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Mercado de automóveis usados em Portugal: ANECRA debate oferta, marketplaces e veículos elétricos

Carro elétrico branco moderno exibido em ambiente interno com gráficos digitais flutuantes ao fundo.

O mercado de automóveis usados em Portugal segue em expansão, mas o setor vem lidando com obstáculos cada vez mais complexos.

A combinação de procura em alta e oferta limitada, a digitalização do segmento, o avanço dos veículos elétricos e as novas regras ligadas ao crédito automotivo dominaram as discussões do Encontro Nacional do Comércio de Automóveis Usados, promovido pela ANECRA, com a presença da Razão Automóvel.

Em um cenário de mudanças aceleradas, uma percepção se destacou: a procura continua maior do que a oferta, enquanto os consumidores estão mais bem informados, mais exigentes e mais dispostos a considerar novos fabricantes.

Encontro Nacional do Comércio de Automóveis Usados da ANECRA

O evento reuniu cerca de 400 profissionais do setor e teve, pela primeira vez, a participação conjunta de representantes de algumas das principais plataformas digitais do mercado de usados: Pedro Menezes Soares (Standvirtual), Miguel Mendes (Carmine) e Filipe Pestana Neves (PiscaPisca).

Procura, oferta e novas regras do crédito automotivo

Entre maio de 2025 e abril de 2026, segundo os números apresentados pelo Standvirtual, a procura por veículos leves usados permaneceu de forma consistente acima da oferta disponível no mercado nacional.

A plataforma também apontou que a procura acumulada cresceu cerca de 12% ao longo desse intervalo, embora a oferta não tenha acompanhado o mesmo ritmo. Esse descompasso ajuda a entender o aumento na importação de usados em Portugal que, de acordo com dados compartilhados pela ANECRA, subiu cerca de 20% nos quatro primeiros meses de 2026.

Chineses e elétricos ganham espaço

Os veículos elétricos também estão no centro dessa mudança. Conforme dados divulgados pelo Standvirtual, quase uma em cada quatro buscas feitas na plataforma já se refere a automóveis elétricos, e houve um salto de 122% na procura após o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, as marcas chinesas seguem conquistando mais espaço entre os consumidores. A procura por modelos desses fabricantes aumentou mais de 200%, indicando uma maior abertura do mercado para ofertas com foco em relação preço/equipamentos, tecnologia e autonomia.

Marketplaces digitais ganham peso no setor

Um dos pontos altos do encontro foi o painel dedicado às plataformas digitais, que reuniu, como mencionado, responsáveis de diferentes serviços. Ali ficou evidente uma mudança relevante: a influência sobre a decisão de compra não está mais concentrada apenas nas marcas ou nas concessionárias.

Hoje, ao contrário, o consumidor pesquisa mais, compara mais e chega ao momento de fechar negócio muito mais informado do que antes.

Nesse cenário, a presença digital deixou de ser somente importante e passou a ser indispensável. Até porque, conforme discutido no painel, o desafio já não é apenas estar na internet, e sim conseguir se destacar em um mercado cada vez mais competitivo.

A inteligência artificial foi outro tema que ganhou destaque. As plataformas digitais vêm investindo em ferramentas capazes de analisar grandes volumes de dados para antecipar tendências, ajustar preços em tempo real e aprimorar a experiência dos usuários.

Apesar das incertezas, o encontro terminou com uma mensagem comum aos diferentes painéis: o mercado de usados segue dinâmico e em crescimento, mas atravessa uma transformação profunda, na qual digitalização, eletrificação e novas exigências dos consumidores prometem redesenhar o setor nos próximos anos.

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