As relações entre a União Europeia (UE) e a China perderam o tom diplomático depois da aprovação de tarifas de importação bem mais altas para veículos elétricos fabricados em território chinês.
A medida não atinge apenas as montadoras chinesas. Ela também respinga em marcas europeias, já que vários modelos elétricos de fabricantes do continente são produzidos na China - confira a lista indicada mais abaixo.
Para entender o que está em jogo, o que pode mudar a partir de agora e de que forma a China e as marcas impactadas devem reagir, acompanhe o Auto Rádio desta semana, o podcast da Razão Automóvel com apoio do Piscapisca.pt.
Neste episódio, além de Guilherme Costa e Fernando Gomes, o convidado é Pedro Silva, diretor e fundador da revista Auto Drive, para debater o assunto que tem pautado a indústria automotiva nas últimas semanas.
Investigação da Comissão Europeia
O aumento das tarifas de importação sobre carros elétricos produzidos na China é resultado direto da investigação aberta pela Comissão Europeia (CE) no ano passado.
O processo, que só será concluído no próximo mês de novembro, busca apurar se os elétricos importados da China recebem ou não subsídios do governo chinês - tanto na fase de desenvolvimento quanto na etapa de produção. E os indícios apontam que recebem, sim.
Para a CE, essas subvenções geram uma vantagem competitiva relevante diante dos elétricos fabricados na Europa, constituindo “uma ameaça de prejuízo previsível e iminente para a indústria da UE”, como foi mencionado em comunicado.
Por isso, Bruxelas optou por avançar com novas tarifas de importação, que podem chegar a 38,1%, com ativação já no próximo dia 4 de julho. Vale reforçar, porém, que se trata de tarifas provisórias: as definitivas só serão anunciadas depois do encerramento da investigação, em novembro. Também é importante destacar que, caso UE e China cheguem a algum tipo de entendimento até 4 de julho, essas tarifas de importação podem simplesmente “ficar na gaveta”.
Como fica claro no Auto Rádio desta semana, não há interesse em escalar para uma guerra comercial entre os dois blocos. Até porque, no fim, quem tende a sair mais prejudicado é o consumidor: tarifas de importação mais altas devem, previsivelmente, deixar os carros mais caros.
Que marcas e modelos vão ser afetados?
Outro ponto que chama atenção nas novas tarifas de importação para elétricos “made in China” é que elas não são iguais para todas as montadoras. Isso acontece porque a CE decidiu aplicar percentuais maiores ou menores conforme o nível de cooperação das empresas envolvidas na investigação.
Assim, vemos as tarifas irem dos 17,4% atribuídos à BYD até os 38,1% atribuídos à SAIC, grupo que controla a MG e a Maxus.
Mais uma vez, é essencial lembrar: não são só fabricantes chineses que entram nessa conta. Montadoras europeias e norte-americanas (Tesla) também são afetadas. Há diversas empresas que produzem seus modelos elétricos na China e os exportam para a Europa.
A seguir, fica a lista com as marcas atingidas e os respectivos modelos.
A lista de marcas e modelos é grande - e ainda faltam alguns, como os relacionados a veículos pesados -, mas, como você pode ver no Auto Rádio, já existem planos em andamento para contornar as novas tarifas de importação da UE.
Tudo indica que parte desses planos passa por transferir a produção de alguns modelos, como já foi anunciado para o Volvo EX30 e para o novo Mini Cooper elétrico.
Além disso, algumas montadoras chinesas já comunicaram a intenção de instalar fábricas no continente europeu. No caso da Leapmotor, o cenário muda a partir de setembro, graças à joint venture firmada com a Stellantis, que também levará a produção para a Europa.
Encontro marcado no Auto Rádio na próxima semana
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