Nem todo lançamento de navio vira notícia fora do meio naval - mas, quando se trata do fechamento de uma série inteira, o marco ganha outro peso. Nesta sexta-feira, 22 de novembro, o estaleiro Mitsubishi Heavy Industries (MHI) realizou a botadura da futura JS Yoshii (12), a última fragata furtiva da nova classe Mogami, destinada a equipar a Força Marítima de Autodefesa do Japão (JMSDF).
A cerimônia aconteceu nas instalações da empresa em Nagasaki, onde foram conduzidos o desenvolvimento, o projeto e a construção das doze novas embarcações planejadas para modernizar a frota de superfície japonesa.
As Mogami são, hoje, algumas das fragatas mais modernas em serviço na Força Marítima de Autodefesa do Japão. Elas se destacam pelo desenho furtivo e por um deslocamento da ordem de 3.900 toneladas, com 133 metros de comprimento e velocidade máxima em torno de 30 nós. A série integra uma encomenda do Ministério da Defesa japonês de 12 unidades, atribuída à Mitsubishi Heavy Industries e construída por meio de seus estaleiros associados em Nagasaki e Tamano.
Antes do evento centrado na JS Yoshii, em julho ocorreu a botadura da JS Tatsuta, a fragata de número onze da série, mantendo o cronograma de construção sem novidades. Desde então, ela vem avançando em sua fase de construção e passando por diferentes testes, com o objetivo de concluir a entrega e a incorporação à Força Marítima de Autodefesa até o fim do Ano Fiscal de 2026, que se encerra em 31 de março de 2027.
Sobre as fragatas anteriores, sabe-se que a MHI segue com os testes finais e o processo de equipagem do JS Natori e do JS Nagara, a nona e a décima unidades da classe. A entrega está prevista para o fim do ano corrente e o começo do próximo, respectivamente.
Por fim, quanto aos próximos passos da JS Yoshii, está previsto que ela entre na etapa final de integração de equipamentos, com foco na superestrutura, para então seguir com as necessárias provas de mar, antes da entrega e entrada em serviço - também prevista para o fim do Ano Fiscal de 2026. Até aqui, um total de oito navios já foi incorporado ao serviço, atribuídos a Divisões de Escolta, a saber: a JS Mogami, JS Kumano, JS Noshiro, JS Mikuma, JS Yahagi, JS Agano, JS Niyodo e JS Yubetsu.
Mogami “FFM”: la siguiente evolución de la clase Mogami
Por outro lado, vale mencionar que, embora a classe Mogami represente um dos desenvolvimentos navais mais modernos do Japão, uma evolução do projeto já está em andamento, recebendo provisoriamente a designação de “fragatas FFM melhoradas” da classe Mogami. Pelas informações divulgadas até o momento, esses navios terão maior deslocamento, dimensões e capacidades de combate, além de melhorias relevantes em capacidades antissubmarino, guerra de superfície e operações polivalentes, quando comparados à Mogami original.
Sobre esse ponto, em março, a Agência de Aquisições, Tecnologia e Logística do Ministério da Defesa do Japão (ATLA) concedeu em 2024 dois contratos à Mitsubishi Heavy Industries (MHI), avaliados em US$ 1,2 bilhão, para dar início à construção. Estima-se que as plataformas tenham um ciclo de vida projetado de 40 anos, com um investimento total previsto de US$ 19,2 bilhões, e com a entrega do primeiro navio melhorado estabelecida para 2028.
Conforme indicado pelo Ministério da Defesa japonês, a nova classe FFM terá deslocamento de 4.880 toneladas, casco de 142 metros de comprimento e 17 metros de boca - valor menor em comparação aos 17,4 metros da classe Mogami original. Ainda assim, foi possível identificar que algumas características permanecem, com destaque para o sistema de lançamento vertical de mísseis (VLS) MK41 com 32 células, o sistema de defesa de curto alcance Sea RAM, e a capacidade de lançar oito mísseis antinavio em dois lançadores quádruplos posicionados no centro do navio, além de um canhão principal de 127 mm e um radar de matriz de fase integrado ao mastro principal.
Australia seleccionó a la FFM Mogami como su futura fragata de propósito general
Por último, e enquanto os estaleiros japoneses avançavam com a construção, uma novidade importante para o futuro da classe foi reportada em agosto. Em termos práticos - e como um marco para a indústria naval do Japão -, o governo australiano confirmou a seleção da Mogami, em sua variante melhorada, como sucessora das atuais fragatas Anzac, em serviço na Real Marinha Australiana há décadas.
O feito é significativo, já que a fragata furtiva japonesa da Mitsubishi Heavy Industries superou a proposta alemã baseada na classe MEKO A-200, da Thyssenkrupp Marine Systems, para equipar a marinha australiana com onze novas fragatas de propósito geral.
Embora não tenham sido apresentados mais detalhes, a expectativa é de que, em 2026, ocorra a assinatura dos contratos que formalizem a decisão australiana. Também se projeta que os três primeiros navios sejam construídos no Japão, com os oito restantes na Austrália, estabelecendo a entrega da primeira fragata em 2029 e sua incorporação ao serviço em 2030.
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