Capturar dióxido de carbono (CO₂) diretamente do escapamento enquanto o carro está rodando não é uma proposta inédita - mas, quando levada para um automóvel, ainda parece coisa de ficção científica. Mesmo assim, é exatamente nessa frente que a Mazda vem insistindo.
Para mostrar que há caminhos de redução de emissões além da eletrificação, a marca de Hiroshima voltou a levar o sistema “Mazda Mobile Carbon Capture” para um cenário extremo: a terceira rodada da Super Taikyu Series 2026, disputada em Fuji.
Como funciona o “Mazda Mobile Carbon Capture”
Desta vez, o foco não ficou apenas em retirar o dióxido de carbono presente nos gases do escapamento. O conjunto evoluiu ao conseguir também aprisionar o CO₂ em um material específico - a zeólita - e, na sequência, transferir esse conteúdo para um reservatório instalado no próprio veículo, evitando a liberação direta na atmosfera.
Em termos bem diretos, a lógica lembra uma esponja: primeiro ela “absorve” o dióxido de carbono e, em um momento posterior, “espreme” esse CO₂ para dentro de um tanque, onde o gás permanece armazenado.
Resultados em pista: de 84 g para 804 g de CO₂
A diferença entre as duas etapas de desenvolvimento aparece claramente nos números. No ensaio inicial, realizado em novembro de 2025, o sistema estava restrito à fase de captura e recolheu 84 gramas de CO₂.
Já no segundo teste, feito neste mês, a inclusão de um desumidificador, da função de desorção (processo de liberar o CO₂ previamente retido pelo material adsorvente, permitindo a sua recuperação) e de um tanque de armazenamento fez esse total subir para 804 gramas - quase dez vezes mais.
Acima das expectativas da Mazda
Mais importante do que a capacidade de manter o CO₂ capturado guardado foi o resultado geral divulgado pela Mazda. Segundo a fabricante japonesa, ao combinar o uso de combustível HVO (Óleo Vegetal Hidrotratado) - um substituto do diesel produzido a partir de fontes renováveis, como resíduos de óleos de cozinha e gorduras residuais - com o sistema de captura de CO₂, foi possível superar temporariamente a meta de recuperação de carbono planejada para futuros veículos de produção.
Ainda assim, é fundamental enxergar esses dados com contexto. Os números vieram de condições muito particulares de corrida, em provas de endurance nas quais o motor permanece por longos períodos sob alta carga.
A própria Mazda admite que ainda existem pontos em aberto. Até o momento, não foi concluído um balanço completo das emissões ligadas à fabricação, ao uso e à reciclagem de todo o sistema - algo decisivo para medir qual é, de fato, o impacto ambiental da solução.
Próximos passos na Super Taikyu Series
Mesmo com essas ressalvas, o teste serve como prova do potencial da tecnologia para reduzir as emissões de carbono em motores a combustão e, com base nos resultados, a marca entrou agora em uma nova etapa de desenvolvimento.
A ideia é seguir testando e refinando o conjunto em ambiente competitivo, usando a exigência dos carros de corrida como acelerador de evolução. O próximo marco já está definido: a Mazda voltará a avaliar o potencial de redução das emissões líquidas de CO₂ na 7ª rodada da Super Taikyu Series, programada para novembro deste ano.
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