Em 1979, a Aston Martin apresentou ao mundo o Bulldog. Era um protótipo de visual futurista - caracterizado por linhas angulares, superfícies planas e uma silhueta monovolume - e não poderia ser mais diferente dos Aston Martin daquela época.
E não se tratava apenas de um conceito para ficar parado em exposição: o Bulldog era um protótipo plenamente funcional, equipado com um V8 5.3 biturbo em posição central-traseira, entregando 600 cv (no dinamômetro, chegou a 700 cv).
Esse conjunto prometia empurrar o Bulldog até 237 mph ou 381 km/h, um número surreal para o período; os supercarros de então nem sequer alcançavam 300 km/h.
Havia planos para produzir 15 a 25 unidades do Bulldog, e a expectativa era de que ele fosse o primeiro do mundo a romper a “marca mágica” das 200 mph, o equivalente a 322 km/h.
Ambicioso?
Sem dúvida. Só que a realidade do primeiro teste dinâmico tratou de baixar o entusiasmo. No mesmo ano em que foi revelado, o carro passou por uma primeira sessão em pista e, embora tudo tenha corrido sem sobressaltos, a velocidade registrada ficou bem abaixo do prometido.
O Aston Martin Bulldog atingiu “apenas” 191 mph, o mesmo que 307 km/h.
O projeto acabaria cancelado em 1981, com a chegada de Victor Gauntlett ao comando da marca britânica. O desenvolvimento era, pura e simplesmente, caro demais.
Como referência, foi preciso esperar pelo Ferrari F40, em 1987, para que a barreira das 200 mph ou 322 km/h fosse alcançada - e só na década de 90 é que a marca das 240 mph ou 386 km/h seria atingida, com o McLaren F1.
Objetivo: 200 mph
O cancelamento, porém, não decretou o fim do único Aston Martin Bulldog construído. A marca o vendeu em 1984, ele mudou de mãos algumas vezes e, por fim, chegou à Classic Motors Cars, responsável por sua restauração - um trabalho que levou 18 meses.
O detalhe mais curioso desse resgate é que ele foi liderado por Richard Gauntlett, filho de Victor Gauntlett, justamente quem havia interrompido o Bulldog em 1981.
A meta não era somente devolver o brilho original, mas também cumprir a promessa feita lá atrás: superar a barreira das 200 mph ou 322 km/h.
Objetivo atingido e ultrapassado
No dia 5 de junho, em uma antiga base da OTAN na Escócia, o Aston Martin Bulldog finalmente entregou o que se esperava, com o piloto Darren Turner ao volante.
Ele não apenas chegou às 200 mph como foi além, atingindo 205,4 mph, o mesmo que 330,6 km/h. Nada mal, considerando seus 44 anos de idade.
Para alcançar essa velocidade com segurança, foi necessário modificar parte do conjunto. A Classic Motors Cars cita, por exemplo, a instalação de um sistema moderno de injeção de combustível no V8 biturbo e o reforço da caixa de câmbio.
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