Pular para o conteúdo

Ameaça à produção de baterias na Europa: EUA e o Inflation Reduction Act (IRA)

Homem de terno em escritório com vista para indústria e turbinas eólicas ao pôr do sol.

A cadeia de produção de baterias na Europa enfrenta uma nova pressão - e ela não vem da China, e sim do outro lado do Atlântico: os Estados Unidos da América (EUA).

Em 2022, o governo norte-americano aprovou um conjunto de medidas dentro do “Inflation Reduction Act” (IRA). A proposta mira conter a inflação e, ao mesmo tempo, acelerar a adoção de tecnologias consideradas mais “verdes”.

Como o Inflation Reduction Act (IRA) afeta a produção de baterias na Europa

Na prática, a ameaça à produção de baterias na Europa aparece no formato dos incentivos previstos no IRA, desenhados justamente para impulsionar a fabricação local de baterias e outras tecnologias. O pacote chega a 369 bilhões de dólares (347 bilhões de euros). Do lado europeu, por sua vez, os apoios são limitados.

Essa diferença de estímulos cria o risco de que projetos planejados para a Europa sejam deslocados para os EUA, aproveitando o conjunto de benefícios previsto no IRA.

Incentivos para carros elétricos e impacto nas decisões das montadoras

Além do apoio direto à indústria, o IRA também amplia os subsídios para a compra de veículos elétricos - com uma exigência central: que sejam fabricados em território norte-americano.

O efeito já começa a aparecer nas escolhas estratégicas de fabricantes de automóveis. Há alguns meses, o diretor executivo da Volkswagen, Thomas Schäfer, já havia chamado atenção para o tema.

“Com o “Inflation Reduction Act”, os EUA oferecem às empresas incentivos altamente atrativos para investimentos em novas fábricas e produção. É alarmante que a União Europeia com o seu quadro regulamentar não esteja bem posicionada para a transformação da indústria (eletrificação) que já está a ocorrer.”

Thomas Schäfer, diretor executivo da Volkswagen

Tentativa de resposta

A União Europeia já busca uma forma de “responder” aos efeitos do IRA, seguindo duas frentes.

Negociação direta com os EUA

A primeira aposta é negociar diretamente com os Estados Unidos. A União Europeia quer que baterias produzidas com minerais extraídos na Europa também possam ser contempladas pelos incentivos norte-americanos.

Nesse contexto, o presidente dos EUA, Joe Biden, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, têm uma reunião marcada para esta sexta-feira, em Washington.

Proposta do “Net Zero Industry Act”

O segundo caminho envolve a criação de um pacote legislativo semelhante ao IRA, o “Net Zero Industry Act”, cuja apresentação está prevista para a próxima semana.

O “Net Zero Industry Act” deve estabelecer o enquadramento para futuros apoios estatais a indústrias vistas como essenciais para a descarbonização da UE, mas os primeiros sinais indicam que ele ainda está longe de atender às expectativas.

Uma fonte ouvida pelo Financial Times, que já conhece o plano, chega a classificá-lo como “muito mau”, apontando a falta de medidas concretas.

Fonte: Autonews


Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário