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Dia Mundial da Criança: carros e gadgets, ontem e hoje

Carro esportivo elétrico vermelho em ambiente interno claro com brinquedos ao fundo e placa "DREAM KID".

Neste Dia Mundial da Criança, não consigo evitar pensar na época em que a minha mãe gostava de lembrar quais eram as duas coisas que me deixavam verdadeiramente obcecado: rodas e botões. Em outras palavras, o meu mundo girava em torno de carros e de gadgets de todo tipo, tamanho e formato.

Passaram-se muitos anos - ou, sendo mais honesto, décadas - e hoje enxergo essa lembrança por outro ângulo. Agora sou eu quem está do lado dos pais, com crianças em casa, e a data acaba virando o pretexto perfeito para colocar duas infâncias lado a lado.

Dia Mundial da Criança e as minhas paixões: rodas e botões

A paixão por automóveis, essa, continua firme. Só que tenho a sensação de que ela é "sentida" de um jeito diferente. A forma como a gente chega à informação mudou por completo: hoje tudo está a um toque de distância, algo que simplesmente não existia quando eu era criança.

Naquele tempo, a gente precisava imaginar as linhas de um carro, sonhar com detalhes como as portas que abrem para cima de um Lamborghini e alimentar a curiosidade com o que desse para ver e ler. Agora, basta abrir o YouTube para assistir, em poucos minutos, a praticamente qualquer coisa que desperte interesse.

Internet, YouTube e a mudança no jeito de sonhar com carros

De fato, foi só eu fazer uma busca rápida no Google para encontrar - no eBay - um pôster igual ao que eu tinha quando era pequeno: um Lamborghini Countach S de 1984, visto de perfil. Na época, ele era, para mim, o carro perfeito em tudo.

Já no quarto do meu filho a história foi bem diferente. Havia um quadro com o desenho de um Opel Speedster e, quando tiramos do lugar, ele nem percebeu. Ao mesmo tempo, é quase impossível andar pela casa sem esbarrar em um dos inúmeros Hot Wheels espalhados por todo canto. E o mais curioso é que ele sabe todos de cor - assim como sabe as cartas de Pokémon e um monte de outras coisas que eu, admito, nem sei direito o que são.

Antes dos carros "a sério"

No meu quarto, antes de ele ser "invadido" por itens mais tecnológicos, havia praticamente só carros, porque eu quase não me interessava por mais nada. As minhas primeiras tentativas de estacionar, por exemplo, aconteceram com miniaturas 1:18 da Bburago, que já viravam as rodas. E, claro, com uma regra inegociável: nada de empurrar o carrinho para fazer "batota". Manobra era manobra - tinha de ser feita direito.

Hoje, o que eu vejo como diversão é outra coisa: deixar os carrinhos descerem uma rampa e saírem deslizando, provocar uma colisão em pleno voo ou fazer com que sejam engolidos por um dinossauro. Também tem as brincadeiras em que eles mudam de cor conforme a temperatura da água ou, simplesmente, ficam rodando sozinhos no mesmo lugar, com luzes e sons estridentes, do jeito de um Transformer.

Quando eu era criança, o encanto estava na máquina em si: o som do motor, a sensação de velocidade, a forma como a carroceria parecia se mover. Existia um respeito enorme pelo automóvel, pela presença que ele tinha e pelo estilo que carregava. Talvez o que mais se aproxime disso, hoje, seja a coleção que ainda guardo, com alguns dos meus carros de sonho… também na escala 1:18. Junto com livros e várias outras coisas - até demais, provavelmente.

O que eu sinto, agora, é que a ligação com um modelo específico está muito mais amarrada ao que algum YouTuber mostra, e que o principal virou o preço do carro, não aquilo que ele representa. E, em muitos casos, infelizmente, o veículo ainda acaba sendo decorado - ou até destruído - de um jeito tão absurdo que, sinceramente, deveria ser proibido.

Crianças ainda sonham com automóveis? Sem dúvida, mas… é diferente. De todo modo, fica a minha promessa: com as crianças daqui de casa, vou fazer tudo o que eu puder para transmitir essa paixão. Se eles vão querer sonhar com ela ou não, aí já é com eles…


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