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Conflito no Oriente Médio e bloqueio de Ormuz ameaçam óleo de motor

Dois homens analisam uma embalagem de óleo em oficina, com uma mesa e tablet ao fundo.

Com a escalada do conflito no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz se arrastando sem prazo claro, o impacto econômico se espalha por mais setores. O próximo problema que já aparece no radar é a possível falta de óleo de motor.

Depois de três rodadas de reajustes em apenas dois meses e meio - algo que, segundo um especialista ouvido pela CNN, não tem paralelo - o setor passou a operar em modo de alerta, com discussões abertas sobre uma escassez que pode chegar em breve.

Em entrevista à CNN, Holly Alfano, diretora-executiva da Independent Lubricant Manufacturers Association (ILMA), entidade que representa fabricantes independentes do segmento, afirmou: “Estamos a enfrentar escassez, não tenho qualquer dúvida (…) É uma grande confusão e não vai ser resolvida rapidamente. Pode demorar um ano ou mais até vermos algum alívio real”.

Motores modernos são os mais prejudicados

Nesta crise, os tipos de óleo mais atingidos são justamente os utilizados em motores mais novos. Trata-se dos lubrificantes de menor viscosidade - como 0W-16, 0W-8 e 0W-20 - criados para atender exigências mais rígidas de emissões e elevar a eficiência energética.

Esses produtos, que já representam perto de um terço da demanda global no segmento de veículos leves, vêm registrando aumentos de preço e já existe a possibilidade de faltarem nas oficinas.

Diante disso, em alguns mercados começa a ganhar força a ideia de postergar manutenções ou de usar alternativas que não seguem tão bem as especificações definidas pelas montadoras - um caminho que pode resultar em danos ou em redução da vida útil média dos motores.

Uma cadeia de abastecimento frágil

A raiz do problema está na forte concentração da cadeia de suprimentos na região do Golfo Pérsico. Quase metade (44%) dos óleos-base de maior qualidade usados na fabricação de lubrificantes automotivos - os óleos do Grupo III - depende de produção instalada naquela área.

Com o Estreito de Ormuz bloqueado e com danos em infraestruturas críticas causados pela guerra, uma parcela relevante da oferta foi afetada, o que vem forçando o mercado a buscar opções em outros polos, como a Coreia do Sul.

Só que esses fornecedores alternativos também esbarram em restrições: parte da capacidade industrial foi direcionada a segmentos de maior margem, como combustível de aviação ou diesel. Este último, por sua vez, é produzido usando óleos-base do Grupo II - exatamente uma das alternativas para a produção de óleo de motor.

Preços vão aumentar

Embora especialistas indiquem que duas novas plantas de produção de lubrificantes estão previstas para começar a operar nos Estados Unidos, a expectativa é que isso não ocorra antes do próximo ano.

Até lá, como interromper a atividade não é uma opção, três cenários aparecem como praticamente certos: mais pressão sobre preços, mais imprevisibilidade e o risco real de escassez.

Mesmo com algumas empresas afirmando ter estoques suficientes no curto prazo, oficinas e revendedores já se organizam para um contexto em que o custo das manutenções pode subir, ainda que a demanda não mude de forma significativa.

No fim das contas, assim como vem acontecendo com os combustíveis, quem tende a “sofrer” mais com essas disrupções é o consumidor.

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