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Aiways U5: tem argumentos para triunfar na Europa?

Carro elétrico branco Aiways U5 estacionado em showroom moderno e iluminado.
Tem argumentos para triunfar na Europa?

A Aiways esteve entre as primeiras fabricantes chinesas a “pousar” na Europa, em 2017, e fez essa estreia com o U5, um SUV 100% elétrico que nós já colocamos à prova em vídeo no começo de 2022.

Agora voltamos a encontrar o U5 - curiosamente, pouco antes de o segundo modelo da marca chegar a Portugal, o U6, que estreia no verão.

Num momento em que as novidades se acumulam e, mês após mês, surgem novos SUVs elétricos, a pergunta para este teste era inevitável: o Aiways U5 tem o que é preciso para se firmar?

Pelo visual, a resposta não é imediata. Embora traga traços simples e superfícies bem “limpas”, ele não passa uma identidade forte. Nesse aspecto, o Aiways U5 acaba parecendo um pouco anônimo - e, por isso mesmo, dificilmente vai despertar paixões ou causar grande impacto.

Ainda assim, há alguns detalhes interessantes, como as maçanetas embutidas, o teto pintado de preto (opcional) e a assinatura luminosa totalmente em LED.

Também chamam atenção as proporções deste SUV chinês: são 4,68 m de comprimento, 1,86 m de largura e 1,70 m de altura. Na prática, isso significa uma coisa: espaço é o que não falta.

Interior surpreende

Se por fora o U5 é discreto, por dentro ele impressiona mais. A cabine é bem organizada, combina cores e materiais com bom senso, entrega um pacote de equipamentos competente e, acima de tudo, oferece muito espaço. No geral, é um ambiente agradável para passar tempo.

Como costuma acontecer, a parte superior do painel traz plásticos mais macios e melhores ao toque; já nas áreas inferiores os materiais são mais duros e ásperos.

No centro, a console recebe plástico preto brilhante: visualmente funciona, mas tem um inconveniente claro, porque marcas de dedos aparecem e ficam evidentes com facilidade.

Nos bancos dianteiros, revestidos em couro sintético, há aquecimento e ajustes elétricos, o que facilita encontrar uma posição de dirigir confortável.

Mesmo assim, notei o tempo todo que os apoios de cabeça ficam avançados demais, e não há como corrigir isso.

O volante, apesar de achatado em cima e embaixo, é gostoso de segurar. A empunhadura é boa e existe ajuste de altura e profundidade.

Por outro lado, os botões do volante têm um acionamento pouco preciso e um “clique” pouco agradável. É um detalhe, mas foi algo que me pegou repetidas vezes nos dias em que convivi com este elétrico.

E não foi o único ponto a chamar atenção. O quadro de instrumentos digital - separado em três telas (uma de 7” e duas de 4,2”) - também me fez olhar duas vezes, principalmente porque os gráficos parecem antigos. Ainda assim, a leitura é boa, inclusive em dias mais claros.

No centro do painel há uma tela sensível ao toque de 12,3”, com integração a Apple CarPlay e Android Auto, embora seja necessário usar cabo.

Curiosamente, nessa tela central os gráficos parecem mais agradáveis do que os da instrumentação. E, apesar de a experiência não ser das mais intuitivas, navegar pelos menus não é complicado - mesmo com a ausência do sistema de infoentretenimento em português.

Espaço na traseira surpreende

Na segunda fileira, a palavra-chave é uma só: espaço. Eu sei que já repeti isso ao falar do interior do Aiways U5, mas não é por acaso - este é, de fato, um dos maiores trunfos do SUV elétrico chinês.

Assim como na frente, os apoios de cabeça atrás são um pouco duros, mas a folga para pernas e cabeça compensa. Viajar na segunda fileira deste elétrico acaba sendo confortável, inclusive para quem vai no assento central.

Não há incômodo de túnel central, já que o piso é plano. Atrás da console central aparecem uma saída de ventilação (com uma espécie de tampa que abre e fecha para controlar a passagem de ar), dois pequenos espaços porta-objetos e uma porta USB convencional.

E os porta-malas?

Sim: o Aiways U5 oferece dois compartimentos de carga, um na traseira e outro sob o capô dianteiro.

Atrás, o volume mínimo é de 432 litros, podendo chegar a 1555 litros com os bancos da segunda fileira rebatidos.

Na dianteira, no frunk, o U5 soma mais 45 litros, espaço mais do que suficiente para guardar os cabos de carregamento.

Mecânica correta, mas ruidosa

O Aiways U5 é movido por um motor elétrico dianteiro de 150 kW (204 cv) e 310 Nm.

A bateria, instalada sob o piso da cabine, tem 63 kWh de capacidade. Segundo a marca chinesa, isso permite declarar até 400 km de autonomia, ou até 505 km em uso urbano.

Na prática, porém, durante os dias em que andei com este elétrico, não consegui encostar nos 400 km com uma única carga. Até porque, em um uso misto (rodovia, cidade e vias expressas), o consumo combinado nunca caiu abaixo de 21 kWh/100 km.

Considerando o peso (1770 kg) desta proposta e olhando para alguns rivais, eu esperava números de consumo mais baixos.

Mas a maior surpresa (e negativa) foi o barulho do motor elétrico, que dá para ouvir claramente dentro da cabine - não era para elétricos serem super silenciosos?

Dito isso, a forma como o conjunto entrega potência é melhor do que o ruído sugere: o torque entra de maneira bem linear e, mesmo com o acelerador no fundo, não existe aquele boost que cola o corpo no banco. Além disso, quando se pisa forte, percebe-se um leve atraso entre o comando no pedal e a resposta do motor.

Em desempenho, os números são modestos, mas atendem bem ao uso comum: a velocidade máxima é limitada a 160 km/h e o 0 a 100 km/h acontece em 7,8s.

Dinâmica é sinônimo de conforto no U5 - e isso aparece ao dirigir. A suspensão consegue filtrar bem as irregularidades do asfalto e os movimentos da carroceria ficam até mais controlados do que eu imaginava.

Só não espere uma proposta esportiva nem uma condução muito envolvente: basta entrar um pouco mais rápido em uma curva para o SUV reagir na hora. Quase como se estivesse dizendo: “calma, eu sou só um SUV familiar elétrico”.

Também senti, em várias situações, o eixo dianteiro patinar um pouco para transformar todo o torque em tração quando eu acelerava com mais vontade.

Outro ponto que merece observação é a sensação no pedal do freio que, como acontece com muitos elétricos (e híbridos), não é simples de dosar e soa bastante esponjosa. Aqui, a marca chinesa ainda tem margem para evoluir.

Quanto custa?

Entre janeiro e março deste ano, a Aiways emplacou 24 unidades do U5 em Portugal (dados da ACAP), um salto claro frente às sete unidades vendidas em 2022.

Ainda não são números expressivos, mas indicam que a marca chinesa vem se inserindo aos poucos no mercado português.

E, ao olhar para o U5, dá para entender a lógica: ele vem bem equipado, oferece (mesmo) muito espaço e entrega uma relação qualidade/espaço/preço interessante, especialmente considerando o porte.

Mas ele está longe de ser barato. Para clientes particulares e sem qualquer desconto, o U5 Prime que testamos parte de 49 188 euros. Com campanha de financiamento, esse valor cai para 46 728 euros.

Para comparação, o Tesla Model Y com tração traseira e apenas um motor elétrico começa em 46 990 euros e declara maior autonomia e melhor desempenho.

É verdade que o Aiways U5 tem pontos positivos a favor, mas também carrega aspectos que pedem refinamento: o motor elétrico faz muito barulho, alguns materiais internos não são agradáveis ao toque e os gráficos das telas parecem ultrapassados.

Ainda assim, ele tem argumentos suficientes para entrar na lista de quem busca um SUV elétrico muito espaçoso e que custe menos de 50 000 euros - disso eu não tenho dúvidas.

Até porque, em Portugal, a Aiways vende o U5 com garantia total de cinco anos ou 150 000 km, além de garantia da bateria de oito anos ou 150 000 km.

Veredito

Especificações técnicas


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