Há algum tempo Jim Farley, CEO da Ford, vem mirando a Tesla com um discurso mais duro. Em outras ocasiões, por exemplo, ele já questionou a prática da marca de usar seus próprios clientes como “cobaias” para testar versões beta do sistema de direção autônoma.
Mais recentemente, Farley também apontou que a linha de produtos da fabricante estaria “envelhecida”, por não inovar na velocidade necessária. Para ele, essa crítica ganha ainda mais peso diante do avanço das montadoras chinesas - cenário que ajuda a explicar suas declarações mais atuais.
Jim Farley (Ford) e a experiência ao volante do Xiaomi SU7
No podcast Rapid Response, Farley contou que dirigiu por mais de seis meses o Xiaomi SU7, sedã chinês que o deixou bastante impressionado. Quando o editor-chefe da Fast Company, Bob Safian, perguntou por que ele não tinha escolhido um Tesla antes, a resposta veio sem rodeios.
“Se você é americano e quer vencer os chineses no setor automotivo, todos vão ter de prestar atenção e não necessariamente à Tesla. Não tenho nada contra a Tesla, têm feito um ótimo trabalho, mas eles não têm um veículo atualizado”, afirmou Farley.
BYD como referência
Farley não parou nessa comparação. O executivo da Ford foi além e colocou a BYD como o novo parâmetro da indústria, dizendo que ela é “a melhor do setor, em termos de custos e concorrência, cadeia de fornecimento, experiência de produção e propriedade intelectual no veículo”.
Na visão dele, a própria indústria automotiva chinesa já está ditando o que o público espera de um carro elétrico. Ele citou que BYD e Geely ultrapassaram a Volkswagen e se tornaram as marcas mais vendidas na China - e, para Farley, fingir que isso não está acontecendo seria um erro de estratégia.
A resposta de Musk
As falas rapidamente ganharam tração nas redes sociais, e Elon Musk respondeu pouco depois. Com confiança, o chefe da Tesla escreveu no X: “Isso é antes de o FSD Supervised ser aprovado na China. O fator limitante é a capacidade de produção em Xangai.”
Isto é antes de o FSD Supervised ser aprovado na China. O fator limitante é a capacidade de produção em Xangai.
- Elon Musk (@elonmusk) 19 de abril de 2026
Estratégias diferentes: preço e integração vertical vs. direção autônoma
A reação deixa claro que a Tesla está apostando em um caminho bem diferente. Enquanto Farley enxerga no preço (com foco em modelos mais baratos) e na integração vertical a chave para “derrubar” os rivais chineses, Musk sugere que quem sair na frente na corrida da direção autônoma na China não vai precisar competir principalmente pelo preço.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário