos os combustíveis fósseis, não só não vamos conseguir travar os conflitos atuais como estes se vão multiplicar e escalar em guerras por acesso a comida e água”, afirma o coletivo no comunicado divulgado nesta segunda-feira.

A ação desta manhã faz parte da “Semana de luta pelo Futuro”, organizada pelo Climáximo. O movimento também convocou uma concentração pacífica para o próximo dia 15 de maio, às 18h30, em frente à sede do Governo, em Lisboa, com música e uma assembleia popular.

Texto de Jéssica Cristóvão, editado por Rita Costa

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