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UE fecha acordo para proibir serviços de IA que “despem” pessoas sem consentimento

Pessoa acessando site com imagem de mulher com círculo vermelho de proibição, bandeira da União Europeia ao fundo.

Os Estados-membros e o Parlamento Europeu fecharam um acordo na noite de quarta-feira para banir, na União Europeia (UE), serviços de inteligência artificial (IA) capazes de “despir” pessoas sem que elas tenham dado consentimento.

Contexto: a funcionalidade do Grok no X e a reação na UE

A decisão ganhou força depois que, alguns meses atrás, surgiu no Grok - o assistente de IA da rede social X - um recurso que permitia aos usuários pedir a criação de montagens hiper-realistas (os chamados “deepfakes”) com adultos e crianças nus a partir de fotos reais, sem autorização.

O episódio provocou revolta em diversos países e levou a UE a abrir uma investigação.

Na terça-feira, a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, criticou duramente imagens falsas de si mesma geradas por IA e classificou os “deepfakes” como uma “ferramenta perigosa”.

O que a nova proibição cobre (imagens, vídeos e sons pornográficos)

Segundo o Parlamento Europeu, a proibição mira sistemas que consigam produzir imagens, vídeos e áudios de caráter pornográfico envolvendo crianças, bem como representações das partes íntimas de uma pessoa identificável - ou ainda imagens dessa pessoa em atividade sexual - quando tudo isso é gerado sem consentimento.

As novas regras passam a valer em 2 de dezembro. A partir dessa data, sistemas de IA deverão incluir medidas de segurança para impedir a geração desse tipo de conteúdo.

Revisão da Lei da IA e adiamento para sistemas de alto risco

A medida foi aprovada no contexto de uma revisão da legislação europeia sobre IA, conhecida como Lei da IA - um marco pioneiro que havia sido formalmente aprovado há dois anos.

Na mesma rodada de negociações, os 27 Estados-membros e os eurodeputados também concordaram, como propôs a Comissão Europeia, em adiar a entrada em vigor de novas regras voltadas à regulação dos chamados sistemas de IA de alto risco - isto é, os que atuam em áreas sensíveis, como segurança, saúde ou direitos fundamentais. Essas regras deveriam começar a valer já em agosto, mas a Comissão decidiu conceder mais tempo para que as empresas se adaptem ao novo quadro.

A principal diferença em relação ao plano apresentado pela Comissão é que Estados-membros e eurodeputados definiram datas fixas para o adiamento, enquanto Bruxelas defendia um cronograma mais flexível.

As novas datas são 2 de dezembro de 2027 para sistemas “autônomos” de alto risco e 2 de agosto de 2028 para sistemas incorporados a outros programas ou produtos.

Novo debate sobre riscos: o modelo Mythos, da Anthropic

O entendimento foi alcançado num momento em que as preocupações com os riscos ligados à IA voltaram ao centro do debate na UE nas últimas semanas, após o surgimento do Mythos, novo modelo da startup norte-americana Anthropic.

A Anthopic optou por não liberar o Mythos ao público em geral, restringindo o acesso a um grupo seleto de empresas dos Estados Unidos, devido à capacidade excepcional do modelo de identificar vulnerabilidades críticas de programação - algo que poderia desencadear uma crise de cibersegurança.

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