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Depois de ter sido comprada pela cada vez mais dominante Geely, em 2017, a Lotus passou a seguir um rumo muito diferente daquele com que nos acostumamos até pouco tempo.
A fabricante de Hethel, no Reino Unido, dá sinais de deixar para trás o legado de esportivos leves, puros e a combustão, avançando rapidamente para um futuro majoritariamente feito de SUVs e sedãs, todos elétricos… e bem mais pesados.
Simplificar e depois… adicionar baterias!?
Calma: ainda haverá esportivos na Lotus - só que também movidos a baterias. O primeiro, aliás, já foi apresentado em 2019: o Evija, um hipercarro elétrico de produção limitada a apenas 130 unidades.
O lema sagrado da marca, dito por seu fundador Colin Chapman - “Simplify, then add lightness” (simplificar e depois adicionar leveza) - encontra nessa virada profunda talvez o maior desafio para a própria identidade da Lotus.
A mudança é, pura e simplesmente, radical. Num dia, celebramos um Elise com menos de 1000 kg e 240 cv; no seguinte, a notícia é o Evija elétrico com 2000 cv e 1680 kg - números que soam exagerados, especialmente quando se trata de um Lotus.
Eletre, um Lotus como nenhum outro
Para “jogar sal na ferida”, o desenvolvimento elétrico mais recente da Lotus veio como um… choque, principalmente para os fãs mais fiéis. Afinal, a marca revelou o Eletre, um SUV 100% elétrico inédito, de proporções bem generosas e que, embora ainda não tenha todos os dados divulgados, deve ser o primeiro Lotus a passar de duas toneladas(!).
Só a bateria de 112 kWh pesa mais do que um Lotus Seven (o precursor do Caterham Super Seven).
Mostrado no ano passado, o Eletre promete patamares de tecnologia, espaço e praticidade nunca vistos em um Lotus. Até agora, são conhecidas três versões - Eletre, Eletre S e Eletre R -, com potência começando em 450 kW (612 cv) e chegando aos impressionantes 675 kW (918 cv) do R. A autonomia varia, respectivamente, entre 600 km e 489 km.
O Lotus Eletre chega ao mercado neste ano; você pode vê-lo com mais detalhes no artigo indicado abaixo.
“Coração” alemão para o Lotus Emira
Se o Eletre tende a concentrar as atenções da Lotus em 2023, ainda há novidade… a combustão. Hoje sob controle chinês, a marca britânica tem no Emira seu último esportivo com motor a combustão. Lançado no ano passado com “coração” japonês (V6 da Toyota), ele recebe agora um novo “coração” alemão.
E a origem não poderia ser melhor: a AMG. Não será um daqueles estrondosos V8 biturbo de Affalterbach, mas sim o M 139, o quatro-cilindros mais potente do mundo. Com o mesmo motor de modelos como o A 45 ou o novo C 63, o Emira chega no segundo trimestre de 2023.
No Lotus Emira, o refinado 2.0 turbo vai entregar 365 cv e será oferecido exclusivamente com câmbio de dupla embreagem de oito marchas.
Mesmo ficando 40 cv atrás do V6 Supercharged, o quatro-cilindros compensa por ser mais leve e pela transmissão: assim, iguala o V6 no 0-100 km/h, com 4,2s (provisório, aguardando certificação). A velocidade máxima fica um pouco abaixo - 283 km/h contra 290 km/h -, mas a promessa é de consumo e emissões bem menores.
Apesar do plano de eletrificação total da Lotus sob a Geely, o Emira, por ser um projeto ainda recente, deve continuar em linha até o fim desta década (pelo menos). Ainda assim, dentro de 2-3 anos ele deve ganhar a companhia de outro cupê esportivo - este, sim, 100% elétrico.
No fim das contas, o que vai sobrar da Lotus que a gente conhecia?
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