Nos últimos anos, a SEAT tem sido alvo de muitas incertezas sobre o que vem pela frente. Com a CUPRA ganhando força e se consolidando como uma aposta estratégica dentro do Grupo Volkswagen, a SEAT acabou perdendo protagonismo aos poucos: não vieram novos modelos, não apareceu um plano nítido para a eletrificação e a linha encolheu até ficar restrita a apenas três carros - e nenhum deles é 100% elétrico.
Diante desse contexto, uma pergunta voltou a aparecer repetidamente: ainda faz sentido manter a SEAT? Markus Haupt, diretor executivo da SEAT & CUPRA, não evita o tema - mas também admite que não existe, por enquanto, uma resposta fechada.
“Certamente chegará um momento em que vamos precisar de discutir qual poderá ser o futuro desta marca”, disse ele, em declarações à Autocar.
Eletrificação para breve?
A maior dúvida sobre o destino da SEAT está ligada ao que acontecerá quando as regras europeias de emissões de dióxido de carbono (CO₂) ficarem mais rígidas, a partir do fim desta década.
“Um dia terá de surgir a discussão sobre o que fazer com a SEAT. Mas até lá, temos uma estratégia clara: continuar a apostar nos modelos que temos.”
Markus Haupt, diretor-executivo da SEAT & CUPRA
Segundo Haupt, esse futuro vai exigir uma análise bem mais profunda - e, inevitavelmente, a solução passa pela eletrificação. Há, porém, um requisito essencial: o custo das plataformas elétricas precisa cair a um nível que permita à SEAT operar com lucro. “Hoje seria muito difícil ter uma SEAT que conseguisse ganhar dinheiro com os custos que temos”, reconheceu.
Ao ser questionado se a marca ainda estará vendendo carros novos em 2035, ele respondeu com prudência, mas mantendo um tom otimista: “Espero que sim.”
CUPRA disfarçados?
Uma hipótese bastante comentada para a fase elétrica da SEAT seria a marca passar a oferecer versões mais baratas de modelos elétricos da CUPRA, como o Raval, o novo compacto urbano elétrico da marca premium.
Na prática, seria um caminho que lembra a própria origem da CUPRA, que começou comercializando versões mais esportivas de carros da SEAT. O executivo, no entanto, descartou essa possibilidade.
“Nunca faríamos isso. Retirar o conteúdo dos modelos da CUPRA e transformá-los em SEAT certamente não é a estratégia certa para nós.” O objetivo, segundo ele, é manter a identidade de cada marca bem definida. “Ambas merecem ter o seu próprio ADN e precisam de encontrar o seu próprio caminho.”
E até lá?
Enquanto a conversa definitiva sobre o futuro não acontece, a SEAT tem planos concretos no curto prazo. Haupt afirma que a empresa segue colocando recursos na marca: “continuamos a investir na SEAT. Não consigo imaginar a nossa empresa sem ela. A SEAT é o nosso património”.
Depois de um período longo sem mudanças relevantes, a SEAT apresentou recentemente atualizações do Ibiza e do Arona - as primeiras revisões de peso na gama desde a chegada da quarta geração do Leon, em 2020. Já no próximo ano, ambos terão, pela primeira vez, versões com sistema mild-hybrid de 48 V, aproximando a oferta das exigências de eficiência impostas pelo mercado e pelas normas.
Mesmo assim, o lançamento mais aguardado é a próxima geração do Leon, programada para 2029. Ainda há poucas informações oficiais, mas a tendência é que ele siga o caminho do Golf e se desdobre em duas configurações: uma 100% elétrica, construída sobre a nova plataforma SSP, e outra a combustão com algum nível de eletrificação, baseada na plataforma MQB Evo.
A expectativa é que essa divisão também seja feita entre as duas marcas: o Leon elétrico ficaria com a CUPRA, enquanto a SEAT manteria a opção a combustão, com motorizações parcialmente eletrificadas (mild hybrid, full hybrid e híbrida plug-in).
Enquanto aguarda essas definições, a continuidade da SEAT também encontra apoio fora da Europa. Em muitos mercados internacionais, a eletrificação ainda está distante de ser uma alternativa acessível - e é justamente nesses lugares que a marca espanhola, com sua proposta de mobilidade a preços “acessíveis”, ainda tem espaço para cumprir um papel relevante.
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