Passados oito anos, a quinta geração do SEAT Ibiza continua em linha - e isso não acontece por acaso. As unidades de pós-2021 são as que fazem mais sentido.
Pouca gente percebe de primeira, mas o SEAT Ibiza já é um «quarentão». Desde 1984, ele se mantém como uma das escolhas mais seguras entre os hatches compactos, e a quinta geração - apresentada em 2017 - marcou um dos pontos mais altos da trajetória do modelo.
Mesmo hoje, o espaço interno segue como referência no segmento. Em dinâmica, o único rival direto à altura é o Ford Fiesta, e o conforto de rodagem o coloca no pelotão de cima da categoria. Foi (e ainda é) uma das melhores fases do Ibiza, a ponto de continuar em produção após a atualização de 2021. A segunda atualização está prevista para 2026, estendendo a vida de um dos pilares da SEAT.
Na prática, embora o Ibiza (6F) já tenha oito anos de mercado, ele segue entre os usados mais procurados. Os motivos são claros: há bastante oferta, os preços se mantêm estáveis e a reputação é muito boa.
No Piscapisca.pt aparecem quase 250 unidades à venda, com valores a partir de 9500 euros e chegando a 24 000 euros, variando conforme ano, motor e nível de equipamentos.
Neste Usado da Semana, detalhamos o que você precisa avaliar antes de fechar negócio com um Ibiza: quais motores valem mais a pena, quais versões são mais interessantes e quais pontos merecem atenção extra para evitar surpresas depois da compra.
Espanhol com «salero»
Historicamente, o SEAT Ibiza sempre apostou em um visual mais esportivo do que grande parte dos concorrentes (VW Polo, Opel Corsa, Renault Clio, etc.). Na quinta geração isso ficou ainda mais evidente, com vincos marcantes e uma assinatura luminosa em formato de triângulo que o tornou imediatamente identificável.
A produção acontece na fábrica de Martorell, na Espanha, e dá para dizer que ele pode ter “herdado” um pouco da disciplina dos Audi feitos na mesma planta. O acabamento da carroceria é excelente: alinhamento de painéis e uniformidade das folgas estão em um patamar capaz de constranger modelos bem mais caros.
De lado, chamam atenção o entre-eixos alongado, a linha de cintura alta e as rodas grandes - nas versões FR, elas podem chegar a 18", reforçando a pegada esportiva e a postura mais dinâmica.
Na traseira, a SEAT não tentou reinventar a forma. Preferiu evoluir de maneira coerente em relação ao antecessor, com proporções equilibradas e elementos familiares. Dependendo da versão, o Ibiza pode assumir uma aparência mais esportiva nas configurações FR ou mais elegante e sofisticada nas Xcellence.
Melhor e mais espaçoso. O que pedir mais?
Coube ao SEAT Ibiza de quinta geração estrear a plataforma compacta MQB A0 do Grupo Volkswagen, e esse salto técnico ajudou tanto na percepção de qualidade quanto no espaço a bordo.
Com 4,06 m de comprimento (oferecido apenas com carroceria de cinco portas), o Ibiza passou a figurar entre os maiores do segmento - e isso transformou o interior, que ficou visivelmente mais generoso.
Para dimensionar essa evolução, no banco traseiro o espaço para as pernas aumentou 35 mm e o espaço para a cabeça cresceu 17 mm em relação ao modelo anterior. Já o porta-malas ganhou 63 litros, chegando a 355 litros - um número que virou referência na categoria.
Por esse conjunto, ainda que o SEAT Ibiza sempre tenha «piscado o olho» para motoristas mais jovens e irreverentes, esta geração também passou a atender melhor usos familiares - algo que fica ainda mais claro no seu «irmão» SEAT Arona.
Além da área disponível, houve avanço relevante na montagem, nos materiais e no pacote de equipamentos. Aliás, no quesito capricho de construção, este Ibiza encostou em modelos de um segmento acima - sim, estou a falar do Leon).
Também vale destacar a excelente posição de dirigir e a forma como comandos e instrumentos foram organizados, algo que ainda dá “aula” em muitos carros mais novos. Principalmente porque há botões físicos para operar o ar-condicionado e o rádio, e porque a central multimídia de 8" fica levemente voltada para o motorista, melhorando a leitura.
E já que o assunto é tela central: ela traz o sistema Full Link, com integração via USB para Android Auto e Apple CarPlay; nas atualizações posteriores, a SEAT passou a oferecer essa conectividade também de maneira sem fio.
Versatilidade é palavra de ordem
Ao assumir o volante do SEAT Ibiza de quinta geração, a primeira impressão forte vem do tato dos comandos: direção, câmbio (nas versões manuais) e pedais parecem calibrados na medida.
Somando isso à boa ergonomia já citada, é fácil se sentir à vontade com este hatch, que se mostra competente em praticamente qualquer tipo de uso.
Com a MQB A0, o carro ganhou uma rodagem mais “plantada” e ficou mais sofisticado, independentemente da versão e do motor.
A direção cumpre bem o papel de informar o que acontece na dianteira, enquanto a suspensão (McPherson na frente e eixo semirrígido atrás) trabalha de forma competente ao filtrar irregularidades do asfalto - seja qual for a configuração escolhida.
Ainda assim, o Ibiza pode ter “personalidades” bem distintas. O topo de linha se divide entre FR e Xcellence: o nível de equipamentos é parecido, mas a proposta conversa com públicos diferentes.
No Ibiza Xcellence, o foco é o conforto, graças a um acerto mais macio e pneus de perfil mais alto. No FR, como manda a tradição, o carro é mais afiado em curvas, especialmente nas unidades com amortecedores opcionais de controle eletrônico, que oferecem dois ajustes: Normal e Esporte.
Se a ideia é ter um carro para a rotina que também empolgue em uma estrada mais sinuosa, praticamente não há como fugir do FR, com motor 1.0 TSI de 115 cv ou 1.5 TSI de 150 cv. É o tipo de acerto que convence - e, como mencionado, só o Ford Fiesta dessa época faz melhor em dinâmica. Isso diz muito.
Além das versões Xcellence e FR, existiam as configurações Reference (de entrada) e Style. A Reference pode ser “crua” demais, então a recomendação costuma ser subir para a Style, que já acrescentava itens que fazem diferença, como sensores de chuva/luz, sensor de estacionamento traseiro e rodas de 16".
Falando de motores, os 1.0 TSI (95 cv a 116 cv) sempre foram os mais procurados, entregando fôlego suficiente para o dia a dia e consumo real bastante razoável: por volta de 5,9 l/100 km, de acordo com o Spritmonitor.
Se o objetivo é gastar menos combustível, a alternativa é o 1.6 TDI (80 cv a 115 cv), que esteve disponível no SEAT Ibiza apenas até 2020. Considerando novamente dados reais, o consumo fica próximo de 5,0 litros.
Evolução dos preços
Como destacamos no começo deste Usado da Semana, no Piscapisca.pt há mais de 450 unidades à venda, com preços entre 9400 euros e 24 000 euros - você pode conferir todas as unidades do SEAT Ibiza aqui.
Os dados da consultoria MotorCV, que reúne valores reais de transações no mercado de usados, mostram como foi a evolução/depreciação do SEAT Ibiza (5ª geração) ao longo dos anos:
Tenha em mente que os valores servem apenas como referência. Itens como versão, quilometragem e motor fazem o preço de cada unidade variar bastante.
No geral, dentro do universo dos compactos, o espanhol segue competitivo frente aos rivais - e isso pesa ainda mais para quem quer uma direção um pouco mais envolvente.
Custos de utilização
De modo geral, assim como acontece com os “irmãos” do Grupo Volkswagen, o SEAT Ibiza mantém boa reputação no mercado. Neste relatório fornecido pela MotorCV você encontra os principais recalls desta geração do SEAT Ibiza:
Para aumentar a segurança na hora de escolher, sempre que der, peça o histórico de manutenção. No Piscapisca.pt há 140 unidades certificadas e com garantia.
E problemas? Nos motores 1.0 TSI, há relatos de falhas no turbo. Quando isso acontece, a solução normalmente passa pela substituição do turbocompressor.
Além disso, fique atento a possíveis ruídos na correia dentada e a sinais de superaquecimento do motor - dois outros sintomas que podem aparecer nesta geração. Também existem registros de defeitos no compressor do ar-condicionado.
Somando a tudo isso, há duas recomendações que valem para qualquer usado: sempre verifique o estado dos amortecedores e confira se o desgaste dos pneus é homogêneo.
A nossa escolha para o SEAT Ibiza
Naturalmente, o motor ideal depende do tipo de uso que você pretende dar ao carro. E, em um usado, entram outras variáveis importantes, como histórico de revisões, quilômetros rodados, etc.
Dito isso, a escolha mais comum no SEAT Ibiza desta geração é o 1.0 TSI, com potência entre 95 cv e 115 cv. Na base havia ainda um 1.0 aspirado com só 75 cv, mas sempre achámos que o chassis do Ibiza merecia mais «alma».
Por isso, faz bastante sentido optar pelo 1.0 TSI - especialmente na calibração de 115 cv (ou 110 cv, nas unidades pós-2021). Assim, o motor turbo pode vir com câmbio manual de seis marchas ou com a DSG (dupla embreagem) de sete marchas, em vez do câmbio manual de cinco marchas usado na versão de 95 cv.
Independentemente da combinação de potência e transmissão, o 1.0 TSI “anda bem e bebe pouco”: no Spritmonitor, com dados reais, a média fica por volta de 5,9 l/100 km. Mas, se você roda bastante em rodovia, a versão mais potente pode entregar consumo ainda melhor.
Se a prioridade absoluta é o menor consumo possível, a pedida é o 1.6 TDI (80 cv a 115 cv), disponível no SEAT Ibiza apenas até 2020. Novamente com base em números reais, os consumos ficam próximos dos 5,0 litros certos.
Quanto às versões, pode valer a pena olhar com carinho para a FR, muito comum no mercado nacional, principalmente se você busca uma condução mais envolvente. Já quem dá mais valor ao conforto de rodagem deve «apontar» para as Xcellence.
Em qualquer um dos casos, a lista de equipamentos e tecnologia é ampla - especialmente se você mirar unidades da segunda metade de 2021 em diante, quando o Ibiza de quinta geração recebeu sua primeira grande reestilização.
Essas unidades se diferenciam por um reforço importante em assistências ao motorista e por um interior mais tecnológico, com painel de instrumentos digital e uma tela de 8,25" já desde as versões Reference.
Alternativas ao SEAT Ibiza
A concorrência mais direta do SEAT Ibiza de quinta geração está “em casa”, isto é, dentro do próprio Grupo Volkswagen. O compacto espanhol divide soluções técnicas e mecânicas (motores, plataforma, etc.) com modelos como o Volkswagen Polo e o SEAT Arona.
O primeiro dispensa apresentações. O Polo é uma instituição em Wolfsburg e no mercado europeu. Ele tem uma imagem mais discreta (é alemão, pois claro) e uma rodagem um pouco mais confortável do que a do Ibiza - e isso pode agradar mais a algumas pessoas.
Já o Arona é uma espécie de Ibiza de «calças arregaçadas»: altura do solo maior, visual mais aventureiro e mais espaço para passageiros e bagagem. Essa versatilidade, junto da posição de dirigir mais alta, pode ser um atrativo forte.
Saindo do Grupo Volkswagen, é inevitável olhar para a França, onde há dois rivais muito fortes: Renault Clio e Peugeot 208. São dois dos modelos preferidos dos portugueses nos últimos anos, e isso praticamente fala por si.
Ao considerar unidades de 2019 ou 2020, dá para notar que o Renault Clio aposta em uma pegada mais dinâmica (ainda que não tão precisa quanto a do Ford Fiesta e a do SEAT Ibiza) e em um ótimo sistema de infoentretenimento. Ele perde para o Ibiza em espaço interno, principalmente no banco traseiro.
Por outro lado, o Peugeot 208 chama atenção por trazer uma lista de equipamentos mais completa e um interior com percepção de qualidade superior, embora a condução, no geral, seja bem mais filtrada. Em 2020, o Guilherme Costa colocou esses dois franceses frente a frente:
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