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Ferrari Luce: reação ao design derruba as ações após estreia do elétrico

Carro esportivo vermelho Ferrari Luce exibido em showroom moderno com grandes janelas de vidro.

A recepção ao Ferrari Luce acabou disparando um movimento global de rejeição ao visual do modelo - a ponto de praticamente ofuscar o fato de ele ser o primeiro carro elétrico da marca italiana.

Ações da Ferrari após a apresentação do elétrico

Depois de uma semana favorável para as ações da Ferrari antes da revelação completa do modelo (subiram cerca de 10%), o pós-apresentação trouxe um tom bem diferente. Os papéis recuam 8,4%, num sinal direto de que o mercado não comprou a ideia deste lançamento.

O Ferrari mais polêmico de sempre?

O Luce marca uma quebra clara com a imagem mais clássica da Ferrari. Não é um cupê de dois lugares, não segue a fórmula de um superesportivo de motor central e, para muita gente, nem “parece” um Ferrari. Trata-se de um carro de quatro portas e cinco lugares, com proporções de carroceria pouco comuns para Maranello e um desenho feito em parceria com a LoveFrom, o estúdio fundado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple.

Especificações e preço do Ferrari Luce

Nos números, o Luce promete mais de 1000 cv, com quatro motores elétricos (um por roda), aceleração de 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos, velocidade máxima de 310 km/h e autonomia de 530 km. O valor também segue a lógica do que se espera de um Ferrari: cerca de 550 mil euros, antes mesmo de entrar nas opções de personalização.

Nos minutos que se seguiram ao evento, redes sociais e diversos veículos internacionais reagiram com comparações pouco generosas e críticas à distância estética entre o Luce e aquilo que muitos clientes e fãs associam a um Ferrari.

Uma queda além do Luce

A baixa nas ações não quer dizer, por si só, que o Luce será um fracasso comercial - isso só o tempo vai mostrar. A Ferrari segue como uma das marcas mais lucrativas da indústria automotiva, com margens muito acima da média e uma carteira de pedidos robusta.

A questão, porém, vai além de um design envolto em polêmica. Para investidores, este lançamento funcionaria como teste da capacidade da Ferrari de entrar na era elétrica sem diluir o valor da marca. A recepção fria do mercado acabou tendo efeito imediato.

A Ferrari já tinha reduzido a ambição elétrica para 2030, ao apontar uma gama com 40% de modelos a combustão, 40% híbridos e 20% elétricos. Além disso, ela também alterou o que havia planejado: em vez de colocar dois elétricos na rua como prometido, anunciou que lançaria apenas um.

Na prática, o Luce acabou soando como uma estreia pouco confiante rumo à eletrificação total - algo que já tinha pesado sobre a marca na bolsa quando esses planos foram apresentados. Por ora, a Ferrari pelo menos conseguiu fazer todo mundo falar do seu primeiro carro elétrico. Para quem acredita que não há má publicidade, então a operação foi um sucesso.

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